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DESENROLA 3.0

Desenrola 3.0 muda modelo de renegociação e pode alcançar até R$ 150 bilhões em dívidas

Nova fase permitirá que a União compre carteiras de débitos com desconto mínimo de 90% e repasse integralmente a vantagem ao consumidor; medida foi destaque no Jornal Nacional

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 26 de setembro de 2026 às 09:49 • Salvador - BA
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Imagem ilustrativa representa o anúncio da nova etapa do Desenrola Brasil, que prevê a compra de carteiras de dívidas para ampliar os descontos oferecidos aos consumidores.
Imagem ilustrativa representa o anúncio da nova etapa do Desenrola Brasil, que prevê a compra de carteiras de dívidas para ampliar os descontos oferecidos aos consumidores. — Imagem ilustrativa gerada por IA / Hoje Bahia

O governo federal lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas. Batizada de Desenrola 3.0, a iniciativa muda significativamente a lógica adotada nas fases anteriores: em vez de depender apenas da negociação individual entre consumidor e credor, a União poderá comprar carteiras de dívidas inadimplentes em leilões e transferir ao devedor o desconto conseguido nessa operação.

O novo modelo, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (25), foi destaque no Jornal Nacional. A proposta chama atenção principalmente pela dimensão: o governo estima que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis, com potencial para alcançar até 15 milhões de pessoas.

Governo poderá comprar as dívidas

A principal novidade está na participação direta da União.

Os credores poderão oferecer em leilão carteiras de dívidas que atendam aos critérios do programa. As propostas serão classificadas de acordo com o desconto oferecido, com deságio mínimo previsto de 90%.

Na prática, uma dívida com valor original de R$ 10 mil adquirida com deságio de 90%, por exemplo, teria saldo de R$ 1 mil. O desconto obtido pelo governo deverá ser integralmente repassado ao devedor, que poderá quitar o saldo ou parcelá-lo, com juros e condições que ainda serão regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional.

O governo prevê destinar até R$ 15 bilhões à aquisição das carteiras. A expectativa oficial é alcançar até R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis e, considerando que nem todos os credores e consumidores necessariamente participarão, chegar a aproximadamente R$ 75 bilhões efetivamente renegociados.

Quem poderá entrar no Desenrola 3.0?

Pelas regras anunciadas, poderão ser incluídas dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil em seu valor original, desde que estejam inadimplentes há mais de 720 dias e menos de 1.645 dias — aproximadamente dois anos a quatro anos e meio.

Isso representa uma diferença importante em relação às etapas anteriores do programa, porque o governo passa a atuar na aquisição de créditos antigos que têm baixa expectativa de recuperação pelos credores.

Dados apresentados pelo governo indicam que, em agosto, havia 83,9 milhões de pessoas negativadas, com aproximadamente R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas de até cinco anos registradas nos birôs de crédito.

Quando começa?

A implementação não será imediata para o consumidor.

O cronograma divulgado prevê o chamamento dos credores em novembro de 2026, apresentação das propostas em dezembro e homologação em janeiro. A assinatura dos contratos e o início do repasse dos descontos aos consumidores estão previstos para fevereiro de 2027.

Portanto, apesar do anúncio do programa já ter ocorrido, a renegociação pelo novo mecanismo ainda não está disponível ao público.

Veja a reportagem exibida no Jornal Nacional

Desenrola já renegociou bilhões

Segundo os números apresentados pelo governo, as duas etapas anteriores do Desenrola alcançaram cerca de 25 milhões de pessoas.

A primeira fase registrou mais de 8 milhões de operações e R$ 53 bilhões renegociados. Na segunda, foram mais de 5,5 milhões de operações e R$ 22 bilhões em dívidas renegociadas.

O Desenrola 3.0 procura agora atingir justamente uma parcela de dívidas mais antigas e de recuperação mais difícil, utilizando o poder de compra da União para obter descontos elevados e transferi-los aos consumidores.

É importante que os interessados aguardem os canais oficiais do programa. Como a etapa de renegociação ao consumidor ainda não começou, mensagens ou links que prometam adesão imediata ao Desenrola 3.0 devem ser tratados com cautela.

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