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Manuscritos e primeiras edições recontam hist√≥ria de Machado de Assis

Meta é resgatar o espírito do escritor, diz coordenadora da mostra

Por Jorge Matos em 18/11/2023 às 12:43:59
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A Ocupação Machado de Assis, aberta à visitação neste s√°bado (18), não tem uma ordem cronológica ou caminho prévio a ser percorrido. A ideia de que cada pessoa navegue livremente pelos manuscritos originais, primeiras edições, fotos e vídeos foi pensada a partir dos próprios livros do escritor.

"A gente quis resgatar o espírito do Machado, daquele sentimento que ele provoca nos leitores, que as pessoas, dentro da sua obra acabam fazendo as escolhas também, as compreensões que elas mesmas t√™m da narrativa", explica a coordenadora de Curadorias e Programação Artística do Itau Cultural, Andreia Schinasi.

O espaço, localizado na Avenida Paulista, região central da capital, recebe a mostra em homenagem ao escritor.

Nas vitrines, muitas das primeiras edições de v√°rios livros de um dos mais importantes escritores brasileiros e de língua portuguesa, como Quincas Borba, de 1891 e Desencantos: fantasia dram√°tica, de 1861. Ao lado, em muitos casos, os contratos com os editores em que vendia os direitos sobre sua obra. Nesses originais é possível descobrir, entre outros detalhes, que o romance Esaú e Jacó se chamaria, inicialmente, Último, entre outras rasuras que nunca foram publicadas.

H√° ainda documentos menos esperados, como um parecer de 1862, a respeito da tradução da comédia Os Nossos Íntimos, do franc√™s Victorien Sardou, do período em que trabalhou como censor teatral.

Vozes negras

O espaço se inspira na decoração do século 19, a partir da mobília que Machado usava em sua casa, no número 18 da Rua Cosme Velho, no Rio de Janeiro. É possível sentar em cadeiras com o estilo da época para assistir os vídeos em que atrizes negras interpretam trechos das poesias, peças e romances do escritor. "A gente est√° diante também de um Machado que foi embranquecido. Então, por isso também que a gente, a partir dos documentos, a partir de v√°rias an√°lises críticas que estão distribuídas aqui também no audiovisual, e essa coisa das leituras, também faz um paralelo com a contemporaneidade", explica Andreia sobre a opção de marcar a negritude de Machado, que muitas vezes, foi retratado como um homem branco.

Entre as vozes que fazem parte desse trabalho estão Elisa Lucinda, Aysha Nascimento, Cleide Queiróz e Juçara Marçal, dirigidas por Edi Cardoso. Assim como toda a exposição é pensada a partir da acessibilidade, os vídeos t√™m tradução em libras.

As crônicas, textos críticos e poemas publicados pelo escritor em jornais também podem ser consultados em um volume que reuniu esse material especialmente para a exposição. Pode ser lido, por exemplo, o soneto À Ilma Sra. D.P.J.A., publicado em 1854 no Periódico dos Pobres, considerado o primeiro poema de Machado a chegar aos jornais.

Xadrez e grego

Um tabuleiro de xadrez lembra da paixão que o escritor tinha pelo jogo. As peças reproduzem as encontradas na casa do autor. Estudos de Machado em grego compõe o lado erudito do escritor, enquanto as fotos de seu enterro, com o caixão carregado por escritores famosos e observado por uma multidão, mostram que o escritor tinha apelo popular.

Um globo terrestre interativo permite que se escutem trechos do livro Dom Casmurro escrito para alguns dos diversos idiomas que foi traduzido para o japon√™s, √°rabe e alemão. A exposição acontece em paralelo com o lançamento, em 26 volumes, de todas as publicações que Machado lançou em vida, pela editora Todavia.

A mostra vai até 4 de fevereiro de 2024 e é gratuita.

Fonte: Agencia Brasil

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