Tedros Adhanom parabenizou instituição brasileira, que será a primeira parceira da OMS no programa de transferência de tecnologia de mRNA a levar um produto à fase de testes clínicos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o início dos ensaios clínicos de Fase I da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Bio-Manguinhos/Fiocruz a partir de uma plataforma própria de RNA mensageiro (mRNA).
Em publicação nas redes sociais, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, parabenizou a Fiocruz pelo avanço e classificou a autorização como um marco. Segundo ele, a instituição brasileira é a primeira parceira do Programa de Transferência de Tecnologia de mRNA da OMS a levar um produto baseado na tecnologia à fase de testes clínicos.
"Parabéns à Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz, por essa conquista histórica de receber autorização para realizar ensaios clínicos da primeira vacina de mRNA desenvolvida no Brasil. Esse marco reflete a excelência científica do Brasil e sua crescente liderança em inovação em saúde", escreveu Tedros.
O diretor-geral acrescentou que a OMS continuará trabalhando com o Brasil e outros parceiros para fortalecer as capacidades locais e regionais de produção de mRNA, ampliar o acesso equitativo a vacinas e outras contramedidas médicas e contribuir para uma maior preparação para futuras emergências sanitárias.
A autorização da Anvisa permitirá avaliar a segurança e a imunogenicidade da candidata em adultos saudáveis. A vacina utiliza mRNA para instruir as células do organismo a produzir temporariamente a proteína Spike do SARS-CoV-2, estimulando uma resposta do sistema imunológico.
Vacina MRNA
Trata-se da primeira vacina de mRNA desenvolvida na América Latina e no Caribe a chegar à fase clínica. No caso brasileiro, o produto foi desenvolvido a partir da plataforma própria de mRNA da Bio-Manguinhos/Fiocruz.
O desenvolvimento faz parte do Programa de Transferência de Tecnologia de mRNA da OMS, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e do Medicines Patent Pool (MPP), iniciativa voltada a ampliar a capacidade de produção dessa tecnologia em países de baixa e média renda.
A plataforma desenvolvida pela Fiocruz também poderá ser utilizada em pesquisas para outras doenças. No Brasil, estudos com mRNA já são conduzidos para o desenvolvimento de vacinas contra o câncer, dengue, doença de Chagas e malária, além de uma possível versão da terapia CAR-T baseada na tecnologia.
A experiência com a pandemia de Covid-19 evidenciou a importância de ampliar a capacidade regional de pesquisa, desenvolvimento e produção de vacinas. O domínio da tecnologia pode reduzir a dependência de fornecedores externos e permitir que o Brasil avance no desenvolvimento e na transferência de tecnologias em saúde.
Os testes de Fase I estão previstos para avaliar a segurança e a imunogenicidade da vacina em adultos saudáveis. O estudo deverá incluir 90 participantes, com acompanhamento dos voluntários após a vacinação.





