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GUERRA DIGITAL

A guerra dos algoritmos: buscas no WhatsApp, inteligência artificial e alcance de publicações colocam a Meta no centro da eleição presidencial

Testes jornalísticos identificaram tratamento desigual entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto pesquisas no WhatsApp mostram sugestões assimétricas de canais políticos. Campanha petista recorre ao TSE, Meta nega favorecimento e especialistas apontam a necessidade de transparência nos sistemas que distribuem informações a milhões de eleitores.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 14 de outubro de 2026 às 18:55 • Salvador - BA
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Sistemas de inteligência artificial e recomendações das redes sociais estão no centro de questionamentos sobre a visibilidade das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026.
Sistemas de inteligência artificial e recomendações das redes sociais estão no centro de questionamentos sobre a visibilidade das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026. — Arte ilustrativa gerada por inteligência artificial / Hoje Bahia.

Testes jornalísticos identificaram tratamento desigual entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto pesquisas no WhatsApp mostram sugestões assimétricas de canais políticos. Campanha petista recorre ao TSE, Meta nega favorecimento e especialistas apontam a necessidade de transparência nos sistemas que distribuem informações a milhões de eleitores.

Essa disputa tem colocado a Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, no centro de questionamentos sobre transparência, distribuição de conteúdo e igualdade de oportunidades entre candidatos.

Nos últimos dias, episódios distintos passaram a compor o debate: restrições relatadas pela campanha de Lula, resultados de busca que apresentam canais ligados ao adversário, diferenças verificadas no funcionamento da Meta AI e a identificação de redes coordenadas de amplificação de conteúdo político.

Algumas dessas situações já foram documentadas por veículos jornalísticos e organizações de monitoramento. Outras continuam sob investigação e dependem de dados técnicos que somente as plataformas podem fornecer.

A questão central é saber se essas diferenças são consequência de mecanismos normais de personalização, falhas de programação, estratégias de mobilização digital ou práticas capazes de produzir favorecimento político-eleitoral.

Quando a pessoa procura um canal, mas recebe a sugestão de outro

Um dos exemplos mais concretos da controvérsia envolve a ferramenta de pesquisa por canais do WhatsApp.

Reportagem publicada nesta quarta-feira (14) pelo Congresso em Foco identificou que, ao procurar o canal "Exército do Lula", administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), o aplicativo também apresentou entre as sugestões a "Tropa do Flávio", canal ligado à campanha do candidato do PL.

O resultado foi registrado em captura de tela verificada pelo veículo.

O aspecto mais relevante veio da comparação inversa: ao pesquisar "Tropa do Flávio", os jornalistas não encontraram sugestões equivalentes de canais relacionados a Lula ou ao Partido dos Trabalhadores.

Trata-se de uma assimetria observada em buscas específicas, não de uma demonstração de que todos os usuários do aplicativo receberão os mesmos resultados.

O comportamento é especialmente importante porque os sistemas de busca não se limitam a localizar palavras idênticas. Eles também podem sugerir conteúdos relacionados, populares ou considerados relevantes para cada usuário.

Assim, um canal pode aparecer diante de pessoas que estavam procurando outro.

Uma situação semelhante foi relatada ao Hoje Bahia: ao digitar a expressão incompleta "Tropa da", surgiu como primeira sugestão "Tropa do Flávio", mesmo sem correspondência literal com a sequência pesquisada.

Esse exemplo específico ainda precisa ser reproduzido de forma controlada pelo portal. Entretanto, o registro independente feito pelo Congresso em Foco demonstra que associações entre canais de candidaturas adversárias efetivamente apareceram no sistema de pesquisa do WhatsApp.

A pergunta que surge é objetiva: quais critérios levam a plataforma a recomendar determinado canal político antes de outros com maior correspondência textual à busca realizada?

Popularidade não é sinônimo de neutralidade

Os sistemas de recomendação geralmente utilizam diferentes informações para selecionar e organizar resultados.

