A Justiça Federal manteve, nesta sexta-feira (16), a prisão preventiva de Márcio Canella (União), deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo; do delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil do Rio de Janeiro; e de outros quatro policiais civis presos na oitava fase da operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira (15).
As prisões preventivas foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e confirmadas após audiências de custódia. Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, tendo recebido também apoio do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
lém de Canella e Amim, foram presos os inspetores Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como "Pablo Russo". A operação investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro supostamente desviado da Prefeitura de Belford Roxo, administrada anteriormente por Canella.
Segundo relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo investigado movimentou R$ 7,6 bilhões entre 11 de maio de 2020 e 12 de março de 2026, em operações envolvendo 835 pessoas e empresas.
Durante a operação, a PF cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão nos municípios de Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Os agentes apreenderam 20 veículos de luxo, 33 armas, cerca de R$ 90 mil em dinheiro, 14 celulares, 49 joias e relógios de luxo, equipamentos eletrônicos, mídias e documentos.
Moraes também determinou o sequestro de bens e valores, o bloqueio de até R$ 700 milhões e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas, das quais 96 são os postos de combustíveis. A decisão incluiu ainda o afastamento do escrivão da Polícia Federal Fábio Henrique Ferreira dos Santos.
Em julho, durante a sexta fase da operação Unha e Carne, Canella e Amim já haviam sido alvos de mandados de busca e apreensão.
Por meio de sua defesa, Canella afirmou: "Confio em Deus e na Justiça e tenho certeza de que tudo será esclarecido". O advogado de Amim aguardava acesso à decisão judicial, enquanto a defesa dos irmãos Gaspar Fernandes declarou ter sido surpreendida pelas prisões e que analisaria as provas. Não foi possível identificar a defesa dos demais investigados.
De acordo com a Polícia Federal, os suspeitos poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. As investigações continuam em andamento.