O governo federal decidiu manter em R$ 2,12 por litro a subvenção ao diesel de uso rodoviário por mais 30 dias. A medida foi formalizada pelo Ministério da Fazenda por meio da Portaria nº 2.946, publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta sexta-feira (25), e passa a valer neste domingo (27).
A decisão impede que o benefício caia para R$ 1 por litro após o encerramento, neste sábado (26), da medida provisória que sustentava uma parcela de R$ 1,12 da subvenção.
Segundo o Ministério da Fazenda, a manutenção ocorre diante da persistência da volatilidade dos preços internacionais do petróleo e dos combustíveis.
O que muda a partir deste domingo?
Na prática, o governo está mantendo o valor atualmente concedido, e não aumentando o subsídio.
Até agora, os R$ 2,12 por litro eram resultado da combinação de duas medidas: uma subvenção de R$ 1,12 por litro, que perde validade neste sábado, e outra de R$ 1 por litro, criada posteriormente.
Com o encerramento da primeira medida, o benefício cairia para R$ 1. A nova decisão utiliza o mecanismo mais recente para preservar o valor total em R$ 2,12 por litro pelos próximos 30 dias.
O objetivo é evitar que o fim de parte da ajuda provoque uma pressão adicional sobre o preço do combustível.
Como funciona o subsídio?
O valor não é depositado diretamente para caminhoneiros ou demais motoristas.
A subvenção é destinada aos produtores e importadores de diesel rodoviário participantes do programa, que devem incorporar o benefício ao preço praticado na comercialização do combustível.
Dessa maneira, o mecanismo procura amortecer parte da diferença entre os preços praticados internamente e os custos internacionais, evitando que toda a oscilação externa seja imediatamente transmitida à cadeia de distribuição.
Diesel brasileiro está abaixo da referência internacional
A decisão ocorre em um momento de forte diferença entre os preços domésticos do diesel e as referências internacionais.
Estimativas da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) têm apontado uma defasagem expressiva entre os preços praticados pelas refinarias da Petrobras e a chamada paridade de importação — cálculo que estima quanto custaria colocar no mercado brasileiro um produto equivalente importado.
Essa diferença aumentou ao longo de 2026 conforme as cotações internacionais do petróleo avançaram. Em março, por exemplo, estimativa divulgada pela Abicom apontava defasagem média de aproximadamente 47% nas refinarias da Petrobras, chegando perto de 49% em alguns polos.
No cenário mais recente de setembro, estimativas divulgadas pela entidade chegaram a apontar diferença da ordem de R$ 3 por litro ou mais em determinados polos, dependendo do dia, da cotação internacional, do câmbio e do local utilizado para comparação.
É importante observar que a chamada defasagem é uma estimativa da Abicom, entidade representativa dos importadores, e não significa que o preço pago pelo consumidor nos postos deveria automaticamente subir no mesmo valor.
A comparação ocorre em uma etapa anterior da cadeia e envolve custos de importação. Além disso, a política comercial da Petrobras não prevê reproduzir automaticamente todas as oscilações internacionais no mercado brasileiro.
Subsídio compensa parte da diferença
O tamanho da diferença internacional ajuda a compreender a dimensão do subsídio de R$ 2,12 por litro.
Caso se considere, apenas como exercício comparativo, uma defasagem de R$ 3,38 por litro, uma subvenção de R$ 2,12 corresponderia a aproximadamente 63% desse valor.
Isso não significa que os R$ 1,26 restantes precisariam ser repassados ao consumidor. São mecanismos diferentes: preço praticado pelas refinarias, paridade de importação, subvenção governamental, custos logísticos e margens comerciais não podem ser simplesmente somados para calcular o preço que deveria aparecer na bomba.
A distância em relação à paridade também é acompanhada pelos importadores, que argumentam que diferenças muito elevadas podem reduzir a viabilidade econômica de trazer combustível do exterior.
Por que o preço do diesel é tão importante?
O diesel tem impacto que vai muito além de quem abastece diretamente um automóvel ou caminhão.
Grande parte dos alimentos, medicamentos, matérias-primas e produtos consumidos diariamente no Brasil percorre as rodovias em veículos movidos a diesel.
O combustível também participa dos custos do transporte coletivo, da agricultura, da construção civil e de diferentes atividades industriais.
Uma elevação expressiva do diesel pode, portanto, aumentar o custo do frete e acabar chegando ao consumidor por meio dos preços de outros produtos e serviços.
É justamente esse efeito em cadeia que torna o combustível especialmente sensível para a inflação.





