CACHOEIRA, BA — O Recôncavo Baiano se transforma, mais uma vez, em território de encontros entre palavras, ideias, música e ancestralidade. A 14ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA), iniciada nesta quinta-feira (5), segue até domingo (8), com programação gratuita distribuída por espaços culturais, praças e prédios históricos da cidade.
Com o tema “Como ser criativo com tanta IA por aí?”, a edição de 2026 coloca a inteligência artificial no centro das discussões sobre literatura, produção cultural, autoria e originalidade.
O encontro reúne escritores, jornalistas, pesquisadores, artistas, educadores e representantes de diferentes gerações. Entre os participantes da programação estão Míriam Leitão, Nina da Hora, Daniel Munduruku, Sérgio Rodrigues, Scholastique Mukasonga, Larissa Luz e Ale Santos.
A festa vai além dos livros. Shows musicais, saraus, oficinas, atividades infantis, exposições e manifestações tradicionais integram o evento, que também movimenta o turismo e a economia criativa do Recôncavo.
A inteligência artificial entrou na conversa
Em uma época em que algoritmos produzem textos, imagens e músicas em segundos, a FLICA propõe uma pergunta que atravessa o cotidiano de escritores, artistas, jornalistas e estudantes: qual será o lugar da criatividade humana diante do avanço das máquinas?
Na abertura do evento, a jornalista Míriam Leitão e a pesquisadora Nina da Hora participaram da mesa “Penso, logo... IA: distopias à vista?”, com mediação de Zulu Araújo.
Nesta sexta-feira (6), a programação continua explorando o encontro entre tecnologia, identidade e criação. Às 15h, a Tenda Paraguaçu recebe Ale Santos e César Sobrinho na conversa “Inteligência ancestral, memórias afrofuturistas”.
No sábado (7), o tema ganha novos desdobramentos. O escritor Sérgio Rodrigues e o pesquisador André Lemos participam da mesa “Tô prompt para escrever...”, às 16h. Às 18h, Nilma Lino Gomes e Tarcízio Silva discutem “Inteligência artificial e racismo – Algoritmos da branquitude”.
O debate extrapola a tecnologia e alcança questões sobre representação, memória, desigualdade e os caminhos da produção cultural.
Literatura internacional e vozes do Recôncavo
No sábado, às 14h, um dos destaques será a mesa “Diásporas literárias – passagens e permanências”, com a escritora ruandesa Scholastique Mukasonga e a venezuelana María Elena Morán, sob mediação de Edma de Gois.
A programação valoriza ainda autores e editoras baianas, com lançamentos de livros, debates sobre produção literária regional, apresentações de cordelistas e atividades sobre a participação feminina no mercado editorial.
A cidade de Cachoeira, marcada por sua história, tradições afro-brasileiras e patrimônio arquitetônico, não funciona apenas como sede da festa. Suas ruas, praças e manifestações culturais integram a experiência dos visitantes.
Jau, Sued Nunes e Mãeana comandam os shows
A música ocupa um lugar especial na programação.
Nesta sexta-feira (6), o cantor baiano Jau sobe ao Palco Ritmos, instalado na escadaria da Câmara Municipal, às 21h. A abertura fica por conta do cordelista Jonas Samaúma.
No Palco Raízes, na Praça 25 de Junho, apresentam-se Simplesmente Luís, às 19h30, e Juninho Cachoeira, às 22h30.
No sábado (7), Sued Nunes se apresenta às 20h, seguida por Mãeana, às 22h, no Palco Ritmos. As duas artistas representam diferentes expressões da música brasileira contemporânea, dialogando com a força da identidade cultural baiana.
O encerramento acontece no domingo (8), com o tradicional Bye Bye Flica, arrastão cultural que parte da Tenda Paraguaçu ao meio-dia e leva manifestações populares do Recôncavo pelas ruas do centro histórico.
Fliquinha abre espaço para novos leitores
A programação infantil é uma das principais frentes da festa.
Na Fliquinha, instalada no Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), crianças e famílias participam de encontros com autores, contação de histórias, oficinas, apresentações e atividades educativas.
Nesta sexta-feira (6), o escritor Daniel Munduruku participa, às 9h, do encontro “Infância, a primavera da vida”.
Às 10h, o ilustrador Cau Gomez, Kati Martins e o Grupo Cultural Capoeira Raça integram a atividade “Palavra tem ginga”.
A programação também inclui experiências com livros acessíveis, audiolivros, materiais em braille, recursos em Libras e atividades sensoriais, ampliando as possibilidades de participação do público infantil.
Livros gratuitos e fortalecimento do afroempreendedorismo
A FLICA também oferece iniciativas voltadas à democratização da leitura e à geração de oportunidades econômicas.





