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ELEIÇÕES 2026

Disputa apertada, debate tenso e cobrança à Meta marcam reta final entre Lula e Flávio

Pesquisa BTG/Nexus mostra empate técnico; após confronto dominado por acusações, TSE exige comprovação de tratamento igualitário às campanhas nas plataformas digitais

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 19 de outubro de 2026 às 13:25 • Salvador - BA
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Lula e Flávio Bolsonaro chegam à semana decisiva do segundo turno em empate técnico na pesquisa BTG/Nexus, enquanto o debate repercute e o TSE cobra da Meta explicações sobre o tratamento às campanhas nas plataformas digitais.
Lula e Flávio Bolsonaro chegam à semana decisiva do segundo turno em empate técnico na pesquisa BTG/Nexus, enquanto o debate repercute e o TSE cobra da Meta explicações sobre o tratamento às campanhas nas plataformas digitais.

A seis dias do segundo turno, a disputa pela Presidência reúne três acontecimentos no centro do noticiário: a repercussão do debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), uma pesquisa que registra empate técnico e a cobrança do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por esclarecimentos da Meta sobre o tratamento às campanhas nas redes sociais.

Divulgada nesta segunda-feira (19), a pesquisa BTG/Nexus aponta Flávio com 50,3% dos votos válidos, diante de 49,7% de Lula. A diferença de 0,6 ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. As entrevistas ocorreram entre sexta-feira (16) e domingo (18), portanto o levantamento não mede isoladamente o efeito do confronto realizado na noite de ontem.

Ataques ocupam espaço das propostas

O primeiro encontro direto entre os candidatos, promovido pela Band, foi marcado por acusações, interrupções e embates sobre corrupção, segurança pública e saúde. Apesar da apresentação de compromissos de governo, os ataques ocuparam parte expressiva do debate e limitaram o aprofundamento das soluções para os próximos quatro anos.

Na segurança, Flávio defendeu classificar facções criminosas como organizações narcoterroristas e ampliar as vagas no sistema penitenciário. Lula reiterou a proposta de criar um Ministério da Segurança Pública para coordenar ações entre União, estados e municípios.

Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando Lula desafiou o adversário a apresentar dados bancários e telefônicos, incluindo os de familiares, para apuração de eventuais irregularidades. Flávio afirmou não ter nada a esconder, mas, segundo a Agência Brasil, não confirmou expressamente a aceitação nos termos apresentados pelo presidente. O desafio no palco não significa que os sigilos tenham sido efetivamente abertos.

As declarações também passaram pelo escrutínio de serviços de checagem. O UOL Confere identificou afirmações falsas, enganosas ou exageradas dos dois candidatos, envolvendo temas como crescimento econômico, gastos públicos e segurança.

Pesquisa mostra diferença de 0,6 ponto

No cenário de votos totais da BTG/Nexus, Flávio aparece com 46,5%, enquanto Lula registra 45,9%. Os entrevistados que escolheram nenhum dos candidatos, branco ou nulo somam 4,7%; outros 2,9% não souberam ou não responderam.

Na projeção dos votos válidos, o instituto exclui essas respostas para calcular os percentuais dos candidatos. É por esse critério que Flávio alcança 50,3% e Lula, 49,7%.

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores, por telefone, nas 27 unidades da Federação, entre 16 e 18 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Contratado pelo BTG Pactual, o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-04499/2026.

A cronologia exige cuidado: embora divulgado depois do debate, o levantamento começou dois dias antes. Assim, seus números não permitem concluir quem ganhou ou perdeu apoio em consequência do confronto.

TSE cobra respostas da Meta em 24 horas

Enquanto as campanhas disputam a repercussão do debate, a distribuição de conteúdo nas plataformas digitais permanece sob questionamento na Justiça Eleitoral.

O ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, concedeu 24 horas para a Meta comprovar o cumprimento de determinações destinadas a assegurar tratamento igualitário às campanhas. A cobrança envolve publicações políticas e anúncios eleitorais.

Segundo o Terra, o ministro considerou que a empresa não poderia substituir, por iniciativa própria, o prazo judicial de 72 horas por cinco dias. O descumprimento pode elevar a multa diária de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.

Entre os esclarecimentos exigidos estão informações sobre os sistemas de recomendação, anúncios das duas candidaturas, possíveis redes de perfis inautênticos e conteúdos produzidos ou alterados sinteticamente que deveriam receber identificação.

A campanha de Lula questionou restrições ao alcance e ao impulsionamento de suas publicações. A campanha de Flávio também apresentou reclamação sobre o tratamento recebido nas plataformas. As alegações das campanhas e a cobrança judicial por informações não equivalem, por si sós, a uma conclusão definitiva sobre favorecimento eleitoral.

Em manifestação reproduzida pela Agência Brasil, a Meta afirmou ter restringido temporariamente recomendações de candidatos e a geração de imagens deles, além de adotar medidas adicionais para comandos com nomes e números eleitorais. Essa resposta sobre ferramentas específicas não substitui os esclarecimentos exigidos a respeito da distribuição de publicações e anúncios.

Eleitor decide no domingo

O segundo turno será realizado em 25 de outubro. Até lá, a repercussão do debate, os próximos levantamentos e o cumprimento das determinações sobre as plataformas digitais estarão entre os principais pontos de acompanhamento da disputa.

Os três acontecimentos ajudam a compreender a reta final, mas têm alcances diferentes: o debate expõe posições e estratégias; a pesquisa registra intenções de voto no período da coleta; e a atuação do TSE trata do cumprimento das regras eleitorais nas redes. Nenhum deles, isoladamente, antecipa o resultado das urnas.

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