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Bico de Quiabo - um tratado quase filosófico

João das Botas

Por Jorge Matos em 13/02/2024 às 12:15:53

Estava aqui "macetando" meu teclado, que por sinal está muito sujo (se alguém conhecer uma fórmula mágica para limpar entre as teclas do teclado, favor deixar nos comentários que ficarei eternamente agradecido), pensando acerca de escrever sobre a 'terceira idade'. Provavelmente incentivado pelo fato de ter esquecido uma lata de Amstel no congelador e que a dita cuja, obviamente, explodiu. Terceira idade é um sofisma inventado pela mídia para poetizar uma idade avançada. Mas eu digo, sem medo de errar: terceira idade uma zorra! A minha é septuagésima idade. Terceira idade é quem tem três anos e, até que me provem o contrário, crianças de três anos não esquecem latas de Amstel no congelador!

Por coincidência ou por trama do destino, minha idade, 70 anos, equivale ao que no catolicismo romano se denomina "Septuagésimus"; é um tempo litúrgico de preparação para a Páscoa: na septuagésima, os sacerdotes trocam o verde pelo roxo e não se canta mais nem o Aleluia nem o Glória. Quanto ao "macetando", não sei.

Mas vamos esquecer (na septuagésima, esquecer é fácil) a Amstel perdida, já que, assim como no leite, "não adianta chorar pela Amstel derramada". Quero falar hoje do meu amigo (pero no mucho) de infância "Bico de Quiabo", também conhecido como "Casca de Bala". Bico, que era como eu o chamava (eu e muitos outros amigos), era como o personagem que Nelson Rodrigues sugeria para dirigir o Brasil, "um canalha honesto". Honesto é exagero, acho que "Bico" estava mais para um canalha quase honesto. Formou-se em Direito (advogado) e fez da profissão um caminho para o enriquecimento à jato. Não conseguiu, mas não por falta de tentativas. Começou enganando os amigos que a ele procuravam para resolver pequenas questões jurídicas, através de falsas "custas processuais". Custas essas que chegavam a superar o valor da causa. Certa vez, numa visita que fiz a seu escritório, me confessou que estava em vias de ganhar uma fazenda de um cliente "que não entendia nada de justiça".

Foi a última vez que mantive contato com ele. Soube, meses depois, que ele havia falecido, vitimado por um câncer.

Não pretendo me alongar nessa triste história de uma triste vida. A idéia é escrever sobre a importância do bico do quiabo, o fruto do quiabeiro, nome científico: "Abelmoschus esculentus". Por que o bico, a pontinha, é tão desprezado nas prateleiras? Não conheço uma pessoa (pelo menos na Bahia) que não quebre o bico do quiabo antes de colocar o fruto na sacola. Só sei que dentre suas indicações, o quiabo, com ou sem bico, está o combate à aterosclerose, muito comum nas pessoas portadoras de septuagésima idade.

Agora que já indiquei uma propriedade médica do quiabo para os setentões e as setentonas, volto minha atenção para a outra lata de Amstel que coloquei no congelador para substituir a finada.

Até mais!

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