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Judeus e muçulmanos se unem em defesa da paz

Pelo painel, a Comissão de educação ouviu o diretor da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e conselheiro da União Brasileiro Israelita do Bem-Estar Social (Unibes), Luiz Kignel

Por Jorge Matos em 18/11/2023 às 08:17:20
Marcos Oliveira/Agência Senado

Marcos Oliveira/Agência Senado

Em meio ao conflito no Oriente Médio, uma reunião protocolar no Senado uniu judeus e muçulmanos e se converteu em um apelo à paz. A Comissão de Educação (CE) promoveu na sexta-feira (17) um debate sobre inclusão de datas religiosas judias e muçulmanas no calend√°rio nacional previstas no PL 3.483/2023.

A audi√™ncia p√ļblica é um requisito para se mexer nas datas oficiais do Brasil. Todos os presentes destacaram a conviv√™ncia harmoniosa entre essas duas comunidades no pa√≠s e defenderam o fim da guerra entre Israel e Hamas, que j√° deixou mais de 12 mil mortos.

Autor do projeto de lei, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) lembrou que apresentou a proposta em julho, tr√™s meses antes do in√≠cio do conflito, mas apontou que o debate ainda que "singelo" ganhou import√Ęncia ao unir muçulmanos e judeus em defesa da paz:

— É um evento pequeno. Montamos o projeto em julho, antes de o conflito acontecer no Oriente Médio e quis Deus que acontecesse neste momento. No meio da escuridão, se voc√™ acender uma velinha, faz diferença. O ódio não consegue expulsar o ódio. Só o amor consegue expulsar o ódio — pregou o senador.

Diretor da Confederação Israelita do Brasil (CONIB) e conselheiro da União Brasileiro Israelita do Bem-Estar Social (UNIBES), Luiz Kignel destacou o simbolismo de um mesmo projeto de lei garantir o reconhecimento de datas importantes para as duas comunidades:

— Dois povos, duas religiões estão no mesmo projeto de lei. O efeito não seria o mesmo se fosse um projeto para agraciar a cada um. Isso é uma mensagem. Não h√° diferença alguma de um ataque a uma comunidade muçulmana ou judaica. Todos são crimes de ódio. [...] Vamos torcer para que a paz volte a reinar o mais breve poss√≠vel no Oriente Médio — declarou.

Na mesma linha, Mustafa Goktepe, presidente do Instituto pelo Di√°logo Intercultural, reforçou que o projeto sinaliza a necessidade de demonstrar que é poss√≠vel conviver em harmonia:

— É uma demonstração de que precisamos no mundo desse respeito, essa conviv√™ncia em todas as partes do mundo — afirmou.

Para o secret√°rio-Geral do Centro Isl√Ęmico e de Di√°logo Inter-religioso e Intercultural, Attila Kus, o projeto vai ajudar a combater o antissemitismo e a islamofobia.

— Quem conhece ama, quem não conhece teme. A partir desses projetos, desses debates, o conhecimento sobre essas duas comunidades alcançar√° mais pessoas e isso ajudar√° a lutar contra o antisemitismo e a islamofobia que vem crescendo — apontou.

Na avaliação do Sheikh Mohamed Al Bukai, Imam da Mesquita Brasil, o projeto d√° uma sensação de pertencimento para ambas as comunidades e se torna ainda mais relevante no momento em que ocorre o conflito no Oriente Médio:

— É uma grande resposta. Temos um pa√≠s, o Brasil, que é exemplo dessa harmonia e dessa conviv√™ncia — afirmou.

O Rabino David Weitman, da Sinagoga Beit Yaacov da Congregação e Benefic√™ncia Sefaradi Paulista, também saiu em defesa da paz:

— Quanto mais a gente educar uma geração de fé, mais essa geração ser√° uma geração de paz. O Brasil é um exemplo, um exemplo da conviv√™ncia e respeito entre as religiões — testemunhou.

O Projeto

O projeto inclui no Calend√°rio Oficial da Rep√ļblica Federativa do Brasil o Rosh Hashan√°, o primeiro dia do Ano Novo; e o Yom Kipur, o Dia do Perdão, a serem comemorados anualmente na data definida pelo calend√°rio judaico. Também inclui o Eid al-Fitr, o fim do Ramadã (m√™s sagrado para os muçulmanos) a ser comemorado anualmente na data definida pelo calend√°rio isl√Ęmico. A inclusão não quer dizer que esses dias serão feriados.

Por sugestão dos presentes, mais uma data comemorativa do calend√°rio isl√Ęmico dever√° ser inclu√≠da no projeto pelo relator, senador Carlos Portinho (PL-RJ), segundo informou o senador Astronauta Marcos Pontes.

Ao apresentar a proposta, o senador destacou a contribuição de ambas as comunidades no processo civilizatório nacional. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat√≠stica (IBGE) compilados no Censo de 2010, havia naquele ano quase 110 mil judeus no Brasil, a segunda maior comunidade judaica da América Latina (menor apenas que a da Argentina) e a 11¬™ no mundo.

O mesmo levantamento apontou que o n√ļmero total de muçulmanos no Brasil era de pouco mais de 35 mil pessoas, mas a comunidade cresceu 29,1% entre os anos 2000 e 2010, enquanto o crescimento da população brasileira, no mesmo per√≠odo, foi de 12,3%.

Fonte: Agência Senado

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