O economista, escritor e comentarista político Rodrigo Constantino provocou repercussão ao publicar um vídeo com ataques à Bahia, a Salvador e aos baianos após o resultado das eleições de 2026 no estado.
Na gravação, publicada no domingo (4), Constantino afirmou que “Salvador é um lixo” e classificou a Bahia como “o câncer do Brasil”. As declarações foram reproduzidas por diferentes veículos baianos desde segunda-feira (5).
As críticas foram associadas por ele ao resultado das urnas no estado, onde Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador e Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT) conquistaram as duas vagas ao Senado.
De experiências pessoais à generalização sobre os baianos
No vídeo, Constantino recorre a episódios que afirma ter presenciado ou ouvido de familiares durante passagens pela Bahia.
Um dos relatos envolve uma pessoa que teria tentado comprar água de coco em uma praia, mas teria sido informada de que o responsável por retirar os cocos não havia ido trabalhar naquele dia.
Em outro momento, o comentarista relata ter encontrado pessoas em bares, com violão e cerveja, por volta das 11h30 de uma segunda-feira. Ele próprio chamou os exemplos de “evidências anedóticas”, mas os utilizou para questionar a disposição dos baianos para o trabalho.
A partir desses episódios particulares, Constantino ampliou a crítica para a população do estado.
“Baianos, com todas as boas exceções, em geral, vocês são uma vergonha para o Brasil.”
A declaração consta do vídeo e foi reproduzida por diversos veículos.
Resultado eleitoral entrou no centro das críticas
Constantino também direcionou ataques aos candidatos escolhidos pelos eleitores baianos.
Ao comentar as vitórias de Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jaques Wagner, o comentarista citou o caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e classificou o resultado eleitoral como um “papelão”.
Nesse ponto, é necessário fazer uma distinção.
Jaques Wagner foi alvo de medidas de busca e apreensão e de investigação da Polícia Federal no âmbito do caso relacionado ao Banco Master e nega irregularidades. Já as informações disponíveis não sustentam afirmar que Rui Costa seja investigado pelos mesmos fatos atribuídos a Wagner.
A diferenciação é importante porque Constantino agrupou os dois senadores eleitos em sua declaração.
Constantino antecipou acusação de xenofobia
O próprio comentarista pareceu prever que o teor das declarações provocaria reação.
No final da gravação, ao mencionar a possibilidade de ser acusado de xenofobia, afirmou que estava “pouco me lixando para isso”.
Depois da repercussão, Constantino voltou às redes sociais. Na segunda-feira (5), afirmou que “criticar faz parte do jogo”. Também publicou uma mensagem defendendo que o Brasil precisaria de “mais Paraná e menos Bahia” e “mais Santa Catarina e menos Ceará”.
Crítica política ou ataque a uma população?
A repercussão ultrapassou a discordância sobre o resultado eleitoral porque as declarações não ficaram restritas aos políticos eleitos ou às escolhas partidárias.
Constantino estendeu suas avaliações a Salvador, à Bahia e aos próprios baianos, utilizando experiências particulares para formular generalizações sobre milhões de pessoas.
É legítimo criticar governos, candidatos, partidos e até analisar os motivos pelos quais determinada região vota majoritariamente em um campo político. O resultado das urnas também pode — e deve — ser objeto de debate público.
Outra questão é transformar essa divergência eleitoral em uma avaliação depreciativa sobre toda uma cidade ou população.
Bahia fez sua escolha nas urnas
Independentemente da avaliação de Constantino, o resultado eleitoral é expressão do voto dos eleitores que compareceram às urnas.
A Bahia reelegeu Jerônimo Rodrigues para o governo estadual e escolheu Rui Costa e Jaques Wagner para representá-la no Senado. O eleitorado baiano também apresentou comportamento distinto de outras regiões do país na disputa presidencial.
Essas diferenças regionais fazem parte da própria dinâmica eleitoral brasileira.
O voto de um estado pode ser questionado politicamente, estudado sociologicamente e comparado ao de outras regiões. Mas o resultado permanece sendo uma decisão dos eleitores.
E foi justamente ao sair da crítica aos políticos e direcionar seus ataques a Salvador, à Bahia e aos baianos que Rodrigo Constantino transformou sua reação às urnas em uma nova controvérsia nacional.