ELEIÇÕES 2026
Apuração oficialDados oficiais do TSE a partir das 17hVER RESULTADOS ›
🌤️ Previsão do tempoConsultar →
ELEIÇÕES 2026

PL dispara e nova Câmara terá direita fortalecida; veja como ficam as 513 cadeiras

Partido elege 121 deputados e terá quase um quarto da Câmara a partir de 2027; resultado amplia peso da direita, mas centro mantém papel decisivo para formar maiorias e alcançar os 308 votos necessários para mudanças na Constituição

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 05 de outubro de 2026 às 09:40 • Salvador - BA
Ouça esta matéria
Compartilhe:
Nova composição da Câmara dos Deputados projetada para 2027. O PL emerge das eleições de 2026 como a maior bancada da Casa, enquanto partidos de centro permanecem decisivos para a formação de maiorias. A Câmara tem 513 cadeiras; são necessários 257 votos para maioria absoluta e 308 para aprovar uma PEC.
Nova composição da Câmara dos Deputados projetada para 2027. O PL emerge das eleições de 2026 como a maior bancada da Casa, enquanto partidos de centro permanecem decisivos para a formação de maiorias. A Câmara tem 513 cadeiras; são necessários 257 votos para maioria absoluta e 308 para aprovar uma PEC. — Arte Hoje Bahia.

As eleições de 2026 redesenharam a correlação de forças na Câmara dos Deputados. Diferentemente do Senado, onde apenas dois terços das cadeiras foram submetidos às urnas, todos os 513 mandatos de deputado federal foram disputados neste domingo (4).

O principal resultado é o crescimento do PL.

Segundo a Agência Câmara, o partido elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Casa a partir de 1º de fevereiro de 2027. O número representa quase um quarto de todas as cadeiras e um crescimento de 24 deputados na comparação utilizada pela Câmara com a eleição anterior.

O resultado consolida uma Câmara com forte presença da direita, mas não elimina o papel decisivo dos partidos de centro e centro-direita.

Isso porque nenhuma legenda ou campo político governará sozinho uma Casa fragmentada em diferentes bancadas.

PL TERÁ QUASE UMA EM CADA QUATRO CADEIRAS

Com 121 deputados, o PL ocupará aproximadamente 23,6% das 513 cadeiras.

O resultado também tem dimensão histórica.

Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) aponta que essa é a maior bancada obtida por uma legenda desde o início da série histórica da entidade, em 1990. O recorde anterior era do então PMDB, que elegeu 109 deputados naquele ano.

Na comparação feita pelo DIAP entre as eleições de 2022 e 2026, o PL saltou de 99 para 121 representantes.

A expansão também ocorre no Senado, onde o partido saiu das urnas como principal força partidária. Assim, o PL começará a próxima legislatura ocupando posição central nas duas Casas do Congresso Nacional.

ESQUERDA MANTÉM BLOCO EXPRESSIVO

A esquerda continuará tendo uma bancada relevante na Câmara.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, aparece como a segunda maior força partidária/federativa.

Há, entretanto, uma divergência entre levantamentos publicados nesta segunda-feira.

A Agência Câmara, com base em projeção feita quando 99,9% dos votos estavam apurados e sem possibilidade de alteração do resultado geral, informa 82 deputados para a Federação PT-PCdoB-PV.

Já o levantamento divulgado pelo DIAP contabiliza 88 deputados para a federação.

O Hoje Bahia acompanha a atualização dessa composição e adotará como referência prioritária a consolidação divulgada oficialmente pela Câmara dos Deputados.

Além da federação liderada pelo PT, PSOL/Rede, PSB e PDT também integrarão o conjunto de partidos situados predominantemente à esquerda ou centro-esquerda.

CENTRO CONTINUA FUNDAMENTAL

O crescimento do PL não significa que a Câmara tenha deixado de ser fragmentada.

Partidos como União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos e Podemos continuarão reunindo um contingente muito expressivo de deputados.

