SALVADOR 01 728 x 90

Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente

O consumo exagerado dos recursos e a perda constante de biodiversidade irão alterar o modo como vivemos atualmente, comprometendo nossa sobrevivência.

Por Jorge Matos em 05/06/2021 às 11:34:40
Fogo atinge aldeia Kuikuro, na terra indígena do Xingu, nordeste do Mato Grosso, em setembro. Foto: Takumã Kuikuro/ Fotos Públicas

Fogo atinge aldeia Kuikuro, na terra indígena do Xingu, nordeste do Mato Grosso, em setembro. Foto: Takumã Kuikuro/ Fotos Públicas

Comemorado no dia 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, e tem como objetivo principal chamar a atenção da população para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais, que até então eram considerados, por muitos, inesgotáveis.

Origem

Em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Mundial do Meio Ambiente, que passou a ser comemorado todo dia 5 de junho.

Nessa Conferência, que ficou conhecida como Conferência de Estocolmo, iniciou-se uma mudança no modo de ver e tratar as questões ambientais por todo o mundo, e foram estabelecidos princípios para orientar a política ambiental no planeta. Apesar do grande avanço que a Conferência representou, não se pode afirmar, no entanto, que os problemas foram resolvidos a partir daí.

Atualmente existe uma grande preocupação em torno do meio ambiente e dos impactos negativos da ação do homem sobre ele. A destruição constante de habitat e a poluição de grandes áreas, por exemplo, são alguns dos pontos que exercem maior influência na sobrevivência de diversas espécies.

Tendo em vista o acentuado crescimento dos problemas ambientais, muitos pontos merecem ser revistos tanto pelos governantes quanto pela população para que os impactos sejam diminuídos. Se nada for feito, o consumo exagerado dos recursos e a perda constante de biodiversidade irão alterar consideravelmente o modo como vivemos atualmente, comprometendo, inclusive, nossa sobrevivência.

Dentre os principais problemas que afetam o meio ambiente, pode-se destacar o descarte inadequado de lixo, a falta de coleta seletiva e de projetos de reciclagem, consumo exagerado de recursos naturais, desmatamento, inserção de espécies exóticas, uso de combustíveis fósseis, desperdício de água e esgotamento do solo. Esses problemas e outros poderiam ser evitados se os governantes e a população se conscientizassem da importância do uso correto e moderado dos nossos recursos naturais.

Em razão da importância da conscientização e da dimensão do impacto gerado pelo homem, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma data que merece bastante destaque no calendário mundial. Entretanto, não basta apenas plantar uma árvore ou separar o lixo nesse dia, é necessário que sejam feitas campanhas de grande impacto que mostrem a necessidade de mudanças imediatas nos nossos hábitos de vida diários.

Apesar de muitos acreditarem que a mudança deve acontecer em escala mundial e que apenas uma pessoa não consegue mudar o mundo, é fundamental que cada um faça a sua parte e que toda a sociedade reivindique o cumprimento das leis ambientais. Todos devemos assumir uma postura de responsabilidade ambiental, pois só assim conseguiremos mudar o quadro atual.

"A proteção e o melhoramento do meio ambiente humano é uma questão fundamental que afeta o bem-estar dos povos e o desenvolvimento econômico do mundo inteiro, um desejo urgente dos povos de todo o mundo e um dever de todos os governos." (Declaração de Estocolmo sobre o ambiente humano - 1972).

Restauração

Conservação e preservação são termos recorrentes quando o assunto é meio ambiente, afinal, é mais do que necessário proteger os ecossistemas e garantir o desenvolvimento saudável da fauna e da flora. No entanto, chegamos a um nível tão crítico de devastação que a preservação sozinha não é mais suficiente: é preciso também recuperar áreas desmatadas e degradadas.

Por isso o tema deste dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, é "Restauração de Ecossistemas". A proposta é fazer um chamado urgente para recuperar os ecossistemas danificados, degradados e desmatados, cujos números assustam: de acordo com um levantamento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mais de 4,7 milhões de hectares de florestas são perdidos todos os anos no mundo, área maior do que o tamanho da Dinamarca.

O Meio Ambiente no governo Bolsonaro

Em julho, a Floresta Amazônica bateu recorde de desmatamento. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama / via Fotos Públicas

A 135ª reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), realizada no dia 28 de setembro, foi marcada pela queda de duas resoluções que restringiam o desmatamento e a ocupação em áreas de preservação ambiental de vegetação nativa, como restingas e manguezais. A decisão do principal órgão consultivo do Ministério do Meio Ambiente mostra — de acordo com a professora Sylmara Lopes Francelino Gonçalves Dias, do Departamento de Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP — "a proposta de desmantelamento da política ambiental do atual governo".

De janeiro a setembro deste ano, o Ministério do Meio Ambiente, liderado por Ricardo Salles, gastou apenas 0,4% da verba anual prevista para a proteção da biodiversidade e combate às mudanças climáticas. Dos R$ 26,5 milhões disponíveis, apenas R$ 105.409,00 foram utilizados nos primeiros oito meses de 2020.

Ainda com relação às verbas, os montantes orçados para a área se mostram tão preocupantes quanto a execução orçamentária. O valores destinado pelo Governo Federal ao Ministério do Meio Ambiente seguem tendência de queda: entre 2017 e 2018, por exemplo, a redução foi de R$ 480,5 milhões.

De janeiro a setembro deste ano, o Ministério do Meio Ambiente, liderado por Ricardo Salles, gastou apenas 0,4% da verba anual prevista para a proteção da biodiversidade e combate às mudanças climáticas.

Segundo Cristiano Luis Lenzi, também professor do Departamento de Gestão Ambiental da EACH, isso se dá porque o governo vigente enxerga a preservação ambiental como um elemento de contraposição ao princípio econômico liberal adotado: "O ministro Salles parece representar uma onda desregulamentadora tardia que vê as leis ambientais como "grilhões" que impedem a eficiência do mercado. O que significa que a política ambiental é uma extensão da agenda econômica que o atual governo busca seguir"

Durante episódios marcantes como o das manchas inexplicáveis que surgiram no litoral brasileiro em meados de 2019 e os das queimadas massivas ocorridas na Amazônia e no Pantanal, discussões sobre a gestão do meio ambiente ganharam mais espaço. No entanto, a postura negligente de Jair Bolsonaro para com o temas ambientais dá protagonismo constante à pauta desde a posse do presidente. Quiçá desde antes disso.

Ajude o HojeBahia a manter sua linha editorial independente, contribuindo com qualquer valor acima de R$1,00
PIX: 37.633.012/0001-63
Ou deposite no:
Banco 290 - PagSeguro Internet S.A.
Agência:0001
Conta Corrente: 11922871-6
Contamos com o seu apoio e agradecemos antecipadamente




Fonte: Danilo Moliterno( jornaldocampus.usp), Nova Escola, G1

Comunicar erro
PagSeguro 02 728 x 90

Comentários

Isael Barros