O segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa com uma disputa que vai muito além dos eleitores que escolheram outros candidatos. Há um contingente gigantesco que sequer entrou na decisão do primeiro turno: 33.469.244 brasileiros não compareceram às urnas.
A abstenção atingiu 21,08% do eleitorado, a maior taxa em uma eleição geral desde 1998. Dos aproximadamente 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar, cerca de 125,3 milhões compareceram.
Uma multidão maior que a diferença entre os candidatos
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 56.104.503 votos, ou 47,03% dos votos válidos. Lula recebeu 53.879.538 votos, equivalentes a 45,16%.
A diferença foi de aproximadamente 2,22 milhões de votos. Isso significa que o número de ausentes é cerca de 15 vezes maior que a distância que separou os dois candidatos.
Há ainda outro universo em disputa. Aproximadamente 9,2 milhões de pessoas votaram em candidatos que não chegaram ao segundo turno, além de milhões de votos brancos e nulos. Isso não significa que todos migrarão para Lula ou Flávio — muitos podem novamente se abster ou votar branco/nulo —, mas mostra o tamanho do eleitorado ainda não consolidado nos dois finalistas.
Lula coloca a abstenção no centro da estratégia
A campanha de Lula já trata a redução da abstenção como um dos principais desafios do segundo turno.
A estratégia discutida pelo grupo político do presidente envolve intensificar a mobilização, especialmente no Nordeste, ampliar a presença nas ruas e nas redes e tentar convencer eleitores que não compareceram no primeiro turno a votar no dia 25.
O desafio é identificar quem são esses 33 milhões de brasileiros e por que não votaram.
O grupo inclui desde eleitores desinteressados pela disputa até pessoas que tiveram dificuldades para comparecer, além dos maiores de 70 anos, para quem o voto é facultativo.
Flávio busca consolidar mudança e atrair os ausentes
Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro trabalha para manter os votos conquistados no primeiro turno e atrair parte dos eleitores dos candidatos eliminados.
Segundo relatos sobre a estratégia da campanha, a mensagem deverá continuar concentrada no desejo de mudança e no antipetismo, ao mesmo tempo em que buscará convencer indecisos e eleitores ausentes a participar do segundo turno.





