O Brasil volta a ocupar posição de destaque no debate mundial sobre o futuro do planeta. No próximo dia 10 de novembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para Antália, na Turquia, onde participará da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31). Depois de liderar a COP30, realizada em Belém, em 2025, Lula fará a transferência da presidência da conferência ao presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, que conduzirá os trabalhos em parceria com a Austrália.
A participação brasileira acontece em um momento decisivo para a política ambiental internacional. Com os efeitos da crise climática cada vez mais evidentes, cresce a pressão para que os governos abandonem os discursos genéricos e assumam compromissos concretos de redução das emissões de gases de efeito estufa.
Para o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista na Câmara, existe uma grande expectativa em torno da presença de Lula. Segundo ele, a COP30 recolocou o Brasil no centro das discussões ambientais e recuperou o protagonismo do país em uma agenda estratégica para a sobrevivência do planeta.
O parlamentar chama atenção para o agravamento da crise climática, cujas consequências atingem principalmente as populações mais pobres e vulneráveis. Nesse cenário, considera fundamental que Lula consiga mobilizar outros chefes de Estado em torno de um compromisso efetivo com a substituição dos combustíveis fósseis.
“Poucos países estão fazendo a lição de casa para enfrentar a crise climática, e o Brasil é um deles”, defende Tatto.
Brasil apresenta resultados e cobra responsabilidade dos países ricos
Um dos principais argumentos que fortalecem a posição brasileira é o desempenho ambiental do governo Lula. Pela primeira vez, o país registrou redução do desmatamento nos quatro anos de um mesmo mandato presidencial e em todos os biomas brasileiros, uma conquista importante diante do histórico de devastação ambiental.
Mas o governo brasileiro pretende ir além dos resultados nacionais. Na COP31, Lula deverá reforçar a necessidade de compromissos internacionais mais consistentes, especialmente no financiamento de políticas de adaptação climática.
O problema é que justamente os países que menos contribuíram historicamente para as emissões de gases de efeito estufa estão entre os que mais sofrem com secas, enchentes, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos. Sem recursos financeiros e infraestrutura, essas nações enfrentam enormes dificuldades para proteger suas populações.
Para o Brasil, portanto, não basta cobrar metas ambientais dos países em desenvolvimento. É necessário que as nações mais ricas assumam sua responsabilidade histórica e contribuam financeiramente para que os países vulneráveis possam enfrentar os efeitos de uma crise que não provocaram na mesma proporção.
Transição energética e proteção das florestas no centro do debate
A substituição progressiva dos combustíveis fósseis deverá ser um dos principais temas da atuação de Lula na conferência. A expectativa é avançar na construção de acordos mais ambiciosos para acelerar a transição energética e reduzir a dependência mundial do petróleo, do carvão e do gás.
A presidência brasileira da COP30, conduzida pelo embaixador André Corrêa do Lago, conseguiu aprovar 56 decisões por consenso. Entre os resultados mais importantes está o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa destinada a remunerar países em desenvolvimento pela conservação de suas florestas tropicais.
O fundo tem como meta alcançar US$ 10 bilhões até o fim do ano para sua implementação. Segundo os dados apresentados, ainda faltam US$ 2,2 bilhões para atingir esse objetivo.
A proposta prevê beneficiar mais de 70 países, com pagamentos de até US$ 4 por hectare de floresta conservada. A iniciativa representa uma tentativa de transformar a preservação ambiental em uma política economicamente sustentável, reconhecendo o papel estratégico das florestas tropicais no equilíbrio climático mundial.
Outro resultado da COP30 foi a criação do Acelerador Global de Implementação (GIA), mecanismo destinado a ajudar os países a transformar suas metas climáticas e planos de adaptação em ações efetivas. A iniciativa já vem sendo desenvolvida em conjunto com a presidência turca.
COP31: o desafio de transformar compromissos em ações
A COP31 será realizada entre 9 e 20 de novembro, com a cúpula de líderes mundiais marcada para os dias 11 e 12. Até o momento, 77 chefes de Estado e de governo confirmaram presença.
Mais do que uma sucessão de discursos diplomáticos, a conferência representa uma oportunidade de cobrar resultados concretos dos governos diante de uma emergência que ameaça o equilíbrio ambiental, econômico e social do planeta.
A presença de Lula reforça a tentativa brasileira de manter a questão climática no centro das negociações internacionais, defendendo que desenvolvimento econômico, justiça social e preservação ambiental não são objetivos incompatíveis.
No dia 13 de novembro, o presidente seguirá para as Filipinas, onde participará, como convidado, da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
O desafio que fica para a COP31 é transformar a disposição política em compromissos efetivos. Afinal, a crise climática não espera pelas conveniências eleitorais, pelos interesses econômicos ou pela lentidão das negociações diplomáticas. O planeta precisa de decisões, financiamento e ações — e não apenas de promessas.