Entre elas podem estar o histórico de interações, a popularidade das contas, a atividade recente e a semelhança entre o conteúdo procurado e o conteúdo recomendado.

Uma pesquisa que apresenta determinado canal em primeiro lugar não comprova, isoladamente, manipulação intencional.

Entretanto, a repetição sistemática desse resultado entre diferentes usuários, sobretudo quando buscas equivalentes produzem respostas assimétricas, pode revelar um problema de classificação que merece explicação.

Existe também um fenômeno conhecido como retroalimentação algorítmica.

Quando uma publicação recebe maior exposição, pode conquistar novos seguidores, curtidas e compartilhamentos. Esses resultados passam a produzir novos sinais de popularidade, potencialmente utilizados para ampliar ainda mais sua circulação.

O mesmo mecanismo pode atuar sobre canais políticos.

Quanto maior a exposição inicial, maior poderá ser a oportunidade de conquistar uma audiência adicional.

Por isso, especialistas em sistemas digitais defendem que a avaliação da neutralidade das plataformas não deve considerar apenas a existência de bloqueios explícitos.

É necessário examinar também os mecanismos de recomendação, descoberta de contas e distribuição de visibilidade.

Meta AI cria material eleitoral para Flávio e recusa pedidos para Lula

Outro episódio trouxe elementos verificáveis à controvérsia.

Nesta quarta-feira, reportagens da Folha de S.Paulo, do UOL e do Metrópoles registraram resultados diferentes na inteligência artificial da Meta integrada ao WhatsApp.

As equipes fizeram solicitações semelhantes para produzir peças eleitorais dos dois candidatos.

Quando os comandos continham referências a Lula e ao número 13, a ferramenta recusou a criação das imagens.

Já pedidos equivalentes envolvendo Flávio Bolsonaro e o número 22 foram atendidos em diferentes testes.

Em uma das verificações, a inteligência artificial chegou a produzir peças com referências explícitas à candidatura de Flávio.

Questionada sobre o tratamento desigual, a ferramenta atribuiu o comportamento a filtros automáticos de segurança, que poderiam bloquear determinados nomes e permitir outros de maneira inconsistente.

É importante observar que explicações fornecidas pelo próprio chatbot não constituem uma auditoria independente de seus mecanismos internos.

O fato efetivamente documentado foi a diferença nas respostas.

A Meta afirmou que havia proibido temporariamente a recomendação de candidatos e a geração de imagens eleitorais para cumprir a regulamentação brasileira.

A companhia informou também ter adotado providências adicionais para bloquear solicitações formuladas apenas com o primeiro nome dos candidatos e seus números eleitorais.

Mesmo depois dessa manifestação, novos testes realizados pela Folha identificaram a criação de imagens associadas a Flávio e a continuidade de restrições envolvendo Lula.

Já o Olhar Digital relatou que, em uma verificação posterior, a ferramenta passou a bloquear também o pedido relacionado ao candidato do PL.

As diferenças entre essas verificações sugerem que o comportamento pode variar conforme o momento, o comando e outros fatores técnicos.

Elas demonstram inconsistência observável, mas ainda não permitem determinar a causa ou afirmar que a empresa tenha programado deliberadamente uma preferência eleitoral.

Campanha de Lula aciona o TSE

A controvérsia chegou formalmente ao Tribunal Superior Eleitoral.

No dia 10 de outubro, a campanha de Lula denunciou supostas restrições na distribuição de publicações, problemas em contas de anúncios e dificuldades no impulsionamento de conteúdos.

O ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que a Meta apresentasse esclarecimentos técnicos e preservasse registros relacionados à moderação e à distribuição das publicações questionadas.

A decisão reconheceu a importância de obter informações que não estão disponíveis publicamente, como os registros internos dos sistemas de recomendação.

Em resposta apresentada ao tribunal, a Meta negou qualquer atuação destinada a favorecer ou prejudicar candidatos.

