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Campanha de Flávio declara mais R$ 700 mil em contratação da Elytron para o segundo turno

Registros examinados pelo Hoje Bahia somam R$ 1,3 milhão contratado com a empresa; pagamentos identificados totalizam R$ 600 mil, e não há comprovação de uso de ferramentas de manipulação eleitoral

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 20 de outubro de 2026 às 09:39 • Salvador - BA
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A campanha de Flávio Bolsonaro declarou mais R$ 700 mil em contratação da Elytron para o segundo turno, elevando a R$ 1,3 milhão o total contratado nos registros examinados pelo Hoje Bahia. Os pagamentos identificados somam R$ 600 mil. A empresa nega irregularidades, e não há comprovação pública de uso de ferramentas de manipulação eleitoral pela campanha.
A campanha de Flávio Bolsonaro declarou mais R$ 700 mil em contratação da Elytron para o segundo turno, elevando a R$ 1,3 milhão o total contratado nos registros examinados pelo Hoje Bahia. Os pagamentos identificados somam R$ 600 mil. A empresa nega irregularidades, e não há comprovação pública de uso de ferramentas de manipulação eleitoral pela campanha. — Ilustração gerada por inteligência artificial / Hoje Bahia.

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) declarou uma despesa adicional de R$ 700 mil com a Elytron Security Consultoria de Tecnologia S.A., referente ao segundo turno. O lançamento consta na prestação entregue em 17 de outubro à Justiça Eleitoral, em arquivos oficiais consultados pelo Hoje Bahia na manhã desta terça-feira (20).

Somado aos R$ 600 mil registrados na contratação anterior, o valor eleva a R$ 1,3 milhão o total contratado nos itens examinados. Isso não significa que todo o montante tenha sido pago: o cruzamento com a base de pagamentos identificou R$ 600 mil vinculados ao contrato anterior, sem pagamento correspondente aos R$ 700 mil adicionais na prestação analisada. O levantamento utilizou os arquivos de despesas contratadas e pagas disponibilizados pelo TSE.

A empresa é citada em denúncia do Intercept Brasil sobre a oferta, no exterior, de ferramentas de inteligência artificial para operações clandestinas de influência política. A Elytron nega oferecer esses serviços, e a campanha sustenta que contratou exclusivamente segurança da informação. Não há comprovação pública de utilização do sistema denunciado pela candidatura.

Lançamento faz referência ao segundo turno

O registro adicional tem data de 5 de outubro e descreve consultoria em tecnologia da informação para o segundo turno. O histórico termina com a expressão “CONFORME NF XXXX”, sem identificar naquele campo o número de uma nota fiscal.

Essa referência incompleta não demonstra, isoladamente, inexistência de documento fiscal ou irregularidade. O esclarecimento depende da consulta ao contrato, a eventuais aditivos e aos comprovantes correspondentes.

A data declarada também é anterior à reportagem do Intercept, publicada em 16 de outubro. Portanto, os dados não permitem afirmar que a ampliação ocorreu em resposta à denúncia.

Lançamento dos R$ 700 mil

Contratação e pagamento são etapas diferentes

O levantamento identificou três pagamentos associados à despesa anterior: R$ 500 mil em 17 de setembro e duas parcelas, de R$ 2.536,93 e R$ 97.463,07, em 6 de outubro. Juntas, somam R$ 600 mil.

A ausência de pagamento associado ao novo lançamento na extração examinada não exclui a possibilidade de movimentação posterior à entrega da prestação.

Para realizar o cruzamento, o Hoje Bahia identificou a candidatura e o CNPJ da fornecedora na base de despesas contratadas e utilizou o identificador de cada despesa para localizar os pagamentos. Os arquivos foram gerados pelo TSE em 20 de outubro.

Composição dos R$ 1,3 milhão contratados

Empresa afirma que serviços são defensivos

Em posicionamento divulgado anteriormente, a Elytron afirmou que o contrato presidencial abrange apoio forense, investigação de phishing, testes de segurança, monitoramento de infraestrutura e suporte técnico ao jurídico. A companhia nega segmentar eleitores, direcionar mensagens ou produzir e impulsionar conteúdos.

A campanha de Flávio, por sua vez, declarou que a contratação teve escopo definido, documentação fiscal e prestação de contas regular, com finalidade de proteger os sistemas de comunicação contra ataques cibernéticos.

Essas manifestações são anteriores a esta apuração complementar e não constituem resposta específica sobre o lançamento de R$ 700 mil.

Documentos precisam esclarecer o escopo adicional

O novo registro abre questões sobre quais atividades foram previstas para o segundo turno, seus entregáveis e a relação com os serviços anteriores.

O valor contratado, por si só, não comprova sobrepreço, serviço fictício ou manipulação eleitoral. Essas hipóteses dependeriam de evidências adicionais sobre autorização, execução e destinação dos recursos.

O Hoje Bahia não enviou, até a conclusão deste levantamento, questionamentos específicos à campanha e à Elytron sobre a despesa adicional. O espaço permanece aberto para esclarecimentos e apresentação dos documentos.

Pagamentos identificados de R$ 600 mil

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