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ABUSIVO

MP investiga reajuste da passagem de ônibus de Salvador e cobra planilhas que justificam tarifa de R$ 5,90

Ministério Público apura a transparência e os fundamentos técnicos do aumento aplicado em janeiro. Prefeitura, Semob e Arsal são cobradas a apresentar documentos, esclarecer custos e demonstrar como ocorreu a participação popular.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 23 de outubro de 2026 às 11:11 • Salvador - BA
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O Ministério Público da Bahia (MP-BA) investiga a fundamentação do reajuste da passagem de ônibus de Salvador, que passou de R$ 5,60 para R$ 5,90. O órgão cobra estudos técnicos, planilhas de custos e esclarecimentos sobre a transparência do processo. A abertura da investigação não significa que o aumento tenha sido considerado irregular.
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) investiga a fundamentação do reajuste da passagem de ônibus de Salvador, que passou de R$ 5,60 para R$ 5,90. O órgão cobra estudos técnicos, planilhas de custos e esclarecimentos sobre a transparência do processo. A abertura da investigação não significa que o aumento tenha sido considerado irregular. — Arte ilustrativa gerada por inteligência artificial / Hoje Bahia.

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) abriu um procedimento preparatório para investigar possíveis irregularidades no reajuste da tarifa dos ônibus urbanos de Salvador, que passou de R$ 5,60 para R$ 5,90 em janeiro deste ano.

A apuração, conduzida pela 4ª Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital, pretende esclarecer se o aumento foi acompanhado de estudos técnicos e econômicos, divulgação adequada das planilhas de custos e mecanismos de participação da população.

O procedimento foi instaurado após uma representação conjunta da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) e da Associação Municipal e Metropolitana dos Usuários de Transportes (AMUT).

A principal questão é identificar quais cálculos justificaram a tarifa cobrada de milhares de passageiros que dependem diariamente do transporte coletivo da capital baiana.

Prefeitura terá que apresentar explicações

Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias na quinta-feira (22), o Ministério Público solicitou inicialmente esclarecimentos à Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), responsável pela gestão operacional do transporte público.

A secretaria pediu prorrogação do prazo e, posteriormente, informou que a definição das tarifas é atribuição da Agência Reguladora e Fiscalizadora dos Serviços Públicos de Salvador (Arsal).

Entretanto, conforme o relato do procedimento, a Semob não apresentou as planilhas de custos solicitadas nem esclareceu suficientemente as condições de participação popular no processo de reajuste.

A Arsal também foi notificada e não apresentou resposta dentro do prazo inicialmente estabelecido, segundo a reportagem.

Diante da necessidade de aprofundar a análise documental, o Ministério Público converteu a notícia de fato em procedimento preparatório.

A medida permite realizar novas diligências antes de decidir pelo arquivamento, pela instauração de um inquérito civil ou pela adoção de providências judiciais.

A abertura do procedimento não significa que o reajuste tenha sido considerado ilegal.

O que o Ministério Público quer saber?

As requisições do MP-BA procuram reconstruir o processo administrativo que levou à fixação da tarifa de R$ 5,90.

À Arsal, foi solicitado que apresente, no prazo de dez dias úteis a contar da notificação:

  • Estudos técnicos e econômicos que fundamentaram o reajuste;
  • Memória de cálculo utilizada para definir a passagem;
  • Cópia do processo administrativo de revisão tarifária;
  • Comprovação da realização de audiências públicas e outros mecanismos de participação;
  • Esclarecimentos sobre eventual acordo com o Ministério Público mencionado nas justificativas do aumento.

A Semob também recebeu prazo de dez dias úteis para encaminhar documentos, entre eles o contrato de concessão, seus aditivos, atas do Conselho Municipal de Transporte e o cronograma de entrega de aproximadamente 700 ônibus climatizados.

Já o Município de Salvador foi notificado para apresentar manifestação institucional no prazo de 15 dias úteis.

Os prazos informados não devem ser confundidos com datas já vencidas: sua contagem depende das respectivas notificações.

Por que a passagem aumentou?

O reajuste entrou em vigor em 5 de janeiro de 2026 e elevou a tarifa de R$ 5,60 para R$ 5,90.

O acréscimo de R$ 0,30 representa aumento de aproximadamente 5,36%.

Na ocasião, a Prefeitura de Salvador justificou a atualização com argumentos relacionados ao equilíbrio financeiro do sistema, à elevação dos custos operacionais e aos investimentos realizados para modernizar o transporte coletivo.

A administração municipal destacou ainda a renovação da frota e a retomada de linhas anteriormente suspensas.

No início de janeiro, a gestão também anunciou a aquisição de 300 ônibus, associada a um financiamento de R$ 264 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os investimentos, no entanto, são diferentes de uma demonstração contábil da necessidade de determinada tarifa.

É justamente a documentação que vincula os custos operacionais, as receitas do sistema, as obrigações das concessionárias e a tarifa final que deverá ser examinada pelo Ministério Público.

E os 700 ônibus climatizados?

Outro ponto da investigação envolve referências à incorporação de aproximadamente 700 ônibus com ar-condicionado à frota de Salvador.

O MP-BA solicitou o cronograma de entrega desses veículos, buscando esclarecer os compromissos utilizados nas justificativas apresentadas pela gestão municipal.

A análise deverá permitir distinguir ônibus já incorporados à operação, veículos contratados e entregas programadas.

A quantidade efetivamente disponibilizada à população, as condições operacionais da frota e os custos associados são informações relevantes para avaliar a fundamentação econômica do sistema.

