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Conheça os agentes cancerígenos relacionados ao trabalho

O Instituto Nacional de C√Ęncer Jos√© Alencar Gomes da Silva (Inca) listou em uma publica√ß√£o os agentes cancer√≠genos relacionados ao trabalho. O...

Por Glauber Coni em 02/05/2021 às 21:18:59
Foto: Reprodução

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O Instituto Nacional de C√Ęncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) listou em uma publica√ß√£o os agentes cancer√≠genos relacionados ao trabalho. O objetivo é ajudar os profissionais de sa√ļde a identificar os principais agentes qu√≠micos, f√≠sicos e biológicos presentes no ambiente geral e ocupacional, que contribuem para o desenvolvimento de c√Ęncer.

A epidemiologista Ubirani Otero, chefe da Área Técnica Ambiente, Trabalho e C√Ęncer do Inca, disse à Ag√™ncia Brasil que os principais c√Ęnceres relacionados ao trabalho s√£o os de pulm√£o, bexiga e, mais recentemente, linfomas e de pele n√£o melanoma. S√£o 38 partes do corpo que podem desenvolver o c√Ęncer, o dobro do n√ļmero elencado no livro Diretrizes para a vigil√Ęncia do c√Ęncer relacionado ao trabalho, organizado pelo Inca, em 2012.

Entre as 38 √°reas mapeadas, Ubirani citou ainda o c√Ęncer de pulm√£o relacionado à exposi√ß√£o ao amianto, c√Ęncer de ov√°rio, laringe, faringe, de gl√Ęndulas salivares, de f√≠gado. Segundo a epidemiologista, a preven√ß√£o aos c√Ęnceres relacionados ao ambiente do trabalho come√ßa pela divulga√ß√£o "ao m√°ximo" das informa√ß√Ķes e orienta√ß√Ķes para os trabalhadores sobre onde est√£o esses agentes que oferecem maior risco para a sa√ļde. "Esses produtos poderiam ser substitu√≠dos por outros que oferecem menor risco à sa√ļde", destacou a médica.

Custos

Por v√°rias raz√Ķes, entretanto, entre elas o custo menor, as empresas acabam buscando produtos que j√° foram proibidos em outros pa√≠ses. "Isso acontece, por exemplo, com agentes qu√≠micos que j√° s√£o obsoletos em outros pa√≠ses e nós, aqui, ainda estamos convivendo com eles". A solu√ß√£o é informar à sociedade, ao trabalhador e aos empregadores e estabelecer medidas protetivas de sa√ļde para reduzir essa exposi√ß√£o.

O Inca vem alertando para esse problema h√° alguns anos e participa de fóruns e audi√™ncias p√ļblicas, divulgando informa√ß√Ķes. Segundo a epidemiologista, esses s√£o fatores de risco evit√°veis, principalmente no que se refere aos agentes qu√≠micos.

No ano passado, o Inca revelou resultados relacionados ao benzeno, que é um solvente utilizado na gasolina e que afeta, em especial, trabalhadores de postos de combust√≠veis. Ubirani Otero disse que por meio de medidas simples por parte dos empregadores, essa exposi√ß√£o dos trabalhadores ao benzeno pode ser bem reduzida. "O nosso papel é informar e dar suporte à vigil√Ęncia de sa√ļde em estados e munic√≠pios, dizendo onde est√£o esses agentes, quais os riscos a essas exposi√ß√Ķes, quais os efeitos à sa√ļde, além da quest√£o regulatória".

Contaminação

Ubirani alertou que alguns pacientes detectados com c√Ęncer de pulm√£o, por exemplo, podem ter sido contaminados por agentes cancer√≠genos ao longo da vida de trabalho e, por falta de notifica√ß√£o, muitas vezes, essa rela√ß√£o só é descoberta depois que eles se aposentam. Da√≠ a necessidade de recuperar o histórico ocupacional porque muitos c√Ęnceres n√£o se revelam imediatamente. É o caso do amianto. "É um tipo de c√Ęncer que leva mais tempo para surgir, em torno de 40 a 50 anos, e é preciso acionar a empresa onde ele trabalhou por muitos anos na constru√ß√£o civil, na fabrica√ß√£o de telhas ou caixas d'√°gua. Isso aparece no histórico ocupacional".

