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Uso de anticorpos monoclonais contra Covid-19 anima cientistas

Os anticorpos monoclonais são produzidos em laboratório e são largamente utilizados na terapia de algumas doenças.

Por Jorge Matos em 05/05/2021 às 10:09:42
Foto: Divulgação

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Cientistas da Universidade Vanderbilt, em Nashville (EUA), t√™m se mostrado animados com os resultados dos estudos realizados com os medicamentos que est√£o desenvolvendo para combate à covid-19 em parceria com a farmac√™utica inglesa AztraZeneca. Tratam-se de anticorpos monoclonais, que est√£o se consolidado como mais uma possibilidade promissora para responder à pandemia.

"Estamos muito otimistas. Acreditamos que eles poder√£o se tornar uma ótima solu√ß√£o", disse o imunologista James Crowe, durante 5¬ļ Simpósio Internacional de Imunobiológicos, evento organizado pela Funda√ß√£o Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ele participou hoje (4) de um painel que discutiu como a pandemia tem mudado a indústria de biof√°rmacos. "Assim como ocorre com as vacinas, temos experimentado uma velocidade extraordin√°ria nas descobertas sobre anticorpos monoclonais", disse.

Os anticorpos monoclonais s√£o produzidos em laboratório e s√£o largamente utilizados na terapia de algumas doen√ßas, como alguns tipos de c√Ęncer. H√° duas semanas, a Ag√™ncia Nacional de Vigil√Ęncia Sanit√°ria (Anvisa) aprovou o uso emergencial para o tratamento de covid-19 de um medicamento desenvolvido pela farmac√™utica norte-americano Regeneron. Ele combina dois anticorpos monoclonais: o casirivimabe e o imdevimabe. A administra√ß√£o por infus√£o intravenosa est√° permitida para pacientes que tenham a doen√ßa confirmada por exame laboratorial e alto risco de progredir para quadros graves. O uso do medicamento contava também com o aval da Food and Drug Administration (FDA), ag√™ncia federal dos EUA.

Fase 3

Crowe apresentou detalhes da evolu√ß√£o da pesquisa da Universidade Vanderbilt, que est√° na reta final dos testes clínicos de fase 3. O estudo come√ßou usando amostras do sangue de pessoas que foram contaminadas no final de dezembro de 2019 em Wuhan, cidade chinesa que detectou o primeiro surto de covid-19. As amostras foram coletadas em mar√ßo de 2020, quando os volunt√°rios j√° haviam se recuperado da doen√ßa. Os anticorpos foram detectados, os genes foram sequenciados e, a partir deles, foi feita a produ√ß√£o de DNA sintético.

Milhares de anticorpos monoclonais recombinantes foram desenvolvidos e submetidos a um estudo para saber quais deles eram capazes de inibir o coronavírus. A partir dessa sele√ß√£o, iniciou-se o teste com camundongos em abril de 2020.

"Posteriormente passamos para um modelo de primatas. Os animais receberam os anticorpos monoclonais e foram inoculados com o coronvírus. Fizemos o teste para detectar o coronavírus no nariz e nos pulm√Ķes e n√£o encontramos nenhuma única molécula de RNA. E o grupo de controle tinha bastante. Foi o sinal o verde", conta Crowe.

Os testes clínicos est√£o utilizando um coquetel com dois anticorpos monoclonais. Segundo o imunologista, separados eles j√° deram bons resultados e juntos parecem atuar em sinergia. Ele afirma que uma vantagem do medicamento em desenvolvimento é a possibilidade de aplica√ß√£o de uma única inje√ß√£o intramuscular, n√£o sendo necess√°ria a administra√ß√£o intravenosa. "Parecem também muito bons contra as variantes de preocupa√ß√£o conhecidas até agora", acrescentou. O sucesso da pesquisa levou o governo dos EUA a reservar US$ 486 milh√Ķes para financiar o desenvolvimento dos medicamentos se os estudos forem bem sucedidos.

Vacinas

Mais cedo, em outro painel, a geneticista Ana Tereza Vasconcelos também destacou os bons resultados das vacinas contra as variantes conhecidas. Ela é pesquisadora do Laboratório de Bioinform√°tica do Laboratório Nacional de Computa√ß√£o Científica (LNCC). Vinculado ao Ministério da Ci√™ncia, Tecnologia e Inova√ß√£o, o LNCC tem se dedicado ao sequenciamento de genomas e identifica√ß√£o das muta√ß√Ķes do coronavírus.

Vasconcelos explicou que existem as variantes de preocupa√ß√£o, que s√£o as que ampliam a transmissibilidade ou a frequ√™ncia de formas graves da doen√ßa que demandam hospitaliza√ß√Ķes, e as variantes de interesse, a partir das quais s√£o mapeados marcadores genéticos específicos que podem ser motivo de aten√ß√£o. Atualmente, h√° tr√™s principais variantes de preocupa√ß√£o, uma delas originada no Brasil, conhecida como p1. "Até esse momento, n√£o parecem prejudicar a a√ß√£o da vacina", afirmou a geneticista.


Fonte: Agência Brasil

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Isael Barros