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Cultura e religiosidade

Festa da Boa Morte: tradição bissecular é mantida no recôncavo baiano

Nesse domingo (13), aconteceu o cortejo noturno que levou a imagem da Santa até a igreja do Rosário


Foto: Ipac
Começou na cidade de Cachoeira, localizada no recôncavo baiano, mais uma edição da Festa de Nossa Senhora da Boa Morte. A celebração, que une cultura, história e religiosidade e é Patrimônio Cultural da Bahia, com mais de 200 anos de história, segue até o próximo dia 17 de agosto.
Exposição, feira do empreendedorismo negro, feira de artesanato e rodas de samba acontecem junto com a programação religiosa. Além de cultuar a santa católica, a festa reverencia o trabalho e a importância da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte para a cultura e história do povo baiano, atraindo turistas de todo o país. Durante esta semana, procissões, cortejos, missas e rituais que combinam elementos das religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, com tradições católicas são realizados em homenagem à Santa e a confraria afro-religiosa formada apenas por mulheres negras.
Nesse domingo (13), aconteceu o cortejo noturno que levou a imagem da Santa até a igreja do Rosário, onde foi celebrada a tradicional missa das "Irmãs Falecidas" que homenageia as mulheres que já contribuíram com o trabalho da irmandade, finalizando com a "Ceia Branca", que reúne as irmãs na sede da entidade. Na quarta-feira (16), acontece um dos principais momentos da programação, que é a "Alvorada", missa e procissão em homenagem à Nossa Senhora da Glória.
Segundo pesquisadores, a Irmandade foi originada por volta de 1820 em Salvador, na Bahia, tendo à frente mulheres escravizadas vindas da Ãfrica. O grupo de mulheres negras, foi responsável pela alforria de inúmeros escravos e é considerado um dos primeiros movimentos abolicionistas e também feministas do Brasil. Após perseguições por causa do trabalho que faziam comprando a alforria de escravos e pelo culto aos orixás, as ações se encerraram na capital.
Algumas mulheres da irmandade se fixaram tempos depois, por volta dos anos 1860, no município de Cachoeira, distante pouco mais de 100 km da capital baiana, retomando as ações da confraria. Atualmente, o grupo continua com a missão social, dedicada principalmente à educação, empoderamento de mulheres e combate ao racismo e à intolerância religiosa. Nas redes sociais da Irmandade da Boa Morte e da Prefeitura de Cachoeira, é possível saber a programação diária do festejo.
História
O culto a Nossa Senhora foi difundida por todo o mundo ocidental, desde o século IX, através da expansão católica. De forte tradição portuguesa, as festividades dedicadas a santa remonta às realizadas e louvor a Nossa Senhora D"Agosto. Nos trópicos sofreu influência do catolicismo afro-brasileiro. Em Salvador a devoção a Nossa Senhora da Boa Morte é registrada desde o séc. XIX, exclusivamente feminina, localizada na Igreja da Barroquinha. Uma devoção de mulheres negras. A oralidade tende a afirmar que a transferência dessa Irmandade para a cidade de Cachoeira se deu por volta de 1820. Lá, se instalou numa casa de nº 41, chamada de Casa Estrela, local ainda hoje reverenciado pelas irmãs durante o trajeto da procissão. As irmãs revelam que a devoção surgiu vinculada a um pedido pelo fim da escravidão feito pelas africanas a Nossa Senhora da Boa Morte.

Redação, com informações da Agência Brasil e Ipac-BA

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