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GASTRONOMIA

Onde comer bem em Salvador: um guia de restaurantes para descobrir os sabores da cidade

Da moqueca à beira-mar na Gamboa à cozinha africana do Madiba, passando por casas tradicionais e restaurantes de alta gastronomia, Salvador oferece experiências que vão muito além do dendê

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 26 de setembro de 2026 às 11:13 • Salvador - BA
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Sabores da Bahia, frutos do mar e a paisagem da Baía de Todos-os-Santos inspiram roteiro gastronômico por diferentes bairros e restaurantes de Salvador.
Sabores da Bahia, frutos do mar e a paisagem da Baía de Todos-os-Santos inspiram roteiro gastronômico por diferentes bairros e restaurantes de Salvador. — Imagem ilustrativa gerada por IA / Hoje Bahia

Comer bem em Salvador pode significar muitas coisas.

Pode ser uma moqueca chegando à mesa ainda borbulhando, diante da Baía de Todos-os-Santos. Pode ser descobrir ingredientes e receitas que ajudam a contar a história da Bahia. Pode ser um menu degustação elaborado por alguns dos chefs mais celebrados da cidade. Ou simplesmente encontrar, quase sem esperar, um restaurante capaz de surpreender.

A gastronomia soteropolitana talvez seja mais interessante justamente por isso: não existe uma única Salvador à mesa. A cidade reúne heranças africanas, indígenas e portuguesas, comida de pescador, cozinha de terreiro, receitas do Recôncavo e uma geração de cozinheiros que passou a reinterpretar ingredientes baianos com técnicas contemporâneas.

O Hoje Bahia preparou um roteiro que não pretende estabelecer um ranking, mas apresentar diferentes maneiras de comer — e conhecer — Salvador.

Gamboa: quando a comida é apenas uma parte da experiência

É difícil falar de lugares especiais para comer em Salvador sem chegar à Gamboa de Baixo.

Ali, a poucos minutos de uma das regiões mais movimentadas da cidade, a sensação é completamente diferente. Mar, barcos, comunidade, comida e uma das vistas mais privilegiadas da Baía de Todos-os-Santos fazem parte do mesmo programa.

Um dos endereços emblemáticos é o Bar da Mônica.

A casa é conhecida especialmente pelos peixes e frutos do mar. Entre as opções já destacadas pelo portal oficial de turismo de Salvador estão peixe frito e moquecas de aratu, polvo, camarão e lagosta, além de versão vegetariana. Parte dos pescados utilizados tradicionalmente vem dos próprios pescadores da comunidade.

Mas seria injusto reduzir a Gamboa a uma única casa.

O Bar Pôr do Sol da Gamboa é outra parada para quem quer combinar comida e paisagem. Moquecas, peixes, camarão e outros frutos do mar aparecem no repertório gastronômico local. E o nome entrega uma das atrações: esperar o fim da tarde diante da Baía.

Aqui vale uma dica importante para a matéria: vá sem pressa. Na Gamboa, almoço, banho de mar e pôr do sol podem fazer parte da mesma experiência. O acesso também integra o passeio — é possível chegar por terra ou utilizar pequenas embarcações a partir da região do Unhão.

Madiba: uma surpresa em Pituaçu

Fora do circuito turístico mais óbvio está um endereço que merece atenção: o Restaurante Madiba - Comida de Preto, em Pituaçu.

Especializado em cozinha africana, o Madiba ajuda a lembrar uma coisa importante: falar da gastronomia de Salvador não significa falar somente dos pratos baianos mais conhecidos.

A presença africana na formação cultural da cidade pode ser percebida também pela comida, e descobrir cozinhas do continente amplia a compreensão das conexões que atravessam a própria culinária baiana.

É justamente o tipo de endereço que pode surpreender quem chega sem grandes referências — e foi uma das experiências que motivaram a inclusão do restaurante neste guia.

Madiba - Pituaçu

Dona Mariquita: comer também é conhecer a história da Bahia

No Rio Vermelho, o Dona Mariquita - Cozinha Patrimonial da Bahia segue outro caminho.

A chef Leila Carreiro define seu trabalho a partir da ideia de cozinha patrimonial da Bahia. A pesquisa recupera receitas e saberes de matrizes indígenas e africanas e investiga pratos preservados durante gerações em famílias, terreiros, feiras e comunidades do Recôncavo.

