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SEGUNDO TURNO

33 milhões de votos estão “soltos”: abstenção vira campo de batalha entre Lula e Flávio no 2º turno

Mais de 33,4 milhões de brasileiros não foram às urnas no primeiro turno. Número é quase 15 vezes maior que a diferença entre os dois candidatos e coloca a mobilização dos ausentes no centro das estratégias para 25 de outubro.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 06 de outubro de 2026 às 12:24 • Salvador - BA
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Mais de 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno. Agora, com uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos entre Flávio Bolsonaro e Lula, a mobilização de quem ficou em casa ganha peso estratégico na disputa do segundo turno. Os ausentes não pertencem a nenhum candidato — mas levá-los às urnas pode alterar profundamente o cenário eleitoral.
Mais de 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno. Agora, com uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos entre Flávio Bolsonaro e Lula, a mobilização de quem ficou em casa ganha peso estratégico na disputa do segundo turno. Os ausentes não pertencem a nenhum candidato — mas levá-los às urnas pode alterar profundamente o cenário eleitoral. — Arte/Hoje Bahia.

O segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa com uma disputa que vai muito além dos eleitores que escolheram outros candidatos. Há um contingente gigantesco que sequer entrou na decisão do primeiro turno: 33.469.244 brasileiros não compareceram às urnas.

A abstenção atingiu 21,08% do eleitorado, a maior taxa em uma eleição geral desde 1998. Dos aproximadamente 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar, cerca de 125,3 milhões compareceram.

Uma multidão maior que a diferença entre os candidatos

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 56.104.503 votos, ou 47,03% dos votos válidos. Lula recebeu 53.879.538 votos, equivalentes a 45,16%.

A diferença foi de aproximadamente 2,22 milhões de votos. Isso significa que o número de ausentes é cerca de 15 vezes maior que a distância que separou os dois candidatos.

Há ainda outro universo em disputa. Aproximadamente 9,2 milhões de pessoas votaram em candidatos que não chegaram ao segundo turno, além de milhões de votos brancos e nulos. Isso não significa que todos migrarão para Lula ou Flávio — muitos podem novamente se abster ou votar branco/nulo —, mas mostra o tamanho do eleitorado ainda não consolidado nos dois finalistas.

Lula coloca a abstenção no centro da estratégia

A campanha de Lula já trata a redução da abstenção como um dos principais desafios do segundo turno.

A estratégia discutida pelo grupo político do presidente envolve intensificar a mobilização, especialmente no Nordeste, ampliar a presença nas ruas e nas redes e tentar convencer eleitores que não compareceram no primeiro turno a votar no dia 25.

O desafio é identificar quem são esses 33 milhões de brasileiros e por que não votaram.

O grupo inclui desde eleitores desinteressados pela disputa até pessoas que tiveram dificuldades para comparecer, além dos maiores de 70 anos, para quem o voto é facultativo.

Flávio busca consolidar mudança e atrair os ausentes

Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro trabalha para manter os votos conquistados no primeiro turno e atrair parte dos eleitores dos candidatos eliminados.

Segundo relatos sobre a estratégia da campanha, a mensagem deverá continuar concentrada no desejo de mudança e no antipetismo, ao mesmo tempo em que buscará convencer indecisos e eleitores ausentes a participar do segundo turno.

Há, portanto, uma diferença de estratégia: enquanto Lula coloca forte peso na redução da abstenção, Flávio também trabalha sobre os aproximadamente 9 milhões de votos dados aos demais candidatos, além dos ausentes.

Quem faltou pode votar normalmente no segundo turno

Um ponto importante: não ter votado no primeiro turno não impede o eleitor de participar do segundo, desde que o título esteja regular.

A Justiça Eleitoral também pretende atuar para reduzir o número de ausentes. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, afirmou que o tribunal pretende intensificar mecanismos para diminuir a abstenção.

2022 mostra que parte dos ausentes pode voltar

Existe precedente recente.

Em 2022, a abstenção foi de 20,95% no primeiro turno e caiu para 20,59% no segundo. Em números absolutos, houve aproximadamente meio milhão de ausentes a menos na votação decisiva.

Não é possível presumir que o comportamento será igual em 2026, mas o histórico demonstra que o universo de eleitores presentes pode mudar entre os dois turnos.

O mapa que pode valer mais que as pesquisas

A partir de agora, acompanhar apenas as intenções de voto talvez conte apenas parte da história.

Será importante observar onde a abstenção foi maior, quais regiões apresentam maior possibilidade de crescimento de comparecimento e como Lula e Flávio direcionarão suas agendas até 25 de outubro.

Os 33,4 milhões de ausentes não pertencem a nenhum candidato e não formam um grupo politicamente homogêneo. Mas, diante de uma diferença de apenas 2,22 milhões de votos no primeiro turno, conseguir levar uma parcela deles às urnas tornou-se uma das variáveis centrais da nova eleição que começa agora.

No segundo turno, a disputa não será apenas para mudar votos. Será também para convencer milhões de brasileiros a votar.


Fontes: TSE, Agência Brasil e informações das campanhas.

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