Uma mobilização que nasceu entre comunidades de fãs de artistas da música pop ganhou dimensão nacional e passou a integrar o cenário político brasileiro. Aproximadamente 500 fã-clubes estão envolvidos em uma articulação digital favorável à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), no próximo dia 25 de outubro.
Segundo levantamento divulgado pelo g1 e repercutido por outros veículos nesta semana, os perfis participantes estimam reunir cerca de 20 milhões de seguidores, uma audiência construída originalmente para compartilhar notícias, músicas, lançamentos e conteúdos de seus artistas favoritos.
Agora, parte desse espaço de comunicação está sendo utilizada para divulgar materiais eleitorais e estimular a participação política.
A mobilização, identificada pela hashtag #FandomsComLula, reúne comunidades dedicadas a Taylor Swift, Beyoncé, Lady Gaga, BTS, BLACKPINK, Katy Perry, Ariana Grande, Harry Styles, The Weeknd, Billie Eilish, Anitta e outros nomes da música nacional e internacional.
Afinal, quantos seguidores esses fandoms alcançam?
A dimensão da rede pode ser observada em dois perfis destacados em levantamento publicado pelo portal Vermelho em 5 de outubro.
O Beyoncé Access Brasil (@beyonceaccessbr), dedicado à cantora norte-americana, tinha aproximadamente 494 mil seguidores no Instagram. Já o BTS BRASIL ON (@btsbrasil_on), voltado ao grupo sul-coreano, reunia cerca de 469 mil seguidores na mesma plataforma.
Juntas, essas duas páginas ultrapassavam 960 mil seguidores cadastrados naquela data.
Outras comunidades com milhares de seguidores participam da mobilização, incluindo páginas dedicadas a Taylor Swift, Lady Gaga e Katy Perry.
É importante, entretanto, diferenciar três indicadores: número de seguidores, alcance das publicações e pessoas efetivamente influenciadas.
Os 20 milhões representam uma estimativa da audiência potencial das comunidades participantes. Não se trata de uma medição de usuários únicos, visualizações efetivas ou eleitores convertidos.
Uma mesma pessoa pode seguir diversos fandoms, enquanto os algoritmos das plataformas não garantem que cada publicação seja visualizada por todos os seguidores.
Como começou a mobilização?
O movimento ganhou força após o resultado do primeiro turno, em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos e Lula alcançou 45,16%, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Diversos fã-clubes passaram a publicar mensagens dirigidas ao perfil oficial de Lula, colocando suas páginas à disposição para compartilhar conteúdos de interesse público e informações da campanha.
A organização busca principalmente dialogar com o eleitorado jovem, incentivar a participação de quem se absteve no primeiro turno e alcançar pessoas que ainda não definiram seu voto.
De acordo com Breno Scarpate Hochileitner, de 20 anos, administrador do Katy Cats Updates, em entrevista ao blog da jornalista Ana Flor, no g1, a iniciativa nasceu espontaneamente, sem convocação inicial da campanha petista.
O administrador relacionou a mobilização à defesa da cultura e dos direitos das minorias.
Lula agradece e campanha amplia aproximação com os fãs
Na terça-feira (6), Lula enviou uma mensagem de áudio agradecendo o movimento e incentivando a continuidade da mobilização até o segundo turno.
A aproximação do governo com comunidades organizadas de fãs, entretanto, não começou nesta semana.
Em 31 de agosto, representantes de fandoms estiveram no Palácio do Planalto durante um evento relacionado às novas regras de comercialização de ingressos para shows e ao combate ao cambismo digital.
O encontro também abordou medidas de proteção ao público de grandes eventos culturais, incluindo o acesso gratuito à água potável.
A reunião anterior às eleições demonstra a existência de diálogo institucional com representantes dessas comunidades, mas não comprova que a mobilização eleitoral posterior tenha sido organizada pelo governo.
Fã-clubes representam os artistas ou seus seguidores?
Essa é uma das principais questões levantadas pelo crescimento do movimento.
Uma página dedicada a Beyoncé, Taylor Swift ou BTS não representa necessariamente o posicionamento político oficial desses artistas.
Da mesma maneira, uma manifestação feita pelos administradores de determinado fã-clube não significa que todos os seus seguidores concordem com a posição adotada.





