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Presidente da Fundação Palmares falta a audiência; deputadas pedem saída dele do cargo

No momento da reunião, Sérgio Camargo tuitou que não dialogaria com "pretos racistas"; parlamentares querem convocá-lo.

Por Jorge Matos em 08/06/2021 às 21:05:56
Foto: Agência Brasil

Foto: Agência Brasil

Integrantes da Comiss√£o de Cultura da C√Ęmara dos Deputados e outros debatedores que estavam presentes na audi√™ncia pública desta segunda-feira (7) promovida pelo colegiado pediram a saída de Sérgio Camargo da presid√™ncia da Funda√ß√£o Cultural Palmares.

Camargo foi convidado para o debate, sobre a situa√ß√£o da entidade pública de promo√ß√£o da afro-brasilidade, mas n√£o compareceu. No momento da reuni√£o, ele publicou em sua conta no Twitter que n√£o se sentaria à mesa para dialogar com "pretos racistas".

"Benedita da Silva me chama de 'capit√£o-do-mato a mando do Bolsonaro'. V√° procurar sua turma! N√£o existe crise institucional na Palmares!", manifestou-se. Em outra postagem, o presidente da funda√ß√£o afirmou que as alega√ß√Ķes de crise institucional se deviam aos cortes de recursos da "negrada vitimista e artistas queridinhos da milit√Ęncia." "Preferi trabalhar a discutir narrativas mentirosas de quem vive da vitimiza√ß√£o do negro e exige sua submiss√£o à cartilha", declarou.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que coordenava o debate, leu os tuítes de Sérgio Camargo e disse que, na próxima audi√™ncia pública, ele ser√° convocado. "O atual presidente da funda√ß√£o desconhece totalmente a turma dele, desconhece que a turma dele veio num navio. Ele talvez desconhe√ßa até como conseguiu chegar a uma universidade. Ele deve desconhecer totalmente o que é ver os filhos baleados por conta da cor da sua pele", retrucou.

A parlamentar recusou a alcunha de vitimista. "Somos vítimas de um projeto genocida, de um racismo institucional e estrutural. Os capit√£es-do-mato s√£o aqueles que mandavam matar seus iguais. Por isso vou repetir, que o capit√£o-do-mato da Funda√ß√£o Cultural Palmares est√° destruindo aquilo que custou suor, l√°grima e sangue."

Denúncia e dilig√™ncia

A deputada Erika Kokay (PT-DF) também chamou Sérgio Camargo de racista e capit√£o-do-mato. Ela informou que vai denunci√°-lo à Procuradoria da C√Ęmara por suas manifesta√ß√Ķes na mídia social. "Isso é um ataque ao Parlamento", indignou-se.

Kokay também afirmou que deve apresentar um requerimento para fazer uma dilig√™ncia na funda√ß√£o, a fim de avaliar as condi√ß√Ķes do acervo da institui√ß√£o. "O acervo da Funda√ß√£o Palmares est√° jogado em caixotes, em prédios com umidade. É um desrespeito ao povo brasileiro", criticou. "Queremos saber onde est√£o os presentes de Nelson Mandela, onde est√£o as obras de arte, onde est√° o acervo liter√°rio, onde est√£o as cartas de alforria."

A deputada Lídice da Mata (PSB-BA) disse estar satisfeita de saber que Sérgio Camargo estava acompanhando a audi√™ncia virtualmente. "Um inimigo que n√£o nos acompanha est√° achando que a gente j√° n√£o tem valor", comentou. "Vamos continuar nessa batida contra ele. Ele nos teme. N√£o gosto muito nem de falar no nome desse rapaz, porque ainda n√£o vi nenhuma contribui√ß√£o dele ao País. Parece que o governo Bolsonaro primeiro queria acabar com a funda√ß√£o. N√£o acabou com medo de o movimento político progressista caracteriz√°-lo como um governo racista."

Os deputados governistas Alê Silva (PSL-MG) e Luiz Lima (PSL-RJ) registraram presença na reunião, mas não se pronunciaram.

Orçamento

Entre os convidados da audi√™ncia pública, o ex-presidente da Funda√ß√£o Cultural Palmares José Hilton Santos Almeida lembrou que a popula√ß√£o negra tem demandas culturais e artísticas enormes. "Nunca tivemos or√ßamento ou bra√ßo suficiente para atender", lamentou. Ele afirmou que a saída de Sérgio Camargo da presid√™ncia da funda√ß√£o seria simbólica.

A ativista da Coalis√£o Negra por Direitos Wania Santana disse que as a√ß√Ķes do atual presidente da funda√ß√£o tinham como objetivo minar o crédito do movimento negro no Brasil. "O sr. Sérgio Camargo tem falhado em preservar a luta e memória do povo negro brasileiro", opinou.

A socióloga e ativista do Movimento de Mulheres Negras Vilma Reis relembrou políticas públicas e eventos promovidos anteriormente pela funda√ß√£o. "Foi a primeira institui√ß√£o pública para tratar de direitos da nossa popula√ß√£o. É uma institui√ß√£o do Estado brasileiro, n√£o um capricho de um governo que empurra nosso povo para morte", declarou.

Representante do Conselho Pastoral dos Pescadores, Maria José Honorato acusou Sérgio Camargo de prevarica√ß√£o por desrespeitar a legisla√ß√£o e n√£o proteger comunidades quilombolas. "É inadmissível que a Funda√ß√£o Cultural Palmares deixe as comunidades relegadas", criticou.

A educadora social e advogada Patrícia Félix também atacou Sérgio Camargo. "É um homem negro que me envergonha", disse. Ela acrescentou que as políticas culturais da funda√ß√£o poderiam salvar e resgatar comunidades de periferia que sofrem com a viol√™ncia. "A Funda√ß√£o Cultural Palmares nasceu para prevalecer os direitos da negritude, seja ela quilombola ou favelada", declarou.

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Fonte: Francisco Brand√£o/Ag√™ncia C√Ęmara de Not√≠cias

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Isael Barros