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DEBATE

Caso Ana Clara marca debate presidencial: Lula cobra Flávio Bolsonaro por defesa de policial acusado de matar menina de 5 anos

Cristiane Gomes da Silva acompanhou o confronto na TV Globo; candidato do PL defendeu sua atuação jurídica, disse acreditar na inocência do policial e chamou a mãe pelo nome da filha.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 24 de outubro de 2026 às 09:57 • Salvador - BA
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O caso da morte de Ana Clara, de 5 anos, ganhou destaque no debate presidencial da TV Globo, quando Lula questionou Flávio Bolsonaro por sua atuação na defesa de um policial militar acusado de envolvimento na morte da criança. A mãe da menina, presente na plateia, contestou a versão apresentada pelo candidato.
O caso da morte de Ana Clara, de 5 anos, ganhou destaque no debate presidencial da TV Globo, quando Lula questionou Flávio Bolsonaro por sua atuação na defesa de um policial militar acusado de envolvimento na morte da criança. A mãe da menina, presente na plateia, contestou a versão apresentada pelo candidato. — Montagem ilustrativa gerada por inteligência artificial para o Hoje Bahia. As imagens não representam um registro fotográfico real do debate, e o retrato infantil é fictício.

Um dos momentos mais tensos do último debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite de sexta-feira (23), na TV Globo, aconteceu durante uma discussão sobre segurança pública.

Lula questionou o adversário por sua participação na defesa judicial de um policial militar acusado de envolvimento na morte de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, atingida por um disparo de fuzil em Niterói, no Rio de Janeiro, em 2021.

A mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, acompanhava o debate na plateia, a convite da campanha do presidente, ao lado de integrantes da comitiva governista.

O episódio colocou novamente em evidência o processo judicial, a atuação profissional do senador e as diferentes versões sobre as circunstâncias da morte da menina.

O que aconteceu com Ana Clara?

Ana Clara morreu em 2 de fevereiro de 2021, depois de ser atingida por um tiro enquanto brincava em frente à própria casa, na comunidade do Monan Pequeno, em Niterói.

A criança estava acompanhada do irmão, que tinha 2 anos.

O policial militar Bruno Dias Delaroli foi acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de realizar os disparos que provocaram a morte.

O caso avançou na Justiça, com decisão de submeter o acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Até a data do debate, o policial ainda não havia sido julgado, segundo as informações divulgadas pelas reportagens que acompanham o processo.

Qual foi a participação de Flávio Bolsonaro?

Flávio Bolsonaro, que também é advogado, integrou a defesa jurídica do policial militar.

Em 2024, já no exercício do mandato de senador, assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para contestar a decisão que determinava o julgamento do acusado pelo Tribunal do Júri.

Segundo informações divulgadas pelo UOL, a atuação ocorreu sem cobrança de honorários, por meio do Instituto Família Policial.

O candidato sustenta que o policial não foi condenado e defende o direito à representação jurídica.

É importante distinguir os fatos: integrar a defesa de um acusado não significa concordar com eventual crime. A Constituição assegura o direito à ampla defesa e ao devido processo legal.

Por outro lado, a atuação de um parlamentar em um processo dessa natureza pode ser objeto de questionamentos políticos e públicos, especialmente quando ele também apresenta propostas para a área de segurança.

O confronto entre Lula e Flávio

Durante o debate, Lula questionou por que um senador havia atuado na defesa do policial acusado de matar uma criança.

Flávio classificou o episódio como uma tragédia e afirmou acreditar que o disparo não partiu do militar representado por sua defesa.

O candidato do PL apresentou a versão de que havia ocorrido uma troca de tiros em uma comunidade marcada pela presença do tráfico de drogas.

Ao se dirigir a Cristiane, no entanto, chamou a mãe pelo nome da filha, Ana Clara, antes de manifestar solidariedade pela perda da criança.

A confusão repercutiu imediatamente.

Mãe contesta versão apresentada por Flávio

Cristiane reagiu às declarações do candidato e negou que traficantes estivessem envolvidos na situação que presenciou.

Segundo relato publicado pelo UOL, a mãe afirmou ter testemunhado a morte da própria filha e contestou a explicação apresentada por Flávio.

Durante um intervalo, ela também chamou o senador de "monstro", de acordo com a cobertura jornalística.

O episódio evidenciou a distância entre a versão sustentada pelo candidato e o relato de uma mãe que continua cobrando responsabilização pela morte da criança.

Justiça Eleitoral já havia analisado propaganda sobre o caso

O caso Ana Clara também foi utilizado na campanha eleitoral antes do confronto da Globo.

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a restrição ao impulsionamento de publicações em redes sociais que apresentavam o policial como um assassino de criança.

A decisão envolveu o modo como a acusação era divulgada na propaganda eleitoral, diante da ausência de condenação definitiva.

A investigação e a existência de uma acusação formal são fatos noticiáveis. Entretanto, apresentar alguém ainda não condenado como culpado exige cautela e respeito à presunção de inocência.

Segurança pública e responsabilização

O episódio ampliou o confronto entre os candidatos em uma área central da eleição.

Lula utilizou o caso para questionar a postura do adversário diante de acusações de violência policial.

Flávio, por sua vez, reiterou propostas de endurecimento penal e combate às organizações criminosas, sustentando que a representação judicial de um acusado não deve ser confundida com apoio ao crime.

Além da disputa eleitoral, o caso expõe uma questão que permanece sem resposta judicial definitiva: quem deverá ser responsabilizado pela morte de Ana Clara?

Cinco anos depois, a família continua em busca de uma decisão da Justiça.

O Hoje Bahia ressalta que Bruno Dias Delaroli é acusado no processo, não havendo condenação pela morte da criança.

Fontes: cobertura do debate da TV Globo; UOL; Folha de S.Paulo; Poder360 e informações processuais descritas nas reportagens consultadas.

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