🌤️ Previsão do tempoConsultar →
E AGORA?

Flávio Bolsonaro perderá prerrogativas do Senado, mas investigações podem continuar no STF

Mandato termina em 31 de janeiro de 2027; saída do cargo não encerra apurações nem transfere automaticamente todos os casos para a primeira instância

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 26 de outubro de 2026 às 13:06 • Salvador - BA
Ouça esta matéria
Compartilhe:
Flávio Bolsonaro em seção eleitoral. O mandato do senador termina em 31 de janeiro de 2027, mas o encerramento não interrompe automaticamente as investigações que envolvem seu nome.
Flávio Bolsonaro em seção eleitoral. O mandato do senador termina em 31 de janeiro de 2027, mas o encerramento não interrompe automaticamente as investigações que envolvem seu nome. — Reprodução/Instagram de Flávio Bolsonaro — imagem aprimorada por inteligência artificial.

O encerramento do mandato de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em 31 de janeiro de 2027, mudará sua situação jurídica, mas não interromperá as investigações que envolvem seu nome. A partir de fevereiro, ele deixará de contar com prerrogativas vinculadas ao exercício do cargo de senador. Ainda assim, processos sobre supostos crimes praticados durante o mandato e relacionados às funções parlamentares poderão permanecer no Supremo Tribunal Federal (STF). A data de término do mandato é confirmada pelo Senado.

A distinção é fundamental: foro por prerrogativa de função e imunidades parlamentares são institutos diferentes. A saída do cargo altera as proteções decorrentes do mandato, enquanto a definição do tribunal responsável depende das características de cada caso e do entendimento do Supremo.

O que muda com a saída do Senado

A Constituição estabelece que deputados e senadores, desde a diplomação, não podem ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nessa hipótese, a respectiva Casa legislativa deve analisar a prisão. O artigo 53 também permite, sob condições específicas, que o Legislativo suspenda o andamento de uma ação penal contra parlamentar por crime ocorrido após a diplomação. Essas prerrogativas não permanecem como proteção pessoal de quem deixa o mandato.

Isso não significa que Flávio possa ser preso automaticamente ao deixar o Senado. Uma prisão dependeria de decisão judicial e do preenchimento dos requisitos legais. O encerramento do mandato, isoladamente, não constitui fundamento para a medida.

Por que os casos podem permanecer no Supremo

Em março de 2025, o STF decidiu que a competência para julgar crimes cometidos no cargo e em razão das funções permanece mesmo após a saída da autoridade. A regra também alcança investigações ou ações iniciadas depois do encerramento do exercício funcional.

Assim, o fim do mandato de Flávio não provocará a transferência automática de todas as apurações para a primeira instância. Será necessário examinar, em cada procedimento, quando os fatos ocorreram e se existe relação com a atividade parlamentar.

Financiamento de filme segue sob investigação

Uma das frentes envolve o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio tornou-se formalmente investigado por decisão de julho de 2026, no procedimento relatado pelo ministro André Mendonça.

A apuração examina suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas relacionadas às negociações com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio nega irregularidades. O encerramento do mandato não determina o arquivamento dessa investigação.

Relações financeiras também são objeto de apuração

Outra frente envolve relações com o advogado Willer Tomaz, viagens e operações financeiras. Em 18 de outubro, a Folha informou que a Polícia Federal pediu investigação ao STF e que Alexandre de Moraes foi sorteado relator. Na ocasião, a campanha afirmou que o pedido ainda não havia sido convertido em inquérito.

Reportagem posterior do UOL descreveu essa frente como inquérito. Sem confirmação pública da decisão de abertura neste levantamento, o estágio formal deve ser tratado com ressalva. A saída do Senado não impede o prosseguimento de uma apuração regularmente autorizada.

Caso de suposta calúnia exige decisão sobre eventual acusação

Flávio também é alvo de inquérito por suposta calúnia contra Lula, decorrente de publicação nas redes sociais. A Polícia Federal concluiu pela ocorrência do crime, e a Procuradoria-Geral da República pediu, em julho, que o senador fosse ouvido, inclusive diante da possibilidade de retratação.

A conclusão policial não equivale a condenação. Nas fontes consultadas, não foi localizada confirmação de denúncia recebida posteriormente nesse caso.

“Rachadinha” não será reaberta automaticamente

O término do mandato também não desfaz as decisões que atingiram o caso da suposta “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O STF anulou relatórios do Coaf utilizados na acusação, e o processo foi posteriormente arquivado. Segundo reportagem publicada em março de 2026, o Tribunal de Justiça do Rio negou, em 2025, uma tentativa de retomada das investigações. Não foi localizada confirmação de reabertura posterior.

Anulação de provas e arquivamento não se confundem necessariamente com absolvição após julgamento do mérito. Entretanto, também não permitem apresentar a acusação arquivada como ação penal atualmente em andamento.

Processos eleitorais têm caminho próprio

Na Justiça Eleitoral, Flávio integra uma ação que discute suposto abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação na campanha de 2026. O TSE confirmou a tramitação da Aije 0603123-40.2026.6.00.0000 e destacou que seu recebimento não representa reconhecimento de responsabilidade dos investigados.

A derrota eleitoral não elimina necessariamente esse tipo de ação, pois pode permanecer a discussão sobre eventual inelegibilidade. Qualquer consequência dependerá de julgamento, provas e enquadramento jurídico, com direito à defesa.

Informações públicas consultadas até 26 de outubro de 2026. Procedimentos sigilosos limitam a verificação integral dos respectivos andamentos.

Comentários

Participe da conversa sobre esta notícia. Seu e-mail não será exibido.

Carregando comentários…

Assuntos
Alexandre de MoraesAndré MendonçaBanco MasterDaniel VorcaroFlávioFlávio BolsonaroPolícia FederalSTF