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INSPIRAÇÃO

Fã cria “filme” de João Gomes com IA e cantor compartilha: será que essa história ainda vai parar no cinema?

Produção feita com inteligência artificial transforma a trajetória do pernambucano em linguagem cinematográfica e ganha a atenção do próprio artista. Por enquanto, não há anúncio de cinebiografia — mas material para um roteiro não falta.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 27 de setembro de 2026 às 14:52 • Salvador - BA
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João Gomes em linguagem cinematográfica.
João Gomes em linguagem cinematográfica. — Reprodução/Redes sociais de João Gomes

Um menino do Sertão. A voz grave que chamou atenção quase imediatamente. A cultura da vaquejada. O primeiro sucesso. A explosão nas plataformas digitais. Multidões cantando suas músicas. Encontros com grandes nomes da música brasileira e uma carreira que, em poucos anos, atravessou o país.

Parece sinopse de cinema.

Mas é a história de João Gomes.

E agora ela ganhou uma versão cinematográfica criada com inteligência artificial que chamou a atenção até do próprio cantor.

O responsável pela produção é Vitor Paiva, da Vepe Films (@vepefilms), diretor criativo e artista de inteligência artificial. Ele imaginou João Gomes como protagonista de uma produção para as telas, utilizando IA para construir cenas com estética e narrativa de cinema.

E o resultado chegou ao personagem principal dessa história: João Gomes compartilhou a criação em suas redes sociais.

Antes que alguém se anime demais: não se trata do trailer de um filme oficial sobre João Gomes e não há, até o momento, anúncio público de uma cinebiografia do cantor.

Mas depois de assistir ao vídeo fica difícil não fazer a pergunta:

Será que não está na hora de a vida de João Gomes virar filme de verdade?

Do Sertão para o Brasil

João Fernando Gomes Valério nasceu em Serrita, no Sertão de Pernambuco, em 31 de julho de 2002, e cresceu em Petrolina.

Antes de o Brasil conhecer aquela voz grave que se tornaria sua marca, João teve contato com a música ainda jovem, inclusive cantando na igreja. Durante os estudos no Instituto Federal do Sertão Pernambucano, começou também a publicar vídeos cantando na internet.

A paisagem cultural que mais tarde apareceria em seu repertório já fazia parte de sua vida: o Sertão, a vaquejada, o forró e a música popular nordestina.

Sua trajetória profissional começou a mudar quando as composições e interpretações daquele jovem passaram a circular com mais força.

Em 2021 veio o álbum “Eu Tenho a Senha”.

E, com ele, a explosão.

“Meu Pedaço de Pecado” e uma carreira que acelerou

Foi principalmente com “Meu Pedaço de Pecado” que João Gomes atravessou as fronteiras de Pernambuco e passou a ser ouvido em todo o Brasil.

A canção se transformou em um dos grandes sucessos daquele período e ajudou a colocar João no centro da explosão do piseiro e do forró nas plataformas digitais.

O que impressionava não era apenas o tamanho do sucesso, mas a velocidade.

Em pouco tempo, aquele jovem que publicava vídeos cantando passou a aparecer entre os artistas mais ouvidos do país.

A voz grave, o jeito simples de cantar e a ligação com a cultura nordestina ajudaram a criar uma identidade imediatamente reconhecível.

Vieram novos sucessos, shows pelo Brasil e plateias cada vez maiores.

Uma multidão no Marco Zero

Se a história de João Gomes realmente virasse filme, uma das cenas mais impressionantes já estaria pronta.

Em 2022, o cantor gravou um grande projeto audiovisual no Marco Zero do Recife, diante de uma multidão estimada em cerca de 150 mil pessoas.

O palco montado em um dos cartões-postais de Pernambuco simbolizava algo maior: em pouquíssimo tempo, o jovem cantor do Sertão havia se transformado em um dos principais nomes populares de sua geração.

E João começou também a ultrapassar as fronteiras do próprio piseiro.

Passou a dividir projetos e apresentações com artistas de diferentes estilos e gerações, aproximando sua música de outras vertentes da MPB e aprofundando suas referências nordestinas.

