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ELEIÇÕES 2026

Lula vira nas redes

Para Quaest, Flávio perdeu "condição de favorito"

Redação HOJE BAHIA com ICL Notícias
Publicada em 18 de outubro de 2026 às 08:48
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Lula vira nas redes
Foto: Divulgação / ICL

Segundo o Índice de Popularidade Digital (IPD), elaborado pela consultoria Quaest, o presidente Lula passou Flávio Bolsonaro no ranking de popularidade digital e agora lidera entre os dois candidatos à Presidência após a primeira rodada da eleição. A informação é da Folha de S.Paulo.

Os dados coletados entre 4 e 15 de outubro mostram que Lula ampliou sua pontuação de 70,7 para 82,6. Flávio, por outro lado, caiu de 80 para 76,4 pontos. O índice utiliza um sistema de análise que reúne 175 variáveis de plataformas digitais, entre elas Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, X, Google e Wikipédia. A pontuação pode variar de zero a 100.

Felipe Nunes, diretor da Quaest, afirma que o indicador apresenta, desde 2020, uma correlação elevada com os resultados eleitorais. Para ele, a mudança observada depois do primeiro turno está relacionada à reorganização da campanha petista, que ampliou sua atuação digital e promoveu novas formas de mobilização dos apoiadores.

Uma das mudanças foi a adoção de formatos mais próximos da linguagem das redes sociais. A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ajudou a impulsionar vídeos verticais, com legendas e gravação em estilo selfie. Já André Janones (Rede-MG) participou da articulação do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, utilizado para distribuir tarefas e estimular ações de apoiadores em diferentes plataformas.

A movimentação nas redes também acompanhou acontecimentos presenciais, como atos na Avenida Paulista, em São Paulo, e em Copacabana, no Rio de Janeiro. A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado foi outro episódio que ganhou espaço na comunicação da campanha.

“O indicador é uma sinalização de mudança de quadro. Sugere que Flávio perdeu a condição de favorito que ele sustentava no primeiro turno, muito pelo que chamamos de ‘wake-up call’, ou despertar, da campanha petista, depois do resultado das urnas”, disse Nunes à Folha.

No período posterior à primeira votação, Flávio recebeu declarações de apoio de adversários derrotados na disputa presidencial, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). O ex-presidente Michel Temer (MDB) também manifestou apoio ao senador. Além disso, Flávio foi autorizado a visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar desde agosto do ano passado.

Esses movimentos, porém, não se refletiram em crescimento da popularidade digital do candidato. Ao contrário, o índice registrou uma retração, associada a uma redução no ritmo de mobilização da campanha do PL. Mesmo com a queda, Flávio continua próximo dos níveis mais altos do indicador.

Na avaliação de Nunes, o apoio público de lideranças políticas perdeu parte de sua influência sobre as escolhas do eleitorado. Segundo ele, os eleitores têm recorrido a outras fontes de informação e a formas diferentes de avaliar os candidatos, o que diminui o peso dos endossos tradicionais.

O pesquisador também aponta que a expectativa de vitória entre os apoiadores de Flávio pode ter contribuído para a desaceleração da campanha. No primeiro turno, o senador recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. O resultado pode ter levado parte da equipe bolsonarista a reduzir a intensidade das ações, como se alguns integrantes tivessem “tirado férias”, na descrição de Nunes.

Disputa apertada aumenta importância da mobilização

Para o diretor da Quaest, a capacidade de mobilizar eleitores será determinante na fase final da campanha. A preocupação é especialmente relevante diante dos 33,4 milhões de eleitores que deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno.

“No IPD, há sinais de que Lula está conseguindo mobilizar eleitores no segundo turno e possivelmente aumentar a presença nas urnas. Flávio, que já tem uma base engajada há mais tempo, está estável. O eleitor de Lula está mais motivado, e é possível que isso impacte na eleição, porque pode provocar uma redução, mesmo que mínima, nas abstenções, o que já favoreceria a campanha de Lula em um cenário tão apertado.”

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