Quem olhou para o céu de Salvador na manhã desta sexta-feira (25) encontrou uma cena que rapidamente virou assunto nas ruas e nas redes sociais: um enorme círculo luminoso, com tonalidades semelhantes às de um arco-íris, envolvendo o Sol.
O fenômeno foi observado e fotografado em diferentes pontos da capital baiana. O círculo apareceu praticamente completo e bem definido, condição que tornou o espetáculo ainda mais chamativo. Registros também foram feitos em outras cidades da Bahia entre quinta (24) e esta sexta-feira.
Apesar da aparência incomum, não se trata de nenhuma alteração no Sol. O que os baianos presenciaram foi um fenômeno óptico da atmosfera conhecido como halo solar.
Por que apareceu um círculo em volta do Sol?
O halo acontece quando a luz solar atravessa pequenos cristais de gelo suspensos em nuvens localizadas em grandes altitudes, especialmente as chamadas cirrostratus.
Essas nuvens são muito finas e podem funcionar como uma espécie de véu quase transparente no céu. Por isso, em algumas situações, uma pessoa pode ter a impressão de que o céu está praticamente aberto, embora existam nuvens em grande altitude.
Ao atravessar os cristais de gelo, a luz do Sol muda de direção — fenômeno chamado de refração. Dependendo da posição e do formato dos cristais, parte da luz também se separa em diferentes cores.
O resultado é justamente o enorme anel luminoso observado nesta sexta-feira em Salvador.
O halo visto em Salvador é conhecido como “halo de 22 graus”
O fenômeno observado nesta sexta é identificado como halo de 22 graus.
O nome vem da distância angular aproximada entre o Sol e o círculo luminoso.
Os cristais de gelo presentes nas nuvens funcionam como pequenos prismas. Quando milhões deles estão posicionados de maneira adequada na atmosfera, a luz desviada chega aos olhos do observador formando o círculo.
Dependendo das condições, é possível perceber tonalidades diferentes no anel, com aparência semelhante à de um arco-íris.
Mas como pode existir gelo sobre Salvador em um dia quente?
Essa é uma das curiosidades mais interessantes do fenômeno.
A temperatura que sentimos nas ruas não é a mesma encontrada vários quilômetros acima de nossas cabeças.
Segundo explicação divulgada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), mesmo quando faz calor próximo à superfície, as regiões superiores da atmosfera apresentam temperaturas suficientemente baixas para permitir a formação de cristais de gelo.
O astrônomo amador Alessandro Oliveira, do Astrolaab, explicou ao Aratu On que essas nuvens podem estar localizadas a aproximadamente 10 quilômetros de altitude.
É lá no alto, portanto, que acontece o “truque” óptico visto por quem está no chão.





