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ESCALA 6X1

Fim da escala 6x1 entra em semana decisiva no Senado; votação está prevista para quarta-feira

Proposta reduz jornada semanal de 44 para 40 horas, assegura dois dias de descanso e mantém salários; divergências entre governo e oposição podem influenciar tramitação

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 13 de outubro de 2026 às 09:18 • Salvador - BA
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Proposta de redução da jornada semanal de trabalho e mudanças na escala 6x1 entra em discussão no Senado Federal, mobilizando trabalhadores, parlamentares e representantes do setor produtivo.
Proposta de redução da jornada semanal de trabalho e mudanças na escala 6x1 entra em discussão no Senado Federal, mobilizando trabalhadores, parlamentares e representantes do setor produtivo. — Ilustração gerada por inteligência artificial para o Hoje Bahia.

A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa apenas um, volta ao centro das discussões no Senado Federal nesta terça-feira (13). A expectativa é de que a votação em primeiro turno aconteça na quarta-feira (14), em meio a divergências políticas e debates sobre os impactos econômicos da mudança.

O texto da PEC 221/2019, já aprovado pela Câmara dos Deputados, estabelece a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários, e prevê a adoção de dois dias de descanso por semana.

A proposta representa uma das principais mudanças na organização do trabalho brasileiro em décadas, especialmente para profissionais do comércio, supermercados, serviços, turismo e outras atividades que tradicionalmente utilizam a escala 6x1.

Como funcionaria a mudança

O texto estabelece uma transição gradual. A jornada seria reduzida inicialmente para 42 horas semanais, após 60 dias da promulgação, chegando a 40 horas ao fim de um ano.

Na prática, o novo limite permitiria a organização de jornadas com cinco dias de trabalho e dois de descanso, respeitadas as regras estabelecidas na legislação.

A redução semanal não significa, necessariamente, que todas as categorias passarão a ter os mesmos horários. A distribuição das jornadas dependerá da legislação aplicável e dos regimes específicos de trabalho.

A disputa política

Defendida pelo governo Lula como medida de valorização do trabalhador, a proposta ganhou destaque na reta final da eleição presidencial de 2026.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manteve o calendário de discussão da matéria, apesar das pressões para que a votação seja adiada.

Parlamentares da oposição questionam a velocidade da tramitação e os efeitos econômicos da medida. Parte desse grupo argumenta que a proximidade do segundo turno presidencial pode transformar a votação em instrumento eleitoral.

Em paralelo, uma proposta apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) prevê maior flexibilidade nas formas de contratação, com um modelo alternativo de remuneração por hora trabalhada.

O debate envolve duas preocupações centrais: de um lado, a ampliação do tempo de descanso e da qualidade de vida dos trabalhadores; de outro, a capacidade de adaptação das empresas, especialmente as de menor porte.

O que falta para virar lei

Para ser aprovada no Senado, uma proposta de emenda à Constituição precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis, equivalentes a três quintos dos 81 senadores, em duas votações.

Caso o texto aprovado pelo Senado seja idêntico ao que saiu da Câmara, poderá seguir para promulgação pelo Congresso Nacional. Se houver alterações de mérito, será necessária nova análise pela Câmara.

Mesmo que seja aprovada em primeiro turno na quarta-feira, a mudança ainda não estará automaticamente em vigor.

A votação desta semana será decisiva para medir o apoio político à redução da jornada de trabalho e indicar a velocidade com que a proposta poderá avançar.

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