As bandeirolas já foram retiradas, os palcos desmontados e o calendário junino de 2026 ficou para trás. Para parte de quem trabalhou para colocar a maior festa popular do interior baiano de pé, entretanto, o São João pode ainda não ter terminado.
A razão está nas contas.
O Ministério Público do Estado da Bahia iniciou uma nova etapa de fiscalização dos festejos juninos e colocou um tema particularmente sensível no centro das discussões: a inadimplência dos contratantes.
Em reunião realizada no último dia 17 de setembro, na sede do MPBA, em Salvador, representantes do Ministério Público, do Tribunal de Contas dos Municípios e do setor artístico começaram a discutir medidas que deverão orientar a fiscalização do São João de 2027.
Entre elas está justamente saber quem contratou e ainda não pagou.
Por meio do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa (Caopam), o MPBA solicitou aos empresários do setor artístico informações sobre eventuais situações de inadimplência dos entes contratantes.
A intenção é incorporar essas informações à avaliação da capacidade financeira das prefeituras antes que novos contratos sejam assumidos.
Em outras palavras: saber se o município tem condições de pagar aquilo que pretende contratar — e se deixou dívidas pelo caminho.
A festa termina. A cadeia continua
Um grande São João não é feito apenas pelo artista que aparece no palco.
Atrás de cada apresentação existe uma cadeia que envolve músicos, técnicos de som e iluminação, carregadores, roadies, motoristas, produtores, empresas de transporte, hospedagem, alimentação, segurança, montagem de palco, geradores, banheiros químicos, camarins e dezenas de outros serviços.
Por isso, quando um contrato não é pago no prazo, o problema pode percorrer toda essa cadeia.
É justamente esse componente financeiro que agora começa a entrar de maneira mais clara no radar preventivo dos órgãos de controle.
A promotora Rita Tourinho, coordenadora do Caopam, explicou que conhecer os riscos contratuais e a composição dos preços passou a fazer parte do diálogo estabelecido entre o Ministério Público e o setor artístico.
Mais de R$ 615 milhões somente em atrações
A dimensão econômica ajuda a entender a importância do tema.
No primeiro fechamento do Painel de Transparência dos Festejos Juninos de 2026, 410 municípios e o Governo do Estado haviam enviado informações, registrando mais de R$ 615 milhões em recursos públicos destinados às atrações artísticas.
Eram 4.393 apresentações de 2.115 artistas.
O número não representa todo o custo do São João.
Além dos cachês, entram na conta palco, iluminação, sonorização, segurança, decoração, comunicação, banheiros, geradores, transporte e uma extensa estrutura necessária para realizar festas que, em alguns municípios, duram vários dias.





