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Flávio Bolsonaro vai para os EUA após descumprir ordem do STF; entenda as investigações e o que pode acontecer agora

Senador teve passaportes cancelados pela Polícia Federal, enquanto parlamentares pedem sua prisão e inclusão em alerta da Interpol. Viagem aos Estados Unidos foi confirmada à Reuters por aliado e fonte do governo americano; possível asilo político e fim da imunidade parlamentar em janeiro ampliam as consequências jurídicas do caso.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 27 de outubro de 2026 às 17:36 • Salvador - BA
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Montagem ilustrativa mostra Flávio Bolsonaro, um passaporte brasileiro cancelado e um avião particular, em referência às notícias sobre sua viagem aos Estados Unidos após descumprir determinação do STF. A Polícia Federal cancelou seus passaportes brasileiros. A imagem não representa um registro real do deslocamento.
Montagem ilustrativa mostra Flávio Bolsonaro, um passaporte brasileiro cancelado e um avião particular, em referência às notícias sobre sua viagem aos Estados Unidos após descumprir determinação do STF. A Polícia Federal cancelou seus passaportes brasileiros. A imagem não representa um registro real do deslocamento. — Arte ilustrativa / Hoje Bahia — imagem gerada por inteligência artificial.

27 de outubro de 2026 — Atualizada às 17h — A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, dois dias depois de sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, desencadeou uma crise jurídica e política com possíveis repercussões internacionais.

Nesta terça-feira (27), a agência Reuters informou que o parlamentar viajou para os Estados Unidos. A informação foi confirmada à agência por duas fontes: um aliado próximo de Flávio e uma pessoa ligada ao governo norte-americano.

A revelação ocorreu poucas horas depois de a Polícia Federal cancelar os passaportes brasileiros do senador por descumprimento de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Flávio havia sido intimado na segunda-feira (26) a entregar os documentos no prazo de 24 horas e estava proibido de deixar o território brasileiro. A ordem não foi cumprida.

O episódio provocou a reação de parlamentares, que solicitaram ao STF a prisão preventiva do senador e a inclusão de seu nome na difusão vermelha da Interpol, mecanismo internacional utilizado para localizar pessoas procuradas pela Justiça.

A situação, entretanto, reúne particularidades constitucionais: Flávio ainda exerce mandato no Senado Federal e mantém imunidades específicas que limitam a possibilidade de prisão.

Além disso, seu mandato termina em 31 de janeiro de 2027, circunstância que poderá modificar profundamente o cenário jurídico nos próximos meses.

Da promessa de permanecer no Brasil à viagem para os Estados Unidos

A sequência de acontecimentos começou na segunda-feira (26), quando Flávio Bolsonaro foi abordado por agentes da Polícia Federal ao deixar a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

Na ocasião, recebeu a intimação judicial que determinava a entrega dos passaportes e proibia sua saída do país.

A decisão foi adotada pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro, o advogado Willer Tomaz e empresas relacionadas a operações financeiras e apostas online.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar criticou a decisão e declarou que nunca havia pensado em abandonar o Brasil.

Também afirmou que entregaria os documentos, exerceria seu direito de defesa e permaneceria no país para organizar a oposição ao governo Lula.

A determinação judicial foi tomada em um contexto de preocupação com uma possível saída do senador. Dias antes, seu irmão Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, havia defendido publicamente que Flávio deixasse o território brasileiro caso perdesse a eleição presidencial.

Na manhã desta terça-feira, entretanto, o prazo judicial terminou sem a entrega dos documentos.

A Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático do parlamentar e anunciou que comunicaria formalmente o descumprimento ao Supremo Tribunal Federal.

Reuters confirma viagem com duas fontes

O caso ganhou nova dimensão às 14h33 desta terça-feira, quando a Reuters publicou uma reportagem informando que Flávio Bolsonaro havia viajado para os Estados Unidos.

A agência ouviu um aliado próximo do senador e uma fonte do governo norte-americano, ambos confirmando a viagem.

A Reuters destacou, porém, que não conseguiu estabelecer com precisão o destino final do voo, o horário de chegada ou a eventual intenção de solicitar asilo político.

Também não confirmou quem acompanhava o senador. Uma terceira fonte informou que suas duas filhas não compareceram às escolas em Brasília nesta terça-feira.

Antes disso, veículos brasileiros, incluindo Folha de S.Paulo, CNN Brasil e Metrópoles, já haviam divulgado relatos de pessoas próximas à família segundo os quais Flávio deixara o Brasil acompanhado de familiares.