E é justamente nesse conjunto que provavelmente estará a chave para grande parte das votações.

União Brasil e PP, hoje reunidos na Federação União Progressista, constituem juntos um dos maiores agrupamentos parlamentares da Câmara.

O DIAP contabiliza 87 deputados para PP/União na nova legislatura.

O PSD aparece com 43, Republicanos com 41, MDB com 36 e Podemos com 27 no levantamento da entidade.

Esses partidos não devem ser tratados automaticamente como um bloco ideológico único.

Dependendo do assunto, podem votar com a direita, com o governo ou dividir suas próprias bancadas. É justamente essa característica que mantém o chamado centro parlamentar como elemento fundamental para a governabilidade.

DIREITA AVANÇA, MAS PRECISARÁ CONSTRUIR ALIANÇAS

O desenho político produzido pelas urnas aponta para uma Câmara com maior peso da direita.

O PL lidera esse movimento com ampla vantagem sobre qualquer outra legenda individual. O Novo também avançou: segundo o DIAP, passou da bancada atual de cinco para dez deputados.

Mas transformar vantagem numérica em controle das votações depende da capacidade de formar coalizões.

O primeiro número fundamental é 257.

Esse é o patamar correspondente à maioria absoluta dos 513 deputados.

O PL, portanto, mesmo com seus 121 parlamentares, estará 136 votos abaixo da maioria absoluta.

Para alcançar esse patamar, precisará negociar com outras bancadas.

A BARREIRA DOS 308 VOTOS

Existe ainda uma linha muito mais difícil de alcançar: 308 deputados.

Esse é o número mínimo necessário para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), equivalente a três quintos dos integrantes da Câmara.

Uma PEC precisa alcançar os 308 votos em dois turnos de votação.

Isso significa que mesmo uma Câmara numericamente deslocada para a direita não necessariamente funcionará como um bloco homogêneo capaz de alterar a Constituição.

Para chegar aos 308 votos, qualquer coalizão precisará atravessar diferentes partidos e setores do centro político.

É justamente aí que União/PP, PSD, MDB, Republicanos e Podemos podem adquirir enorme capacidade de negociação.

QUEM GANHOU E QUEM PERDEU ESPAÇO

O levantamento do DIAP permite observar algumas das principais movimentações entre a Câmara atual e aquela que tomará posse em 2027.

O PL é o grande vencedor: passa da atual bancada de 98 para 121 deputados, ganho de 23 cadeiras em relação à composição atual.

O Novo também cresce, de cinco para dez.

Na outra direção, a Federação União Progressista — PP e União Brasil — passa de 98 parlamentares na composição atual para 87 eleitos, redução de 11 cadeiras.

O PSD cai de 48 para 43.

O PSDB/Cidadania recua de 19 para 11.

O PDT passa de dez para seis.

MDB cai de 38 para 36, enquanto PSB passa de 17 para 15.

Republicanos recua ligeiramente, de 42 para 41.

Podemos permanece com 27 deputados.

RENOVAÇÃO FICA EM 38,7%

Apesar da mudança na correlação partidária, a maior parte da Câmara continuará sendo formada por parlamentares que já passaram pela Casa.

A Agência Câmara informa que a taxa de renovação ficou em 38,7%, enquanto o índice de reeleição alcançou 58,6% entre os deputados que tentaram permanecer no cargo.

Isso mostra que a transformação de 2026 ocorreu menos por uma substituição generalizada dos nomes e mais pela redistribuição das forças partidárias dentro da própria Câmara.

O QUE MUDA PARA O PRÓXIMO PRESIDENTE

A nova composição terá impacto direto sobre quem ocupar o Palácio do Planalto a partir de 2027.

Seja qual for o vencedor do segundo turno presidencial, o próximo governo precisará construir uma coalizão parlamentar ampla.

A razão está na matemática.

513 deputados compõem a Câmara.

257 representam maioria absoluta.

308 são necessários para aprovar uma PEC.

O PL possuirá 121.