No √ļltimo dia 27 de abril, o Inca firmou acordo com o Ministério P√ļblico do Trabalho para o desenvolvimento de a√ß√Ķes, estudos e projetos conjuntos em prol do meio ambiente e da sa√ļde dos trabalhadores.

Ubirani Otero ressaltou que o acordo tem por meta planejar e executar um projeto nacional de vigil√Ęncia do c√Ęncer relacionado ao trabalho e ao ambiente. "Nesse acordo, a gente pretende intensificar as orienta√ß√Ķes para os profissionais de sa√ļde, para peritos do INSS, os próprios procuradores da Rep√ļblica, ajudando a identificarem os agentes cancer√≠genos, os tipos de c√Ęncer atrelados a esses agentes, para que a gente possa estabelecer medidas, come√ßando pela melhoria da notifica√ß√£o desses casos".

Fatores ocupacionais

A maior parte dos casos de c√Ęncer diagnosticados em todo o mundo apresenta uma rela√ß√£o direta com fatores de riscos ambientais, incluindo o ambiente ocupacional. Segundo a Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde (OMS), cerca de 80% do total de casos de c√Ęncer podem ser atribu√≠dos ao ambiente como um todo, e n√£o só ao ambiente do trabalho. A mais recente estimativa mundial aponta que, em 2018, ocorreram 18 milh√Ķes de novos casos de c√Ęncer.

O c√Ęncer n√£o é causado apenas por quest√Ķes genéticas ou heredit√°rias, afirmou a epidemiologista. "Isso n√£o é verdade". De forma geral, os c√Ęnceres atribu√≠dos a fatores ocupacionais variam de 5% a 8%, embora existam determinados tipos de c√Ęncer em que a rela√ß√£o pode ser bem maior. É o caso do c√Ęncer de pulm√£o, que fica em torno de 20% a 21%. O Inca destaca que cerca de 20% dos casos desse tipo de neoplasia em homens poderiam ser evitados caso n√£o houvesse exposi√ß√£o ocupacional a um grande n√ļmero de agentes presentes nos ambientes de trabalho, entre os quais amianto, metais, s√≠lica, radônio, produtos da exaust√£o de motores a diesel.

De acordo com o Inca, os fatores de risco ambientais envolvem, além dos agentes qu√≠micos, f√≠sicos e biológicos, os h√°bitos de consumo e comportamento e o ambiente social, que incluem alimenta√ß√£o, uso de medicamentos, tabagismo, consumo de √°lcool, sedentarismo e obesidade.

Novos casos

Para este ano, o Inca estima 625 mil novos casos de c√Ęncer no Brasil. "É um n√ļmero absurdo", disse Ubirani Otero. Ele destacou que do total de óbitos relacionados a trabalho no mundo, o c√Ęncer representa 32%. "É mais importante do que acidentes do trabalho e viol√™ncia na popula√ß√£o ativa".

Estat√≠stica da OMS mostra que, considerando somente as doen√ßas n√£o transmiss√≠veis relacionadas ao trabalho, o c√Ęncer foi respons√°vel por mais da metade dos óbitos registrados em 2018, alcan√ßando 53%. Só perdeu para as doen√ßas respiratórias. "Agora, quando a gente fala de incapacidade na popula√ß√£o economicamente ativa, o c√Ęncer gerou em 2018 mais de 10 milh√Ķes de incapacidades", informou a médica do Inca.

Dados da Organiza√ß√£o Internacional do Trabalho (OIT) apontam que a cada ano, no mundo, acontecem 666 mil mortes de c√Ęnceres associados ao trabalho. Esse dado representa o dobro das mortes relacionadas aos acidentes laborais. O diagnóstico e a mortalidade por c√Ęncer associado ao trabalho t√™m aumentado em raz√£o do crescimento da expectativa de vida e da redu√ß√£o gradual de outras causas de morte, como as doen√ßas transmiss√≠veis e acidentes em geral.


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Fonte: Agência Brasil

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Isael Barros