A história começa na França, logo depois da Revolução de 1789. Quando o rei Luís XVI ainda estava no poder, a Assembleia Nacional foi montada para decidir o futuro do país.
Na hora de sentar, aconteceu o que até hoje organiza a política:
À esquerda do presidente da Assembleia sentaram os jacobinos. Eram o pessoal da mudança: queriam mais igualdade, fim dos privilégios da nobreza e do clero, mais poder para o povo. Achavam que a sociedade precisava ser corrigida pelo Estado.
À direita do presidente sentaram os girondinos e os monarquistas. Eram o pessoal da ordem: defendiam a tradição, a propriedade, a religião e que a mudança tinha que ser devagar.
Da disposição das cadeiras nasceu o apelido. Esquerda e direita.

O que a sociologia diz sobre isso hoje?

Passados mais de 200 anos, o assento virou visão de mundo. Não é mais só onde senta, é como enxerga o ser humano e a sociedade.
Ser de esquerda, na sua raiz sociológica, parte da ideia de que a desigualdade é o principal problema. Se o mundo é desigual, é porque as estruturas - economia, Estado, classes - produzem desigualdade. Logo, cabe ao coletivo, principalmente ao Estado, intervir para igualar as oportunidades. Valoriza mais a igualdade do que a liberdade individual. O lema é: a sociedade molda o indivíduo.
Ser de direita, na sua raiz sociológica, parte da ideia de que a ordem e a liberdade são o principal valor a preservar. A desigualdade é vista como algo natural ou inevitável, fruto de talentos, esforços e tradições diferentes. Por isso, defende mais a liberdade individual, a propriedade, a família, a tradição e um Estado menos interventor. O lema é: o indivíduo, com seu esforço e seus valores, molda a sociedade.
Por isso um sociólogo diz que a diferença não é entre "bom e mau" ou "a favor do povo e contra o povo". É entre duas respostas diferentes para a mesma pergunta: o que vem primeiro, a igualdade ou a liberdade? A mudança ou a permanência?
Na prática no Brasil, isso aparece no dia a dia: quando se discute se o governo tem que dar mais assistência ou dar mais condição para a pessoa empreender, se a segurança vem de mais programa social ou de mais rigor na lei, se a cultura tem que preservar ou transformar.
No fim, esquerda e direita são dois jeitos antigos de organizar essa eterna briga brasileira entre querer mudar o mundo de uma vez e querer garantir que ele não desabe enquanto muda.