Um levantamento da Folha de S. Paulo mostrou que, enquanto 18 ex-integrantes do alto escalão do governo Bolsonaro são alvo de investigações, processos ou penas por suspeitas que vão de tentativa de golpe a crimes ambientais, seis ex-auxiliares de Lula também respondem a apurações ligadas à atual gestão ou a fatos anteriores ao mandato.
O levantamento de um jornal de grande circulação no país mostra que, quase quatro anos após o fim do governo Jair Bolsonaro (PL), 18 ex-ministros, auxiliares e integrantes do alto escalão respondem a processos, investigações ou cumprem penas por suspeitas de crimes que vão de tentativa de golpe de Estado a irregularidades ambientais.
Segundo o mesmo levantamento, no terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seis ex-ocupantes de cargos estratégicos também são alvo de apurações em diferentes instâncias do Judiciário.
De acordo com a apuração, a maior parte dos casos ligados à gestão Bolsonaro está relacionada a fatos ocorridos entre 2019 e 2022.
Entre eles, estão principalmente as condenações e processos decorrentes da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, que atingem o próprio ex-presidente, ex-ministros, militares de alta patente e outros integrantes do governo. Essas condenações, inclusive, têm motivado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a afirmar que pretende revisar as condenações e conceder anistia aos envolvidos, especialmente a seu pai.
Também seguem em andamento investigações sobre a condução da pandemia de COVID-19. O ex-ministro da Saúde e deputado federal reeleito Eduardo Pazuello (PL-RJ) responde a uma ação de improbidade administrativa em que o Ministério Público Federal (MPF) sustenta que decisões de sua gestão causaram prejuízo de R$ 122 milhões aos cofres públicos, embora ele negue irregularidades.
Na área ambiental, uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) apura suposto esquema de flexibilização das regras de exportação de madeira durante o governo Bolsonaro. Entre os investigados estão o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (deputado federal em fim de mandato pelo PL-SP que não se elegeu para o Senado) e o ex-presidente do Ibama Eduardo Bim. Ainda segundo a apuração, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a absolvição de parte dos acusados, incluindo Salles, por falta de provas, mas manteve acusações contra outros réus.
No governo Lula, parte das investigações envolve fatos ocorridos antes do início do mandato. É o caso do senador Rui Costa (PT-BA), investigado pela compra frustrada de respiradores pelo Consórcio Nordeste também durante a pandemia de COVID-19. Outro exemplo é o ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho (deputado federal pelo PSDB-MA), denunciado por suspeita de corrupção relacionada ao uso de emendas parlamentares em período anterior à sua passagem pelo ministério.
Entre os episódios ocorridos já na atual gestão do presidente, o de maior repercussão envolve o ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida.
Ele foi acusado de importunação sexual pela então ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco (eleita deputada federal pelo PT-RJ), investigado pela Polícia Federal (PF) e denunciado ao STF pela PGR, embora negue as acusações, afirmando ser "vítima de perseguição política".
O levantamento demonstra que as suspeitas e processos atingiram integrantes relevantes de ambas as administrações, embora em contextos distintos e em maior número na gestão Bolsonaro, e enquanto os casos ligados ao governo do ex-presidente concentram-se sobretudo em decisões e atos praticados durante o mandato, as investigações envolvendo integrantes da gestão Lula incluem tanto condutas atribuídas ao período atual quanto acusações relacionadas a fatos anteriores à posse do presidente em 2023.