A empresa informou que uma falha global, registrada em 7 de outubro, entre 15h50 e 20h49, afetou os sistemas de contagem de visualizações de Reels em mais de cem países.

Segundo a companhia, o problema poderia provocar a exibição de números zerados ou temporariamente paralisados, mas não teria alterado a distribuição real das publicações.

A empresa acrescentou que o desempenho da conta oficial de Lula naquele dia ficou acima de sua média recente.

Nesta quarta-feira, a campanha petista apresentou uma nova petição, utilizando também os testes de inteligência artificial como fundamento para questionar a atuação da Meta.

A coligação solicita providências para interromper eventuais restrições indevidas, verificar perfis inautênticos e enfrentar o que considera tratamento desigual.

O ponto central da disputa é que uma falha na contagem de visualizações não equivale necessariamente à redução da entrega real de conteúdos.

Para distinguir as duas situações, é preciso acessar dados internos, incluindo impressões, alcance efetivo, recomendações, registros de moderação e histórico de alterações dos sistemas.

Até o momento, as informações públicas não permitem comprovar uma manipulação deliberada e generalizada da distribuição eleitoral em favor de um candidato.

Rede de 255 perfis alcançou 58 milhões de visualizações

Além dos questionamentos sobre o funcionamento das plataformas, outra investigação identificou estratégias organizadas de amplificação de conteúdo político.

Reportagem do Aos Fatos, publicada em 23 de setembro, apresentou dados de um levantamento do Instituto Democracia em Xeque sobre uma rede de 255 perfis no Instagram vinculados à circulação de conteúdos alinhados ao bolsonarismo.

Entre 15 de agosto e 15 de setembro, as contas publicaram ou participaram como coautoras de 1.204 publicações.

O conjunto acumulou aproximadamente 58 milhões de visualizações e cinco milhões de curtidas e comentários no período analisado.

Quase metade das publicações utilizou o recurso de colaboração entre contas, permitindo que o mesmo conteúdo fosse apresentado simultaneamente a diferentes audiências.

Essas publicações colaborativas concentraram 63% do engajamento identificado.

A estrutura analisada envolvia conteúdos produzidos com inteligência artificial, ataques a instituições e promoção de figuras políticas associadas ao campo bolsonarista.

Os números demonstram a dimensão alcançada pela rede investigada, mas precisam ser interpretados corretamente.

As 58 milhões de visualizações não correspondem necessariamente a 58 milhões de pessoas diferentes. Também não representam, por si só, prova de que a Meta tenha favorecido intencionalmente os conteúdos.

O levantamento documenta uma estratégia de produção e amplificação em rede, que pode aproveitar os mecanismos de circulação disponíveis na plataforma.

A distinção é fundamental: uma organização política pode conquistar maior alcance por atuação coordenada de seus apoiadores sem que isso prove interferência deliberada do proprietário da rede social.

Por outro lado, quando estruturas artificiais ou enganosas participam da distribuição de conteúdo político, a capacidade das plataformas de identificar e limitar essas práticas passa a ser uma questão de interesse público.

Exército do Lula e Tropa do Flávio: tratamento desigual também no debate judicial?

A disputa entre os canais de WhatsApp acrescentou outra dimensão ao conflito.

O "Exército do Lula", administrado por André Janones, ultrapassou quatro milhões de seguidores e se tornou um dos principais instrumentos de mobilização digital de apoiadores do presidente.

A campanha de Flávio Bolsonaro acionou o TSE, acusando o canal de disseminar conteúdos falsos e solicitando sua suspensão.

O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, pediu complementação das provas apresentadas.

O presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal, em uma sequência de decisões que provocou divergências sobre o procedimento judicial.

Na terça-feira (13), houve nova determinação de suspensão por 48 horas, relacionada às condições para sua regularização perante a Justiça Eleitoral.

A campanha de Lula comunicou o endereço do canal ao tribunal.