As informações reforçam a conclusão jornalística de que houve uma saída do território brasileiro, embora permaneçam sem esclarecimento oficial completo a rota utilizada, os documentos apresentados e a situação migratória do senador.

A conexão argentina e o mistério do avião particular

As primeiras notícias sobre uma possível saída do Brasil surgiram durante a madrugada, a partir de reportagens do portal argentino Infobae.

Segundo as informações divulgadas inicialmente, Flávio teria atravessado a fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina, para embarcar em um avião executivo com destino aos Estados Unidos.

A investigação jornalística mencionou um jato particular que se encontrava no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú.

No entanto, o governo argentino apresentou uma versão que contraria parte desses relatos.

A Direção Nacional de Migrações informou não ter identificado registros oficiais de entrada do senador no território argentino.

As autoridades também inspecionaram a aeronave citada nas reportagens e informaram que não encontraram plano de voo que identificasse Flávio Bolsonaro ou integrantes de sua família como passageiros.

O governo de Javier Milei declarou ainda que não havia recebido pedido de asilo político do parlamentar.

A ausência de registro de entrada na Argentina não comprova que o senador tenha utilizado uma passagem clandestina. Tampouco elimina, isoladamente, a possibilidade de ter percorrido uma rota não identificada pelos controles migratórios regulares.

O esclarecimento dessas circunstâncias dependerá de informações de viagem, registros aeroportuários, controles fronteiriços e eventual cooperação entre autoridades de diferentes países.

Aliado de Trump afirma que Flávio chegou aos Estados Unidos

Outra informação ganhou repercussão na tarde desta terça-feira.

O investidor e ex-secretário de Turismo do México Simón Levy, que se apresenta como aliado de Donald Trump, publicou uma mensagem afirmando que Flávio Bolsonaro havia chegado em segurança aos Estados Unidos.

Levy também atribuiu ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a articulação da suposta operação de deslocamento, que chamou de Operação Alba.

A declaração, divulgada por volta das 15h30, não veio acompanhada de provas documentais ou confirmação pública do Departamento de Estado americano.

Até o fechamento desta reportagem, não havia manifestação oficial dos governos brasileiro ou norte-americano confirmando a alegada participação de autoridades dos Estados Unidos na organização da viagem.

Assim, a afirmação de Levy permanece uma declaração atribuída ao empresário, não um fato independentemente comprovado.

Flávio possui cidadania e passaporte italianos

Uma informação relevante para compreender as possibilidades de deslocamento internacional do senador foi confirmada pelo R7 e pelo UOL: Flávio Bolsonaro possui cidadania e passaporte italianos.

Segundo autoridades italianas, sua cidadania foi reconhecida em 2023.

O documento italiano tem uma particularidade jurídica importante. A Polícia Federal brasileira não possui competência para cancelar diretamente um passaporte emitido pelo governo da Itália.

Isso, entretanto, não significa que o parlamentar estivesse autorizado a deixar o Brasil.

A proibição determinada pelo STF alcançava sua saída do território nacional, independentemente de qual documento de viagem fosse utilizado.

A determinação judicial também abrangia a entrega de eventuais passaportes estrangeiros.

Portanto, se comprovado que o senador deixou o país após a proibição e sem autorização do Judiciário, a utilização de outra nacionalidade não afastaria o descumprimento da medida cautelar.

Não há, até o momento, confirmação pública de que o passaporte italiano tenha sido efetivamente utilizado no deslocamento.

O que a Polícia Federal investiga contra Flávio Bolsonaro?

A situação envolvendo os passaportes não surgiu isoladamente.

O senador é investigado em diferentes procedimentos que apuram suspeitas de irregularidades financeiras.

Suspeitas envolvendo Willer Tomaz e plataformas de apostas

Uma das investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal examina operações financeiras envolvendo o advogado Willer Tomaz, empresas a ele relacionadas e movimentações realizadas em plataformas de apostas.

Segundo informações publicadas pela Agência Brasil e pela GZH, a Polícia Federal identificou movimentações consideradas atípicas, incluindo transações milionárias e possíveis mecanismos de ocultação de recursos.

Uma das contas bancárias relacionadas ao advogado teria movimentado aproximadamente R$ 130 milhões entre março e maio de 2025, segundo relatório policial mencionado pela imprensa.

Os investigadores procuram esclarecer a origem e o destino dos valores, a eventual utilização de empresas para movimentar recursos e a participação de diferentes pessoas nas operações.

O nome de Flávio Bolsonaro apareceu em materiais examinados pela investigação, incluindo referências a relações com empresas vinculadas ao advogado.

