A confirmação do segundo turno da eleição presidencial foi seguida, na noite deste domingo (4), pelas primeiras manifestações de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois adotaram discursos bastante diferentes diante do resultado das urnas, que colocou Flávio na primeira posição e Lula em segundo lugar.
Com 98,20% das seções apuradas, Flávio tinha 47,33% dos votos válidos, contra 44,81% de Lula, segundo dados divulgados durante a totalização. O Tribunal Superior Eleitoral confirmou que os dois disputarão a Presidência novamente em 25 de outubro.
Flávio comemora resultado e fala em “fim da era do PT”
Flávio Bolsonaro recebeu o resultado como uma vitória política do primeiro turno. Em sua manifestação após a apuração, o candidato comemorou a votação alcançada e declarou que o resultado sinalizaria “o fim da era do PT”.
O desempenho nas urnas também superou o cenário apontado por grande parte das pesquisas divulgadas antes da eleição. Levantamento do Poder360 sobre as 14 pesquisas nacionais mais recentes mostrava Lula numericamente à frente de Flávio em dez delas no cenário de primeiro turno.
A campanha do senador agora pretende utilizar o desempenho obtido no primeiro turno e os resultados de aliados nos estados e no Congresso como parte de sua estratégia para a etapa decisiva. Uma reunião com governadores, senadores e deputados eleitos, além de representantes de partidos aliados, está prevista para quarta-feira (7).
Lula reconhece resultado inesperado
Do outro lado, Lula admitiu que a votação ficou abaixo das expectativas construídas durante a campanha.
Segundo relatos de sua manifestação após a apuração, o presidente classificou o resultado como inesperado e afirmou que ele precisa ser entendido como uma “lição”.
Lula também sinalizou que pretende tratar a próxima etapa como um recomeço da disputa.
“Amanhã começa uma nova eleição.”
A declaração foi dada depois da confirmação de que nenhum candidato alcançaria a maioria absoluta dos votos válidos necessária para vencer no primeiro turno.
O presidente também endureceu as críticas ao adversário e indicou que pretende explorar no segundo turno temas que já vinham sendo utilizados pela campanha petista, inclusive questionamentos relacionados ao caso Banco Master. Flávio tem negado irregularidades nas acusações e controvérsias que envolvem seu nome.
Dois discursos e uma nova campanha
As primeiras declarações deixam pistas sobre como as campanhas pretendem começar as próximas três semanas.
Flávio busca apresentar o resultado do primeiro turno como demonstração de força eleitoral e deverá procurar o apoio de candidatos e partidos que ficaram fora da disputa. Lula, por sua vez, reconheceu a necessidade de avaliar o resultado e ampliar sua votação para tentar reduzir a diferença registrada neste domingo.
A disputa pelos eleitores dos demais candidatos será uma das questões centrais. Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e os outros concorrentes somaram milhões de votos que, no segundo turno, poderão migrar para Flávio, para Lula ou para brancos, nulos e abstenção.
Além disso, as declarações formais de apoio das lideranças derrotadas deverão começar a desenhar as novas alianças.
Resultado contrariou expectativa predominante das pesquisas
O desempenho de Flávio também acrescentou um elemento importante às primeiras manifestações: a diferença entre o cenário predominante nas pesquisas e o resultado das urnas.
Na reta final, a maioria dos levantamentos nacionais apresentava Lula numericamente na primeira posição. Com a abertura das urnas, ocorreu o contrário: Flávio terminou à frente e Lula avançou ao segundo turno na segunda colocação.
Isso ajuda a explicar os discursos da noite. Para Flávio, a votação ofereceu argumento para celebrar um resultado acima das expectativas apontadas por muitos levantamentos. Para Lula, tornou necessária uma reavaliação pública da primeira etapa da campanha.
Segundo turno será em 25 de outubro
A partir desta segunda-feira (5), começa formalmente uma disputa com características diferentes. Agora são apenas dois candidatos, com novo período de propaganda eleitoral e três semanas para buscar os votos que faltaram no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro e Lula chegam a essa etapa com bases eleitorais expressivas, mas nenhum deles alcançou mais de 50% dos votos válidos neste domingo. O segundo turno, portanto, começa com novas alianças, disputa pelos votos das candidaturas eliminadas e tentativa de mobilizar quem não compareceu às urnas no primeiro turno.