O governo federal lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas. Batizada de Desenrola 3.0, a iniciativa muda significativamente a lógica adotada nas fases anteriores: em vez de depender apenas da negociação individual entre consumidor e credor, a União poderá comprar carteiras de dívidas inadimplentes em leilões e transferir ao devedor o desconto conseguido nessa operação.
O novo modelo, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (25), foi destaque no Jornal Nacional. A proposta chama atenção principalmente pela dimensão: o governo estima que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis, com potencial para alcançar até 15 milhões de pessoas.
Governo poderá comprar as dívidas
A principal novidade está na participação direta da União.
Os credores poderão oferecer em leilão carteiras de dívidas que atendam aos critérios do programa. As propostas serão classificadas de acordo com o desconto oferecido, com deságio mínimo previsto de 90%.
Na prática, uma dívida com valor original de R$ 10 mil adquirida com deságio de 90%, por exemplo, teria saldo de R$ 1 mil. O desconto obtido pelo governo deverá ser integralmente repassado ao devedor, que poderá quitar o saldo ou parcelá-lo, com juros e condições que ainda serão regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional.
O governo prevê destinar até R$ 15 bilhões à aquisição das carteiras. A expectativa oficial é alcançar até R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis e, considerando que nem todos os credores e consumidores necessariamente participarão, chegar a aproximadamente R$ 75 bilhões efetivamente renegociados.
Quem poderá entrar no Desenrola 3.0?
Pelas regras anunciadas, poderão ser incluídas dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil em seu valor original, desde que estejam inadimplentes há mais de 720 dias e menos de 1.645 dias — aproximadamente dois anos a quatro anos e meio.
Isso representa uma diferença importante em relação às etapas anteriores do programa, porque o governo passa a atuar na aquisição de créditos antigos que têm baixa expectativa de recuperação pelos credores.