A Agência Brasil também informou que a apuração preliminar da PF aponta o senador como possível beneficiário de recursos relacionados à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.

Na semana passada, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores relacionados a Willer Tomaz, no contexto das investigações.

É importante ressaltar que esse bloqueio não representa uma condenação do advogado ou do senador, nem significa que R$ 6 bilhões tenham sido comprovadamente desviados.

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades.

Investigação sobre o filme Dark Horse e o Banco Master

Outra frente de investigação envolve o financiamento da produção audiovisual Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo reportagem da GZH, o procedimento examina suspeitas relacionadas a repasses de quase R$ 70 milhões associados ao Banco Master e à produção do filme.

Os investigadores procuram verificar a legalidade dos pagamentos e a possibilidade de parte dos recursos ter sido destinada a finalidades distintas do financiamento audiovisual, incluindo eventual apoio a atividades políticas.

A apuração é relatada pelo ministro André Mendonça, do STF, e constitui um procedimento separado daquele relacionado a Willer Tomaz.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades e sustenta que os recursos empregados na produção eram privados.

Em ambos os casos, as suspeitas precisam ser comprovadas por meio de investigação e processo judicial. A condição de investigado não significa que exista condenação ou culpa estabelecida.

Parlamentares pedem prisão preventiva e alerta da Interpol

As informações sobre a viagem internacional levaram deputados do Partido dos Trabalhadores a apresentar um pedido de prisão preventiva ao ministro Alexandre de Moraes.

A solicitação foi encaminhada pelos deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG), acompanhados da deputada federal eleita Ana Elisa Santos (PT-MG).

Os autores argumentam que o descumprimento da determinação de entrega dos passaportes e a possibilidade de saída do país representam risco à aplicação da lei penal.

O documento também solicita a inclusão do senador na difusão vermelha da Interpol, caso seja expedida uma ordem de prisão.

Os parlamentares pedem ainda providências para esclarecer seu paradeiro, manifestação da Procuradoria-Geral da República e cooperação com autoridades estrangeiras.

Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação de que Alexandre de Moraes tivesse decretado a prisão do senador.

É fundamental distinguir um pedido formulado por parlamentares de uma decisão judicial efetivamente proferida.

O STF pode mandar prender Flávio Bolsonaro imediatamente?

A resposta exige uma análise da Constituição Federal.

O artigo 53, parágrafo 2º, estabelece que deputados federais e senadores, desde a expedição do diploma, não podem ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável.

Essa proteção busca preservar a independência do Poder Legislativo e impedir que prisões sejam utilizadas para interferir arbitrariamente no exercício da representação parlamentar.

Em 2017, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade 5526, o Supremo Tribunal Federal confirmou que a prisão preventiva comum prevista no Código de Processo Penal não se aplica a parlamentares federais abrangidos por essa imunidade.

O tribunal reconheceu, ao mesmo tempo, que o Judiciário pode impor medidas cautelares diversas da prisão.

Quando essas medidas impedem, direta ou indiretamente, o exercício regular do mandato, a decisão deve ser encaminhada à respectiva Casa Legislativa para apreciação.

Dessa forma, embora o descumprimento de uma determinação judicial possa justificar providências adicionais, a prisão preventiva do senador encontra um obstáculo constitucional específico enquanto estiver vigente seu mandato.

Isso não impede a continuidade de investigações, o aprofundamento da apuração sobre a saída do território nacional ou a adoção de outras medidas juridicamente cabíveis.

Também significa que, na ausência de um mandado de prisão, não é tecnicamente correto afirmar que Flávio Bolsonaro seja formalmente um foragido procurado para cumprimento de ordem de prisão.

A palavra fuga pode descrever, em linguagem jornalística, a saída supostamente realizada para evitar a atuação da Justiça, mas essa caracterização não substitui a situação processual efetiva.

A Interpol pode localizar e prender o senador nos Estados Unidos?

A difusão vermelha da Interpol é um mecanismo internacional destinado a auxiliar na localização de pessoas procuradas para fins de prisão e extradição.

Contudo, não funciona como um mandado de prisão internacional automaticamente executável em qualquer país.

Para uma solicitação dessa natureza, é necessário observar requisitos jurídicos e os procedimentos da própria organização.

Mesmo quando um alerta é publicado, sua execução depende das leis e das autoridades do país onde a pessoa é localizada.

No caso de Flávio Bolsonaro, o primeiro obstáculo é a inexistência, até o momento, de uma ordem de prisão confirmada.

