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Lula vai ao segundo turno atrás de Flávio e enfrenta desafio de conquistar votos de Cury, Renan e Caiado

Resultado das urnas surpreende em relação às pesquisas da véspera, que colocavam Lula numericamente à frente. Segundo turno será em 25 de outubro e transforma os eleitores dos demais candidatos em peça central da disputa.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 04 de outubro de 2026 às 21:20 • Salvador - BA
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Flávio Bolsonaro e Lula avançam para o segundo turno da eleição presidencial. A disputa entra em nova fase, com os dois candidatos buscando conquistar os eleitores que votaram em outras candidaturas no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro e Lula avançam para o segundo turno da eleição presidencial. A disputa entra em nova fase, com os dois candidatos buscando conquistar os eleitores que votaram em outras candidaturas no primeiro turno. — Imagem ilustrativa / Hoje Bahia – gerada com auxílio de IA.

A eleição presidencial brasileira terá segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A definição ocorreu na noite deste domingo (4), depois que a apuração tornou matematicamente impossível uma vitória no primeiro turno. A nova votação está marcada para 25 de outubro.

O dado que marcou a noite, entretanto, foi a inversão em relação às pesquisas divulgadas às vésperas da votação. Com mais de 90% das urnas contabilizadas, Flávio aparecia na frente, enquanto Lula ocupava a segunda posição. A diferença foi diminuindo ao longo da apuração, mas o desempenho do candidato do PL ficou acima do indicado pela maioria dos levantamentos finais.

Urnas surpreendem em relação às pesquisas

Na véspera da eleição, Datafolha e Quaest apresentavam Lula numericamente à frente, embora dentro de cenários de empate técnico.

O Datafolha apontava 45% dos votos válidos para Lula e 42% para Flávio Bolsonaro. A Quaest mostrava 46% para Lula e 45% para Flávio. Ambos trabalhavam com margem de erro de dois pontos percentuais.

O contraste ficou ainda mais evidente durante a contagem. Flávio chegou a ultrapassar 50% dos votos válidos nas primeiras horas da apuração e, posteriormente, recuou à medida que novas urnas foram incorporadas. Lula, por sua vez, avançou durante a totalização, diminuindo gradualmente a distância.

O resultado, portanto, não significa necessariamente que todas as pesquisas tenham estado estatisticamente fora de suas margens — isso depende do levantamento e do resultado final consolidado —, mas revela uma ordem diferente daquela apresentada numericamente pelos principais institutos na véspera.

Agora começa outra eleição

O segundo turno muda completamente a matemática da disputa. Os votos dados a Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e aos demais candidatos deixam de ter suas opções originais na urna.

Flávio e Lula terão pouco menos de três semanas para disputar esse eleitorado, além de tentar mobilizar quem se absteve no primeiro turno.

E existe uma pista importante sobre essa transferência.

Na pesquisa Datafolha realizada antes da eleição, entre os eleitores de Augusto Cury, 39% declaravam que escolheriam Flávio em um eventual segundo turno, enquanto 30% migrariam para Lula e 27% votariam branco ou nulo.

Entre os eleitores de Caiado, 44% indicavam Flávio e 27% Lula, com 28% de brancos e nulos. Já entre os eleitores de Renan Santos, 51% declaravam voto em Flávio, contra 19% em Lula e 27% em branco ou nulo. O próprio Datafolha ressalvou que esses grupos representavam amostras pequenas e, portanto, os percentuais precisam ser interpretados com cautela.

O desafio de Lula

Para Lula, um dos desafios objetivos do segundo turno será ampliar sua votação para além da base que o levou à segunda colocação no primeiro turno.

Isso passa por conquistar parte dos eleitores das candidaturas eliminadas, especialmente aqueles que não se identificam diretamente nem com o petismo nem com o bolsonarismo.

A pesquisa Datafolha da véspera já mostrava a dificuldade nesse segmento. Entre os eleitores que não se declaravam alinhados a nenhum dos dois campos, 38% diziam votar em Flávio num segundo turno e 32% em Lula, enquanto 26% indicavam branco ou nulo.

Outro desafio será a mobilização. Segundo turno é uma nova votação: quem não compareceu neste domingo pode votar normalmente em 25 de outubro. Assim, as campanhas também deverão disputar o eleitor que se absteve no primeiro turno.

Flávio também precisa ampliar sua base

Embora tenha terminado o primeiro turno à frente durante a apuração, Flávio também precisa conquistar novos votos. Nenhum dos dois candidatos alcançou a maioria absoluta dos votos válidos necessária para encerrar a eleição neste domingo.

A campanha do candidato do PL entra no segundo turno tentando transformar a vantagem obtida nas urnas em novas adesões entre eleitores das candidaturas eliminadas e consolidar o eleitorado antipetista.

Para Lula, o movimento será inverso: além de preservar sua própria base, precisará reduzir a distância observada no primeiro turno e buscar votos fora do campo tradicional do PT.

Pesquisas de segundo turno mostravam disputa apertada

Há um elemento que impede uma leitura automática do primeiro turno para a etapa seguinte: as pesquisas anteriores já indicavam comportamento diferente quando o eleitor era colocado diretamente diante das duas opções.

No último Datafolha, Lula registrava 47% e Flávio 46% numa simulação de segundo turno, com 6% de brancos e nulos e 2% de indecisos — empate técnico pela margem de erro de dois pontos.

A CNT/MDA também havia testado o confronto direto e registrava 47,3% para Lula e 43,1% para Flávio, além de 7,6% de brancos e nulos e 1,9% de indecisos.

Essas pesquisas foram realizadas antes do resultado do primeiro turno. Novos levantamentos serão necessários para medir como o eleitorado reagiu às urnas e como os votos dos candidatos eliminados começam a se redistribuir.

Três semanas para uma nova disputa

A partir desta segunda-feira, a campanha presidencial entra em uma etapa diferente. Com apenas dois nomes na urna, alianças partidárias, declarações de apoio dos candidatos derrotados, participação em debates, propaganda eleitoral e capacidade de mobilização ganham peso adicional.

O primeiro turno também deixa uma questão importante para os institutos de pesquisa. Na véspera, Lula aparecia numericamente à frente tanto no Datafolha quanto na Quaest, enquanto a apuração colocou Flávio Bolsonaro na primeira posição. A diferença entre pesquisas e urnas deverá ser analisada à luz das margens de erro, metodologias, modelos de comparecimento e do resultado definitivo da eleição.

O que já está definido é o cenário político das próximas três semanas: Flávio Bolsonaro e Lula disputarão diretamente a Presidência da República em 25 de outubro, e milhões de votos dados neste domingo aos demais candidatos estarão novamente disponíveis para escolha.

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