BRASÍLIA — O caso Banco Master ganhou novos capítulos neste sábado (12) e ampliou a tensão dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, decidiu manter separados os julgamentos de processos relacionados aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, enquanto novas informações extraídas das investigações sobre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, continuam repercutindo no meio político e nas redes sociais.

Fachin rejeitou o pedido apresentado por Moraes para que as Petições 16.662 e 16.704 fossem analisadas conjuntamente pelo plenário. Com a decisão, a sessão extraordinária marcada para terça-feira (15) foi mantida para a análise do processo relacionado a Moraes. Já a questão envolvendo Mendonça deverá ser apreciada em 23 de setembro.

Segundo Fachin, os dois procedimentos se encontram em fases processuais diferentes. A Petição 16.704, relacionada às acusações feitas contra a atuação de Mendonça, ainda passa por instrução preliminar e, na avaliação do presidente do STF, não está pronta para julgamento pelo plenário.

Embate entre ministros

A decisão ocorre depois de uma intensa troca de manifestações dentro do Supremo. Moraes havia acusado Mendonça de promover uma divulgação seletiva de documentos relacionados às investigações do Banco Master e defendeu que os dois lados da controvérsia fossem analisados conjuntamente, sob o argumento de que julgamentos separados poderiam comprometer a avaliação das provas e gerar decisões contraditórias.

A crise se intensificou após Fachin determinar maior transparência sobre o material da Operação Compliance Zero. Na sexta-feira (11), o presidente do STF deu prazo de 24 horas para que Mendonça retirasse o sigilo dos documentos relacionados ao caso, preservando apenas diligências em andamento cuja divulgação pudesse prejudicar as investigações. A medida atendeu também a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Mendonça inicialmente havia tornado públicos 15 procedimentos e, posteriormente, liberou outros documentos. Até a noite de sexta-feira, 53 ações relacionadas ao caso haviam tido o sigilo levantado, segundo informações divulgadas pela imprensa.

Festas privadas entram no foco das investigações

Paralelamente à disputa no STF, informações extraídas de celulares de Daniel Vorcaro colocaram sob os holofotes festas e encontros privados promovidos pelo ex-banqueiro.

Reportagens publicadas neste sábado, com base em material da Polícia Federal, relatam eventos de luxo realizados em locais como São Paulo e Angra dos Reis, além de referências a festas com artistas, DJs, mulheres contratadas, bebidas e relatos de consumo de drogas. As informações fazem parte de depoimentos e mensagens reunidos pela investigação e devem ser tratadas como elementos sob apuração, e não como fatos atribuíveis automaticamente a todas as pessoas mencionadas nos documentos.

Uma das festas que ganhou destaque teria ocorrido em 31 de outubro de 2023, em São Paulo. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam articulações para a organização do evento, inclusive discussões sobre convidados e medidas para impedir registros por celulares.

A divulgação dos nomes citados nessas conversas, porém, exige cautela. Uma checagem publicada pelo Poder360 apontou que a simples menção de autoridades nas mensagens não comprova que elas tenham comparecido à festa. Registros oficiais consultados pelo veículo indicaram que os principais nomes citados não estavam no local naquela data.

Caso ultrapassa investigação financeira

O escândalo envolvendo o Banco Master começou no campo financeiro, mas passou a produzir consequências políticas e institucionais mais amplas. As investigações ganharam força após a liquidação do banco pelo Banco Central, em novembro de 2025, e passaram a alcançar suspeitas relacionadas a fraudes financeiras, relações com agentes públicos e possíveis benefícios concedidos a autoridades e figuras influentes.

Uma das frentes agora investigadas pela Polícia Federal busca identificar autoridades que eventualmente tenham recebido benefícios custeados por Vorcaro ou por estruturas relacionadas ao ex-banqueiro.

O caso também colocou em lados opostos dois integrantes do Supremo. Moraes questiona a condução de Mendonça e a divulgação dos documentos, enquanto Mendonça levou ao plenário a discussão sobre material da Polícia Federal relacionado a Moraes. No centro da disputa, Fachin tenta organizar a tramitação dos procedimentos e preservar decisões colegiadas da Corte.

Com a decisão deste sábado, o próximo capítulo já tem data marcada: 15 de setembro, quando o plenário deverá analisar a questão relacionada a Alexandre de Moraes. A discussão envolvendo André Mendonça ficou para 23 de setembro.

Enquanto isso, a abertura de novos documentos da investigação do Banco Master tende a manter o caso no centro do noticiário nacional — tanto pelos possíveis desdobramentos criminais e políticos quanto pela crise institucional provocada dentro do próprio Supremo Tribunal Federal.