Há ainda a questão da imunidade parlamentar, que deverá ser enfrentada antes de qualquer providência coercitiva dessa natureza.

Portanto, o pedido apresentado pelos deputados não significa que o senador já esteja incluído na lista vermelha da Interpol.

Trump poderá conceder asilo político a Flávio Bolsonaro?

A possibilidade de um pedido de asilo nos Estados Unidos aparece em reportagens baseadas em declarações de aliados do senador.

Pessoas próximas à família afirmam que o governo de Donald Trump estaria ciente da viagem e poderia oferecer proteção ao político brasileiro.

Entretanto, não existe confirmação pública de concessão formal de asilo até o fechamento desta matéria.

Nos Estados Unidos, o reconhecimento da condição de asilado depende de procedimentos e requisitos previstos na legislação de imigração.

A simples alegação de perseguição política não assegura a concessão do benefício.

Os órgãos americanos precisam avaliar os fundamentos apresentados, as circunstâncias individuais e eventuais impedimentos legais.

Também é necessário distinguir apoio político de proteção jurídica formal.

Mesmo que autoridades norte-americanas manifestem simpatia pelo senador, isso não equivale necessariamente a um ato administrativo de concessão de asilo.

Da mesma forma, eventual proteção concedida no exterior não extinguiria automaticamente inquéritos, processos ou decisões judiciais existentes no Brasil.

O Brasil pode pedir a extradição do senador?

O Brasil e os Estados Unidos possuem tratado bilateral de extradição, assinado em 1961 e promulgado pelo Decreto nº 55.750, de 1965.

A extradição é um procedimento de cooperação internacional pelo qual um país solicita a outro a entrega de uma pessoa investigada, processada ou condenada criminalmente.

Segundo as orientações oficiais do Ministério da Justiça, uma solicitação brasileira de extradição exige fundamentos processuais específicos, incluindo decisão judicial de prisão preventiva ou condenação definitiva a pena privativa de liberdade.

O pedido também deverá atender às exigências do tratado aplicável, à legislação do país solicitado e às condições referentes aos crimes investigados.

Isso significa que a existência de uma investigação ou de uma medida cautelar proibindo a saída do Brasil não é suficiente, isoladamente, para obter a extradição.

No caso de Flávio Bolsonaro, o eventual procedimento encontraria dois desafios relevantes: a imunidade parlamentar ainda vigente e a necessidade de verificar se os delitos investigados e as circunstâncias do processo atendem aos requisitos do tratado bilateral.

Mesmo diante de um futuro pedido formal, a entrega dependeria dos procedimentos judiciais e administrativos norte-americanos.

A extradição não ocorre automaticamente.

O que muda quando o mandato terminar em janeiro de 2027?

Este é um dos pontos mais importantes da situação jurídica do senador.

Flávio Bolsonaro encerra seu mandato no Senado Federal em 31 de janeiro de 2027.

A partir de 1º de fevereiro, caso não esteja investido em outro cargo que lhe confira proteção constitucional equivalente, deixará de possuir a imunidade formal contra prisão vinculada ao mandato parlamentar.

Isso significa que sua situação poderá passar a ser analisada pelas regras gerais do processo penal.

Caso existam fundamentos concretos para uma prisão preventiva, como risco à aplicação da lei penal ou interferência nas investigações, o Poder Judiciário poderá examinar a medida, observados os requisitos legais.

Entretanto, o término do mandato não significa prisão obrigatória, nem transforma automaticamente investigações em condenações.

Uma eventual decisão continuará exigindo fundamentação individualizada, proporcionalidade e respeito às garantias constitucionais.

O fim da imunidade parlamentar modifica as possibilidades legais de atuação da Justiça, mas não elimina os direitos fundamentais do investigado.

As investigações deixarão o STF?

Não necessariamente.

Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal estabeleceu um novo entendimento sobre a permanência do foro por prerrogativa de função depois do encerramento do mandato.

A Corte decidiu que investigações e processos relacionados a crimes supostamente cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções desempenhadas podem continuar sob competência do tribunal mesmo depois que a autoridade deixa a função.

Essa orientação foi reafirmada em julgamento de 2026.

Portanto, o encerramento do mandato de Flávio Bolsonaro não determina, por si só, que todos os procedimentos atualmente em tramitação no STF sejam enviados à primeira instância.

Será necessário analisar a natureza de cada fato investigado, a época de sua suposta ocorrência e sua eventual relação com o exercício do mandato.

Assim, duas questões precisam ser consideradas separadamente: a perda da imunidade contra prisão e a definição do órgão judicial competente para conduzir cada caso.