No mesmo dia, o canal "Tropa do Flávio" também foi informado à Justiça Eleitoral, mas não recebeu a mesma determinação de suspensão de 48 horas, segundo apuração publicada pela Folha.

Esse tratamento diferente gerou novos questionamentos e pedidos para que as mesmas exigências fossem examinadas em relação aos dois canais.

A comparação precisa considerar os fundamentos e os processos judiciais específicos. A existência de decisões diferentes não comprova, isoladamente, parcialidade dos magistrados.

Entretanto, o episódio reforça a importância de decisões transparentes, fundamentadas e submetidas aos mesmos critérios legais.

Checagem encontrou diferenças no conteúdo divulgado pelos canais

Um levantamento da Agência Lupa analisou 721 mensagens publicadas no "Exército do Lula" entre 5 e 12 de outubro.

A organização não encontrou, na amostra examinada, as informações falsas apontadas contra o canal na ação da campanha de Flávio.

A Lupa observou, contudo, que havia orientações organizadas para mobilização de apoiadores e ampliação do engajamento político.

Em outra investigação, publicada no dia 13, a agência analisou 247 mensagens da "Tropa do Flávio", encaminhadas entre 6 e 13 de outubro.

Nesse conjunto, encontrou ao menos oito conteúdos enganosos, incluindo imagens geradas por inteligência artificial e declarações descontextualizadas de Lula.

Entre os exemplos estava uma imagem falsa que associava a manifestação pró-Lula na Avenida Paulista a uma trabalhadora limpando pichações. Outro conteúdo relacionava indevidamente uma gravação de suposto consumo de drogas ao mesmo ato político.

O segundo material foi retirado do canal após questionamentos jornalísticos.

As verificações são relevantes porque examinam publicações concretas, e não apenas acusações entre campanhas.

Também mostram que a avaliação de conteúdos políticos deve ser feita com critérios documentados, distinguindo manifestações legítimas, propaganda eleitoral, críticas políticas e desinformação verificável.

As amostras analisadas pela Lupa não representam automaticamente todas as mensagens publicadas pelos canais antes ou depois dos períodos examinados.

O que a legislação eleitoral estabelece?

A Resolução nº 23.755/2026 do TSE atualizou as normas aplicáveis à propaganda eleitoral e ao uso de inteligência artificial.

Entre as disposições, há restrições aos provedores que oferecem sistemas de IA para recomendar candidaturas, indicar preferências eleitorais ou produzir favorecimento ou desfavorecimento político, inclusive por respostas automatizadas.

A regulamentação também impõe exigências de identificação de conteúdos sintéticos e prevê medidas contra formas ilícitas de manipulação digital.

O problema jurídico é determinar quando um resultado produzido por um sistema configura uma recomendação eleitoral proibida e quando representa o funcionamento comum de uma ferramenta de busca ou classificação.

Não são situações necessariamente equivalentes.

Uma sugestão isolada de canal, por exemplo, precisa ser analisada levando em consideração o sistema utilizado, os critérios de seleção e a forma como o resultado é apresentado.

Da mesma maneira, a criação desigual de materiais eleitorais por inteligência artificial exige apuração técnica sobre o funcionamento dos filtros e a efetiva aplicação das regras a todas as candidaturas.

A responsabilização depende da comprovação dos fatos e de sua adequação às normas eleitorais.

A ciência já demonstrou que algoritmos podem influenciar opiniões

A possibilidade de interferência algorítmica no debate político não é apenas uma hipótese teórica.

Uma pesquisa científica publicada na revista Nature em 2026 analisou os efeitos do algoritmo da rede X sobre usuários dos Estados Unidos, em um experimento realizado em 2023.

Os pesquisadores compararam usuários expostos ao feed organizado pelo algoritmo com outros que recebiam publicações em ordem cronológica.

O estudo encontrou maior exposição a conteúdos conservadores em determinadas condições e identificou mudanças em opiniões relacionadas a temas políticos específicos.

Também observou que a exposição a determinadas contas poderia levar usuários a segui-las, preservando parte da influência mesmo após mudanças na configuração do feed.