Do piseiro ao Grammy Latino

A evolução artística também apareceu nos projetos seguintes.

João Gomes recebeu indicações ao Grammy Latino e passou a explorar de maneira ainda mais evidente as raízes da música nordestina.

Em 2025, ao lado de Mestrinho e Jota.pê, chegou a um dos momentos mais importantes de sua carreira com o projeto “Dominguinho”.

O álbum conquistou o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa.

Era um capítulo simbólico para alguém que havia chegado ao grande público associado principalmente ao fenômeno do piseiro: poucos anos depois, João consolidava também o reconhecimento de um trabalho conectado às raízes da música brasileira.

João Gomes e as telas

E o cinema não é um território completamente estranho ao cantor.

João Gomes já apareceu nas telas interpretando a si próprio em “Dona Lurdes — O Filme”, lançado em 2024.

Sua trajetória também passou a despertar interesse de produções televisivas e documentais, acompanhando não apenas os shows, mas sua origem, família, rotina e relação com o Nordeste.

Ou seja: muito antes de existir uma cinebiografia, a história pessoal e artística de João Gomes já começou a ser registrada pelas câmeras.

Quando o fã é diretor criativo — artista de IA

É justamente nesse ponto que entra a criação que despertou a curiosidade nas redes sociais.

Por trás do vídeo está Vitor Paiva, da Vepe Films (@vepefilms), que se apresenta como Creative Director e AI Artist — diretor criativo e artista de inteligência artificial.

Seu trabalho explora o encontro entre tecnologia, cultura pop e linguagem cinematográfica.

Desta vez, o personagem escolhido foi João Gomes.

Vitor imaginou o cantor dentro de uma narrativa visual de cinema e utilizou inteligência artificial para transformar essa ideia em imagens.

Não é trailer.

Não existe anúncio de longa-metragem.

É uma obra criativa inspirada na vida do artista.

Mas aconteceu algo que deu à produção uma dimensão especial: o próprio João Gomes compartilhou o trabalho.

O artista que inspirou a história acabou ajudando a apresentá-la para ainda mais gente.

Crédito do vídeo: Vitor Paiva / Vepe Films (@vepefilms) — criação com inteligência artificial.

Fãs agora também podem imaginar o impossível

O vídeo representa ainda um fenômeno que começa a mudar a cultura de fãs.

Durante décadas, admiradores produziram desenhos, montagens, vídeos, fã-clubes e homenagens para seus artistas preferidos.

A inteligência artificial acrescentou uma possibilidade completamente nova a essa relação.

Agora, uma ideia pode ganhar cenários, personagens, fotografia e aparência de superprodução sem que exista, necessariamente, uma equipe tradicional de cinema por trás dela.

O fã deixa de apenas imaginar: ele consegue mostrar como imaginou.

E isso torna a fronteira entre homenagem, fan art e produção audiovisual cada vez mais interessante — desde que a origem artificial das imagens esteja claramente identificada e não seja confundida com uma obra oficial.

Mas a vida de João Gomes daria um filme?

Talvez essa seja a grande provocação deixada pela criação de Vitor Paiva.

Porque, retirando a inteligência artificial da história, os elementos de um roteiro já existem.

Um menino nascido no Sertão.

A infância e a família.

A música na igreja.

A vida em Petrolina.

Os vídeos publicados na internet.

A busca por uma oportunidade.

A primeira gravação.

“Meu Pedaço de Pecado”.

O Brasil inteiro descobrindo aquela voz.

O sucesso aos 18 anos.

Uma multidão de aproximadamente 150 mil pessoas no Marco Zero.

Os encontros com artistas que antes eram referências.

A transformação musical.

E um Grammy Latino poucos anos depois.

Tem música.

Tem Sertão.

Tem família.

Tem sonho.

Tem transformação.

Tem protagonista.

Agora, graças a um fã e à inteligência artificial, já existe até uma amostra de como tudo isso poderia ficar na tela.

Por enquanto, o “filme de João Gomes” existe apenas na imaginação — e na criação de Vitor Paiva.

Mas, João Gomes, fica a pergunta: não está na hora desse filme sair da Internet e ganhar a telona?

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