Em entrevista ao Podcast Flow, nesta quinta-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que houve uma reunião ontem com o presidente dos EUA, Donald Trump, para destravar os obstáculos referentes às sobretaxas estadunidenses.
"O Trump sabe que temos coisas estratégicas que ele precisa. Ainda não coloquei em prática a lei da reciprocidade, mas ele [Trump] é importador de nióbio, e 60% vem aqui do Brasil", disse Lula. "Ele sabe que na hora que eu colocar a lei da reciprocidade, vou jogar do mesmo jeito que ele jogou".
Ao dizer que está evitando impor a lei da reciprocidade porque não quer guerra com ninguém, Lula disse que não admite mentiras a respeito do Brasil, "ninguém vai mentir para mim", disse ao lembrar que Trump alegou que estava taxando o Brasil porque tinha um déficit comercial.
"Em 15 anos ele teve um superavit de 15 bilhões de dólares entre comércio e serviço", afirmou ele.
De acordo com dados oficiais de órgãos como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA têm superávit comercial com o Brasil.
O presidente afirmou que a guerra que trava com Trump é na "narrativa" com o povo dos EUA.
Lula escolheu faltar ao último debate presidencial que seria promovido pela TV Globo no mesmo horário. Em justificativa no próprio podcast, o presidente afirmou que prefere o formato de entrevista de longa duração e teceu críticas à dinâmica engessada das transmissões televisivas. O debate acabou cancelado após decisões judiciais.
"Tenho questionado os debates da Globo. Eu fui em todos, em 1989, em 1994 não teve debate porque a Globo defendia a eleição do Fernando Henrique Cardoso e não teve debate, assim como 1998. Quando você tem debate com cinco ou seis candidatos, você fala um minuto e espera dez. Esses debates são infrutíferos e não produzem nada. Aí, o pessoal começa a fazer gracinha e quando você está num debate pela presidência da República, você está discutindo o país, é sério", explicou Lula.
Banco Master e Vorcaro
Na entrevista, Lula contou da visita do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, quando ainda era investigado pelo Banco Central (BC), e queixou-se de estar sofrendo perseguição política:
"Esse rapaz veio aqui e disse, 'estão me perseguindo politicamente'. Respondi: 'no meu governo não há perseguição política. Você está sendo investigado pelo Banco Central". " Se a gente encontrar coisa errada, você vai pagar. Ele tinha coisa errada e fechamos o banco", disse ele.
Ele voltou a defender a investigação completa e irrestrita de todos os envolvidos com Vorcaro, que está preso, acusado de uma série de crimes, como fraude financeira, organização criminosa, entre outros.
"É preciso investigar todo mundo. Porque esse tal de Vorcaro não era apenas um ladrão, ele era mágico, porque ele envolvia todo mundo. Ele envolvia até o Luciano Huck, que aparece de vez em quando querendo ser político", disse Lula. "Está ficando todo mundo nu dentro da sociedade. A gente descobre uma sequência de senadores, deputados, tudo com as meninas da Suíça, da Suécia, sei lá".
Flávio Bolsonaro
Sobre o adversário Flávio Bolsonaro, Lula lembrou que o senador é advogado de defesa do policial militar do então cabo da Polícia Militar, Bruno Dias Delaroli, que matou a menina Ana Clara, de cinco anos, com quatro tiros, em Niterói. Também resgatou a condecoração que ele fez para o ex-PM na prisão, Adriano da Nóbrega.
"Um senador da República que tem coragem de assinar uma petição defendendo o assassino de uma criança de cinco anos de idade, um senador que era amigo do miliciano que foi morto na Bahia [Adriano da Nóbrega], um cidadão que é ligado aos milicianos, um cidadão que tem essa relação amorosa com o Vorcaro, é um negócio que não tem sentido. Um cara desse querer ser presidente da República?", perguntou.
Lulinha
Lula também reafirmou que não blindará o filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha" de investigações sobre envolvimento dele com suposto lobby:
"Duvido que meu filho tenha feito lobby com qualquer ministro meu [...] Ele sabe o que eu penso. Se ele não fez nada de errado ele que crie coragem e brigue como briguei", disse ele. "Não vou fazer que nem o mequetrefe que disputa comigo, que o pai fica querendo proteger, não", disse em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro e o filho, Flávio Bolsonaro.
A Polícia Federal investiga suspeitas envolvendo a relação da empresária Roberta Luchsinger, Lulinha e o ex-chefe de gabinete do petista, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) apuram se houve tráfico de influência em órgãos do governo.