Flávio pode perder o mandato antes do prazo?

A Constituição prevê situações específicas de perda do mandato parlamentar, incluindo determinadas hipóteses de quebra de decoro, incompatibilidades e faltas às sessões legislativas.

Entretanto, a ausência do país ou o descumprimento de uma determinação judicial não produzem cassação automática.

Qualquer procedimento dessa natureza deverá observar as disposições do artigo 55 da Constituição, as competências do Senado e as garantias de defesa.

A permanência prolongada no exterior também poderá gerar questões relacionadas ao comparecimento às atividades parlamentares, dependendo da duração da ausência e das justificativas apresentadas.

Não há, portanto, perda automática do mandato simplesmente porque um senador viajou ao exterior sem cumprir uma medida cautelar.

PL realiza reunião de emergência

No campo político, o episódio também provocou movimentação dentro do Partido Liberal.

Segundo o Metrópoles, dirigentes e parlamentares da legenda realizaram uma reunião de emergência na tarde desta terça-feira, na sede do partido, no complexo Brasil 21, em Brasília.

Entre os participantes das articulações estavam o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho, que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

A reunião aconteceu depois de informações de que nem todos os integrantes da direção partidária tinham conhecimento da decisão do senador de deixar o país.

Pela manhã, Rogério Marinho havia negado que Flávio tivesse saído do Brasil.

Horas depois, as reportagens da Reuters, da CNN Brasil e de outros veículos apresentaram novas informações, confirmadas por fontes próximas ao parlamentar e por uma fonte ligada ao governo norte-americano.

A viagem ocorre apenas dois dias depois da derrota eleitoral de Flávio para Lula, resultado que o Partido Liberal reconheceu oficialmente na segunda-feira (26), embora o senador tenha anunciado questionamentos sobre a apuração.

Quais são os próximos passos?

Os próximos acontecimentos deverão depender de decisões judiciais, investigações policiais e eventuais manifestações oficiais brasileiras e norte-americanas.

A Polícia Federal deverá esclarecer a rota utilizada para a saída do Brasil e reunir informações sobre os documentos empregados, os registros de viagem e eventuais circunstâncias relevantes para o cumprimento da decisão judicial.

No Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes poderá examinar a comunicação de descumprimento encaminhada pela PF, as solicitações formuladas pelos parlamentares e manifestações da Procuradoria-Geral da República.

Também poderá ser necessário verificar a existência de um eventual pedido formal de asilo político nos Estados Unidos e se autoridades norte-americanas reconhecem oficialmente a presença e a situação migratória do senador.

No Senado Federal, os desdobramentos poderão envolver questões relacionadas ao exercício do mandato e à resposta institucional a eventuais medidas judiciais.

A partir de fevereiro de 2027, o encerramento do mandato parlamentar representará uma mudança relevante no regime constitucional aplicável ao senador, sem determinar previamente o resultado de qualquer investigação.

Uma crise que ainda está longe de um desfecho

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, informada pela Reuters com base em fontes brasileiras e norte-americanas, colocou o senador no centro de um impasse que ultrapassa a dimensão eleitoral.

O descumprimento da ordem de entrega dos passaportes está documentado. A viagem aos Estados Unidos foi relatada por fontes ouvidas por diferentes veículos de comunicação. A rota utilizada, a situação migratória e a possibilidade de asilo, entretanto, ainda precisam de esclarecimento oficial.

As investigações financeiras continuam em andamento, assim como as discussões sobre as medidas judiciais cabíveis diante dos acontecimentos.

A situação reúne questões que poderão produzir consequências duradouras: o cumprimento de decisões judiciais, os limites da imunidade parlamentar, a cooperação internacional e o alcance da atuação das autoridades brasileiras sobre investigados que estejam no exterior.

O desfecho dependerá de provas, decisões fundamentadas e procedimentos legalmente estabelecidos.

A saída do território brasileiro não encerra as investigações, assim como a existência dessas investigações não representa condenação.

É essa distinção que deverá orientar os próximos capítulos de um dos episódios de maior repercussão política e jurídica do período posterior às eleições presidenciais de 2026.

O Hoje Bahia continuará acompanhando as manifestações do Supremo Tribunal Federal, da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e das autoridades norte-americanas para atualizar esta reportagem conforme novos fatos forem confirmados.


Fontes consultadas: Reuters, Agência Brasil, CNN Brasil, GZH, Metrópoles, Congresso em Foco, R7, UOL, Supremo Tribunal Federal, Constituição Federal e Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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