A mudança acontece três dias depois do primeiro turno e em meio à reformulação da estratégia da campanha para a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL). Lula terminou a primeira etapa da eleição com 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio.
O novo formato teve forte repercussão. Segundo levantamento publicado pela Rede 98 nesta tarde, dois vídeos de Lula nesse estilo acumulavam 17,5 milhões de visualizações até a publicação da reportagem. Outro levantamento, feito anteriormente, registrou que uma das gravações havia ultrapassado 5,8 milhões de visualizações em aproximadamente uma hora.
“Bora para a rua”
Em uma das gravações, Lula aparece sozinho, segurando o próprio celular e convocando os apoiadores a conversarem diretamente com outros eleitores.
“Bora, gente, para a rua! Vamos conversar com as pessoas”, diz o presidente no início do vídeo.
Lula cita educação, democracia, emprego e melhoria das condições de vida e encerra a gravação convocando seus apoiadores para a mobilização eleitoral.
A estética é significativamente diferente dos vídeos tradicionalmente utilizados pela campanha: não há cenário elaborado, entrevista, púlpito ou trecho de discurso. É Lula falando diretamente para a câmera do celular.
Segundo vídeo aborda escala 6x1
Pouco depois, Lula utilizou o mesmo formato para tratar do debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1.
Na gravação, o presidente questiona qual será a posição de Flávio Bolsonaro e do PL durante a discussão da proposta no Congresso e defende que trabalhadores tenham mais tempo de descanso, lazer e convivência familiar.
A publicação indica que o formato selfie não foi uma ação isolada, mas faz parte de uma tentativa de produzir conteúdos especificamente pensados para as plataformas digitais.
Ana Elisa participa da nova estratégia
A mudança coincide com a chegada a Brasília da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, que ganhou projeção nacional durante a eleição justamente pela atuação nas redes sociais.
Ana Elisa afirmou nesta quarta-feira que permaneceu até as 23h de terça (6) reunida com integrantes da comunicação de Lula discutindo estratégias digitais.
Segundo ela, o objetivo é aumentar a presença direta do presidente nas plataformas. A deputada eleita resumiu sua avaliação afirmando que atualmente o principal “panfleto” de uma campanha está no telefone e nas redes sociais.
Ana Elisa foi eleita deputada federal por Minas Gerais com mais de 524 mil votos e atribui grande parte de seu desempenho eleitoral à atuação digital.
Ideia de selfie também foi defendida por Rafael Fonteles
A adoção do formato, entretanto, não pode ser atribuída exclusivamente a Ana Elisa.
Segundo o Poder360, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), também sugeriu que Lula passasse a produzir vídeos em selfie. Reportagem do Estadão/Terra registra que a sugestão foi feita durante uma reunião realizada na segunda-feira (5).
Lula já havia sido aconselhado anteriormente a produzir conteúdos dessa maneira. Reportagem do Hoje em Dia relembra que, durante o primeiro turno, havia resistência do presidente ao formato por receio de que a gravação parecesse artificial.
Campanha coloca redes no centro da disputa
A reformulação ocorre depois de integrantes da campanha avaliarem que a comunicação digital precisa ocupar espaço maior no segundo turno.
Nesta quarta-feira, o próprio Lula afirmou que sua campanha no primeiro turno ficou aquém do que poderia ter feito e reconheceu a necessidade de maior presença nas redes.
Além de Ana Elisa, outros parlamentares e influenciadores com grande audiência digital estão sendo incorporados à mobilização do segundo turno.
A transformação pode ser percebida diretamente no celular: menos trechos de discursos e eventos oficiais e mais vídeos verticais, curtos, com Lula olhando diretamente para a câmera.
O desempenho das primeiras publicações será agora um dos indicadores para saber se a mudança de linguagem conseguirá ampliar o alcance digital da campanha durante as próximas semanas.
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro.