Os resultados, porém, dizem respeito à plataforma X e ao contexto norte-americano examinado.

Não demonstram que o Instagram ou o WhatsApp estejam favorecendo uma candidatura específica na eleição brasileira de 2026.

A relevância científica está na comprovação de que sistemas de recomendação podem produzir efeitos políticos mensuráveis e, portanto, merecem fiscalização e pesquisas independentes.

A Meta mudou sua política de recomendação de conteúdos políticos

A própria Meta anunciou, em janeiro de 2025, uma mudança na forma de recomendar publicações relacionadas a temas políticos.

Depois de um período em que havia reduzido a presença desse conteúdo em recomendações, a empresa passou a permitir maior distribuição a partir de sinais de interesse dos usuários.

Entre esses sinais estão ações explícitas, como curtidas, e comportamentos indiretos, como visualização de publicações.

Essa mudança ajuda a compreender por que a capacidade de mobilizar audiências, provocar reações e estimular compartilhamentos se tornou estratégica para os diferentes grupos políticos.

Ela não comprova favorecimento eleitoral deliberado, mas evidencia o papel ativo das decisões empresariais sobre o tipo de conteúdo que chega ao público.

Em uma eleição, a organização dos sistemas de recomendação pode influenciar o ambiente informacional em que os cidadãos formam suas opiniões.

Quem controla os critérios que decidem o que o eleitor encontra?

O aspecto mais complexo da controvérsia está na falta de acesso público aos mecanismos completos de distribuição.

Um usuário consegue observar o que aparece em sua tela.

Um candidato consegue acompanhar parte das métricas de suas publicações.

Pesquisadores conseguem desenvolver experimentos com contas de teste e comparar resultados.

Entretanto, a compreensão integral dos critérios empregados pelas plataformas depende de informações técnicas que nem sempre são disponibilizadas.

Sem acesso a esses dados, torna-se difícil determinar se determinado resultado decorre de popularidade, personalização, falha de programação, moderação irregular ou intervenção deliberada.

Essa dificuldade não deve ser utilizada para desconsiderar denúncias fundamentadas.

Também não autoriza transformar indícios em conclusões definitivas antes de sua verificação.

A resposta exige transparência, preservação de registros, avaliações técnicas independentes e decisões judiciais fundamentadas.

Uma pergunta que vai além de Lula e Flávio Bolsonaro

A guerra dos algoritmos levanta uma discussão que ultrapassa os interesses imediatos das duas candidaturas.

Em uma sociedade em que milhões de pessoas descobrem notícias, acompanham debates e recebem informações políticas por meio de plataformas privadas, os sistemas que organizam essa circulação passaram a desempenhar uma função relevante no debate público.

A liberdade de expressão protege o direito de publicar e compartilhar opiniões políticas, dentro dos limites legais.

Mas existe também uma discussão sobre a possibilidade de os conteúdos serem encontrados, distribuídos e recomendados de maneira transparente e compatível com as regras eleitorais.

Os episódios documentados em outubro de 2026 demonstram que há problemas concretos a esclarecer: ferramentas de inteligência artificial responderam de maneira desigual a solicitações equivalentes, sugestões de busca apresentaram assimetrias e campanhas denunciaram restrições na circulação de conteúdo.

A Meta nega que tenha favorecido qualquer candidato. Até o momento, não há comprovação pública suficiente de uma operação deliberada e generalizada da empresa para beneficiar Flávio Bolsonaro ou prejudicar Lula.

Há, entretanto, evidências de comportamentos inconsistentes e questionamentos documentados que justificam a investigação pelas autoridades eleitorais.

A pergunta decisiva não é apenas quem produz mais conteúdo político, mas quais critérios determinam quem terá a oportunidade de ser visto, encontrado e ouvido.

Em uma democracia, esclarecer esses critérios é uma questão de interesse público — independentemente de quem se beneficia de seus resultados.

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