O número de 700 ônibus, citado nas justificativas, não deve ser interpretado automaticamente como uma frota integralmente entregue.

Um acordo com o Ministério Público também está sob análise

Conforme a apuração divulgada, a Prefeitura e a Semob mencionaram anteriormente a existência de um acordo relacionado ao transporte coletivo.

O Ministério Público identificou internamente um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com a Semob na 2ª Promotoria de Justiça do Consumidor e outro procedimento administrativo voltado à qualidade da frota.

Entretanto, a relação desses documentos com o reajuste tarifário ainda precisa ser esclarecida.

A investigação deverá identificar qual instrumento foi mencionado nas justificativas municipais e quais compromissos efetivamente contém.

Não há, nos elementos divulgados, comprovação de que o Ministério Público tenha autorizado especificamente o reajuste para R$ 5,90.

Quanto pesa a tarifa no bolso do passageiro?

O impacto financeiro pode ser demonstrado por uma simulação simples.

Um trabalhador que utilize dois ônibus pagos por dia, sem integração tarifária, durante 22 dias úteis por mês, tem o seguinte custo:

Situação Valor mensal
Tarifa anterior — R$ 5,60 R$ 246,40
Tarifa atual — R$ 5,90 R$ 259,60
Diferença mensal R$ 13,20
Diferença em 12 meses R$ 158,40

Trata-se de um exemplo matemático, e não do custo médio de transporte dos moradores de Salvador.

A despesa real depende da quantidade de deslocamentos, das regras de integração, de gratuidades, da meia-passagem e do eventual fornecimento de vale-transporte pelo empregador.

A passagem de R$ 5,90 é aplicada aos ônibus urbanos convencionais, ao BRT e ao Sistema de Transporte Especial Complementar (STEC), conhecido como sistema dos amarelinhos.

Com o Salvador Card, permanecem disponíveis as integrações previstas nas regras do sistema.

Fiscalização também alcança a qualidade do serviço

Além da investigação sobre o reajuste, o Ministério Público acompanha obrigações contratuais relativas à prestação do transporte público da cidade.

Reportagem do Aratu On, divulgada em 22 de outubro, informa a existência de procedimento administrativo conduzido pela área de Proteção da Moralidade Administrativa e do Patrimônio Público para acompanhar o cumprimento de compromissos firmados entre o poder público e as concessionárias.

Também há procedimento específico para apurar reclamações de passageiros da Cidade Baixa, relacionadas à falta recorrente de ônibus e aos longos intervalos entre viagens.

Nesse último caso, foram solicitadas informações sobre linhas, frota prevista, veículos efetivamente utilizados, fiscalizações e medidas adotadas para normalizar o atendimento.

Essas apurações possuem objetos próprios e não devem ser confundidas com o procedimento da 4ª Promotoria de Justiça do Consumidor que examina a fundamentação do reajuste tarifário.

O que diz a Semob?

Em manifestação divulgada pelo Aratu On, a Semob afirmou que as questões referentes à política tarifária são de competência da Arsal.

A secretaria também explicou que contribui com informações técnicas e operacionais relacionadas ao serviço de transporte.

A posição reafirma a divisão de atribuições apresentada pelo órgão, mas não encerra a necessidade de esclarecer a documentação solicitada pelo Ministério Público.

Até as informações consultadas para esta reportagem, não havia confirmação de conclusão do procedimento nem de determinação para alterar a tarifa.

A passagem pode voltar a R$ 5,60?

A abertura de uma investigação não provoca, automaticamente, a suspensão de um reajuste.

Por enquanto, a tarifa de R$ 5,90 permanece em vigor.

A eventual revisão do valor dependeria de decisão administrativa ou judicial fundamentada, conforme os desdobramentos do caso.

O procedimento poderá resultar em arquivamento, novas diligências, instauração de inquérito civil ou outras medidas previstas na legislação.

Por isso, não é possível afirmar que a passagem será reduzida ou que o aumento será anulado.

Transparência é a questão central

O debate sobre a tarifa vai além do valor cobrado na catraca.

A prestação do transporte coletivo envolve contratos de concessão, despesas operacionais, aquisição e manutenção de veículos, receitas de passageiros, possíveis subsídios públicos e compromissos de qualidade.

Para permitir fiscalização efetiva, é importante que os documentos utilizados na definição da tarifa possam ser examinados pelos órgãos de controle e, nos limites legais aplicáveis, pela população.

A divulgação das planilhas também permite verificar quais custos foram considerados, como foram estimados e quais critérios levaram à cobrança final.

A pergunta que permanece é objetiva: quais dados técnicos demonstram que R$ 5,90 é o valor adequado para a passagem de ônibus de Salvador?

A resposta dependerá dos documentos requisitados pelo Ministério Público e da análise que será realizada sobre eles.

O Hoje Bahia continuará acompanhando o procedimento, as manifestações da Prefeitura, da Semob e da Arsal e seus eventuais desdobramentos.


Fontes consultadas

Bahia Notícias — 22/10/2026
MP-BA investiga falta de transparência no reajuste da tarifa de ônibus em Salvador

Aratu On — 22/10/2026
Ministério Público fiscaliza o transporte público de Salvador e exige explicações

CNN Brasil — 03/01/2026
Salvador passa a ter uma das tarifas de ônibus mais caras do país

Correio — 02/01/2026
Reajuste da passagem de ônibus em Salvador entra em vigor

Referência normativa: Portaria Arsal nº 001/2026, publicada no Diário Oficial do Município.

Apuração e redação: Hoje Bahia | 23 de outubro de 2026.

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