Portanto, mesmo sendo disparadamente a maior legenda, não terá sozinho nem metade dos votos necessários para controlar uma maioria absoluta.

Da mesma forma, os partidos de esquerda também precisarão buscar apoio além de seu campo político para aprovar projetos que exijam maiorias qualificadas.

Essa configuração aumenta o peso das bancadas intermediárias.

UMA CÂMARA MAIS À DIREITA, MAS AINDA DEPENDENTE DO CENTRO

O resultado permite afirmar que a correlação partidária da Câmara se deslocou para a direita, principalmente pelo crescimento expressivo do PL e pela manutenção de grandes bancadas de partidos situados da centro-direita à direita.

Isso, porém, não significa que exista automaticamente um bloco único e disciplinado com centenas de votos.

PP, União Brasil, PSD, MDB, Republicanos e Podemos possuem diferenças regionais, programáticas e de relacionamento com governo e oposição.

A posição dessas legendas poderá mudar de acordo com cada pauta.

Por isso, o novo desenho produz uma aparente contradição: a Câmara ficará mais à direita, mas o centro continuará decisivo.

ELEIÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA CÂMARA SERÁ PRIMEIRO GRANDE TESTE

A primeira demonstração prática dessa nova correlação ocorrerá antes mesmo das grandes votações legislativas.

Em fevereiro de 2027, os deputados escolherão o presidente da Câmara.

O cargo é estratégico.

É o presidente quem organiza a pauta do plenário, decide sobre a tramitação de diversos procedimentos e ocupa o segundo lugar na linha sucessória da Presidência da República, depois do vice-presidente.

Com 121 deputados, o PL chegará à disputa com a maior bancada individual.

Mas serão necessários 257 votos para eleger o presidente da Câmara nos dois primeiros escrutínios. Caso ninguém alcance a maioria absoluta, os dois mais votados disputam o segundo turno, quando vence quem obtiver maioria simples.

Isso transforma a eleição da Mesa Diretora no primeiro grande teste sobre como PL, esquerda e partidos de centro irão se organizar na nova legislatura.

CONGRESSO DE 2027 TERÁ NOVA CORRELAÇÃO DE FORÇAS

Quando a composição da Câmara é analisada junto com a eleição para o Senado, surge uma mudança mais ampla no Congresso Nacional.

O PL será a maior bancada individual nas duas Casas.

Na Câmara, terá 121 dos 513 deputados.

No Senado, também emergiu das eleições de 2026 como principal força partidária.

O resultado dá à legenda capacidade de influência muito maior sobre comissões, relatorias, presidências de colegiados, Mesa Diretora e negociações legislativas.

Mas os números também deixam uma conclusão importante: nenhum dos grandes campos políticos terá condições de governar o Congresso sozinho.

A direita chega fortalecida.

A esquerda preserva um núcleo parlamentar relevante.

E o centro, mesmo perdendo espaço relativo para o crescimento do PL, continuará possuindo votos suficientes para decidir grande parte das disputas mais importantes da próxima legislatura.

A Câmara que toma posse em fevereiro de 2027 será, portanto, não apenas mais inclinada à direita, mas também palco de uma intensa disputa pela formação de maiorias — especialmente quando estiverem em jogo os 257 votos da maioria absoluta e, principalmente, os 308 necessários para alterar a Constituição.


Nota do Hoje Bahia: os levantamentos divulgados nas primeiras horas após a eleição apresentam divergência na distribuição de algumas cadeiras entre partidos e federações. A Agência Câmara informa 82 eleitos para a Federação PT-PCdoB-PV, enquanto o DIAP contabiliza 88. O Hoje Bahia atualizará o quadro partidário detalhado conforme a consolidação oficial da composição da Câmara.

Comentários

Participe da conversa sobre esta notícia. Seu e-mail não será exibido.

Carregando comentários…

Assuntos
Agência CâmaraAssessoria ParlamentarCâmaraCâmara dos DeputadosDIAPMDBPSDUnião Brasil