O conteúdo extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, continua produzindo novos desdobramentos e ampliando o alcance político e institucional do caso. Nesta quinta-feira (24), reportagens revelaram mensagens envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, enquanto uma operação da Polícia Federal alcançou o gabinete de um desembargador citado em conversas relacionadas à chamada “Turma do KN”.
Em outra frente, veio a público que Flávio Bolsonaro (PL) e sua família viajaram, em janeiro de 2025, em uma aeronave que tinha entre seus cotistas uma empresa da qual Vorcaro era sócio à época.
Os fatos dão sequência ao cenário antecipado pelo Hoje Bahia, que noticiou a expectativa de novos dados e informações extraídos do aparelho do ex-banqueiro.
Mensagens mostram relação próxima entre Vorcaro e Alcolumbre
Reportagem publicada pelo Metrópoles na noite desta quinta-feira informa que mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro mostram conversas entre o empresário e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Segundo a publicação, em diálogo de fevereiro de 2025, Alcolumbre empregou tratamento afetuoso ao responder a Vorcaro e agradeceu pela amizade. A reportagem afirma ainda que outras mensagens fazem referência a encontros privados e citam autoridades como o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. (Metrópoles)
As mensagens demonstram contato e proximidade entre os interlocutores, mas, isoladamente, não constituem prova de prática de irregularidade.
Leia a reportagem do Metrópoles sobre as mensagens
Desembargador é alvo de operação e caso chega à “Turma do KN”
Outro desdobramento ocorreu no Judiciário. O desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta, determinada pelo Conselho Nacional de Justiça.
Segundo o Metrópoles, a investigação utiliza, entre outros elementos, mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Os diálogos fariam referência à chamada “Turma do KN”. De acordo com a análise da PF citada pela reportagem, “KN” seria uma referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques. (Metrópoles)
Newton trabalhou como juiz auxiliar de Nunes Marques entre 2018 e 2020, quando o atual ministro integrava o TRF-1.
O Metrópoles relata que mensagens mostram Newton tratando de hospedagens e acessos a eventos para pessoas relacionadas ao grupo de Vorcaro. Em um dos episódios, haveria a intermediação de uma hospedagem para alguém identificado como “KN”. (Metrópoles)
Nunes Marques nega ter feito pedidos a Vorcaro e afirma que nunca autorizou Newton Ramos ou qualquer outra pessoa a falar em seu nome. Newton também nega irregularidades. (Metrópoles)
Contrato poderia alcançar R$ 427 milhões em honorários
A investigação também chama atenção para a atuação profissional de Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos.
Segundo o Metrópoles, o escritório do qual ela é sócia foi contratado pelo Banco Master para atuar em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro. O contrato previa honorários de êxito equivalentes a 5% dos valores efetivamente obtidos em casos que envolviam créditos de até R$ 8,5 bilhões.
Assim, os honorários poderiam chegar a R$ 427 milhões em caso de êxito integral — não se tratava de pagamento antecipado desse montante. (Metrópoles)
Uma reportagem publicada nesta quinta afirma ainda que, embora o escritório tenha sido contratado para 20 ações relativas a 12 casos, teria atuado efetivamente em um deles, justamente no TRF-1, tribunal onde Newton Ramos é desembargador. (Metrópoles)