É uma experiência especialmente interessante para quem visita Salvador querendo compreender por que a culinária baiana é tão diferente do restante do país.

O Dona Mariquita também apareceu entre os restaurantes brasileiros destacados nacionalmente em 2026.

Dona Mariquita - Rio Vermelho

Casa de Tereza: Bahia servida com afeto

Também no Rio Vermelho, o Restaurante Casa de Tereza tornou-se uma das referências da gastronomia baiana contemporânea.

A chef Tereza Paim combina cozinha brasileira e regional com técnicas de alta gastronomia, enquanto o próprio espaço incorpora arte e referências culturais da Bahia.

É uma boa escolha para quem deseja apresentar a culinária baiana a alguém que está conhecendo Salvador pela primeira vez, mas procura uma experiência mais elaborada.

Casa de Tereza - Río Vermelho

Origem: a Bahia contemporânea à mesa

Para quem quer conhecer a vertente autoral da gastronomia soteropolitana, o Restaurante Origem, na Pituba, é uma referência importante.

A casa trabalha a identidade gastronômica baiana a partir de técnicas contemporâneas e foi destacada em 2026 pela CNN Viagem & Gastronomia entre os endereços da cidade que combinam tradição e inovação.

É outro tipo de experiência: menos a busca por um prato isolado e mais uma viagem pelos ingredientes e referências da Bahia.

Manga: criatividade no Rio Vermelho

O Rio Vermelho também abriga o Restaurante Manga.

A casa está entre os nomes de maior projeção da gastronomia contemporânea de Salvador e apareceu em 13º lugar no levantamento nacional dos melhores restaurantes do Brasil publicado pela Casual EXAME em 2026.

É uma alternativa para quem procura uma experiência gastronômica autoral, distante da ideia de que comer na Bahia obrigatoriamente significa escolher entre moqueca, acarajé e frutos do mar.

Boia: produtos locais sob outro olhar

No Horto Florestal, o Boia Restaurante  representa outra face dessa renovação.

O restaurante ganhou destaque nacional em 2026 pelo trabalho do chef Kaywa Hilton, construído em torno de produtos locais. A casa avançou expressivamente no levantamento nacional publicado naquele ano.

É mais um exemplo de como ingredientes familiares aos baianos podem ganhar novas apresentações e combinações.

Amado: almoço com a Baía de Todos-os-Santos como cenário

No Comércio, o Amado une gastronomia e uma localização difícil de ignorar.

Instalado de frente para a Baía de Todos-os-Santos, tornou-se um dos restaurantes clássicos da cidade. A casa, ligada ao chef Edinho Engel, completou duas décadas de trajetória e também apareceu entre os destaques nacionais de 2026.

É daqueles lugares em que a mesa e a paisagem disputam atenção.

Salvador também cabe em outras cozinhas

Um bom guia da cidade não precisa se limitar à culinária baiana.

No Rio Vermelho, o Pasta em Casa - Unidade Rio Vermelho | Restaurante de Culinária Italiana em Salvador oferece cozinha italiana; o Shanti Restaurante explora sabores asiáticos e tailandeses.

Para frutos do mar com vista para a Baía, há ainda o Restaurante Lafayette, na Bahia Marina.

Essa diversidade ajuda a explicar a cena gastronômica atual de Salvador: a tradição permanece muito presente, mas convive com cozinhas de outras partes do mundo e com novas interpretações dos próprios ingredientes baianos.

Para comer como parte de uma viagem por Salvador

Talvez a melhor maneira de utilizar este guia seja não perguntar simplesmente “qual é o melhor restaurante de Salvador?”, mas “qual Salvador eu quero conhecer hoje?”

Se a ideia é comer peixe, mergulhar e assistir ao pôr do sol, a Gamboa oferece uma experiência difícil de reproduzir em outro lugar.

Se a curiosidade é pelas conexões com o continente africano, Madiba entra no roteiro.

Para compreender a memória alimentar baiana, Dona Mariquita. Para uma cozinha regional mais elaborada, Casa de Tereza. E para acompanhar o movimento contemporâneo da gastronomia da cidade, casas como Origem, Manga e Boia mostram outras possibilidades.

Salvador pode ser conhecida pelas praias, igrejas, música, festas e arquitetura. Mas existe uma outra maneira particularmente prazerosa de percorrê-la: sentando-se à mesa em diferentes bairros e deixando que a comida conte a história da cidade.

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