A eleição presidencial brasileira terá segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A definição ocorreu na noite deste domingo (4), depois que a apuração tornou matematicamente impossível uma vitória no primeiro turno. A nova votação está marcada para 25 de outubro.
O dado que marcou a noite, entretanto, foi a inversão em relação às pesquisas divulgadas às vésperas da votação. Com mais de 90% das urnas contabilizadas, Flávio aparecia na frente, enquanto Lula ocupava a segunda posição. A diferença foi diminuindo ao longo da apuração, mas o desempenho do candidato do PL ficou acima do indicado pela maioria dos levantamentos finais.
Urnas surpreendem em relação às pesquisas
Na véspera da eleição, Datafolha e Quaest apresentavam Lula numericamente à frente, embora dentro de cenários de empate técnico.
O Datafolha apontava 45% dos votos válidos para Lula e 42% para Flávio Bolsonaro. A Quaest mostrava 46% para Lula e 45% para Flávio. Ambos trabalhavam com margem de erro de dois pontos percentuais.
O contraste ficou ainda mais evidente durante a contagem. Flávio chegou a ultrapassar 50% dos votos válidos nas primeiras horas da apuração e, posteriormente, recuou à medida que novas urnas foram incorporadas. Lula, por sua vez, avançou durante a totalização, diminuindo gradualmente a distância.
O resultado, portanto, não significa necessariamente que todas as pesquisas tenham estado estatisticamente fora de suas margens — isso depende do levantamento e do resultado final consolidado —, mas revela uma ordem diferente daquela apresentada numericamente pelos principais institutos na véspera.
Agora começa outra eleição
O segundo turno muda completamente a matemática da disputa. Os votos dados a Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e aos demais candidatos deixam de ter suas opções originais na urna.
Flávio e Lula terão pouco menos de três semanas para disputar esse eleitorado, além de tentar mobilizar quem se absteve no primeiro turno.
E existe uma pista importante sobre essa transferência.
Na pesquisa Datafolha realizada antes da eleição, entre os eleitores de Augusto Cury, 39% declaravam que escolheriam Flávio em um eventual segundo turno, enquanto 30% migrariam para Lula e 27% votariam branco ou nulo.
Entre os eleitores de Caiado, 44% indicavam Flávio e 27% Lula, com 28% de brancos e nulos. Já entre os eleitores de Renan Santos, 51% declaravam voto em Flávio, contra 19% em Lula e 27% em branco ou nulo. O próprio Datafolha ressalvou que esses grupos representavam amostras pequenas e, portanto, os percentuais precisam ser interpretados com cautela.
O desafio de Lula
Para Lula, um dos desafios objetivos do segundo turno será ampliar sua votação para além da base que o levou à segunda colocação no primeiro turno.
Isso passa por conquistar parte dos eleitores das candidaturas eliminadas, especialmente aqueles que não se identificam diretamente nem com o petismo nem com o bolsonarismo.





