As eleições de 2026 redesenharam a correlação de forças na Câmara dos Deputados. Diferentemente do Senado, onde apenas dois terços das cadeiras foram submetidos às urnas, todos os 513 mandatos de deputado federal foram disputados neste domingo (4).
O principal resultado é o crescimento do PL.
Segundo a Agência Câmara, o partido elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Casa a partir de 1º de fevereiro de 2027. O número representa quase um quarto de todas as cadeiras e um crescimento de 24 deputados na comparação utilizada pela Câmara com a eleição anterior.
O resultado consolida uma Câmara com forte presença da direita, mas não elimina o papel decisivo dos partidos de centro e centro-direita.
Isso porque nenhuma legenda ou campo político governará sozinho uma Casa fragmentada em diferentes bancadas.
PL TERÁ QUASE UMA EM CADA QUATRO CADEIRAS
Com 121 deputados, o PL ocupará aproximadamente 23,6% das 513 cadeiras.
O resultado também tem dimensão histórica.
Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) aponta que essa é a maior bancada obtida por uma legenda desde o início da série histórica da entidade, em 1990. O recorde anterior era do então PMDB, que elegeu 109 deputados naquele ano.
Na comparação feita pelo DIAP entre as eleições de 2022 e 2026, o PL saltou de 99 para 121 representantes.
A expansão também ocorre no Senado, onde o partido saiu das urnas como principal força partidária. Assim, o PL começará a próxima legislatura ocupando posição central nas duas Casas do Congresso Nacional.
ESQUERDA MANTÉM BLOCO EXPRESSIVO
A esquerda continuará tendo uma bancada relevante na Câmara.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, aparece como a segunda maior força partidária/federativa.
Há, entretanto, uma divergência entre levantamentos publicados nesta segunda-feira.
A Agência Câmara, com base em projeção feita quando 99,9% dos votos estavam apurados e sem possibilidade de alteração do resultado geral, informa 82 deputados para a Federação PT-PCdoB-PV.
Já o levantamento divulgado pelo DIAP contabiliza 88 deputados para a federação.
O Hoje Bahia acompanha a atualização dessa composição e adotará como referência prioritária a consolidação divulgada oficialmente pela Câmara dos Deputados.
Além da federação liderada pelo PT, PSOL/Rede, PSB e PDT também integrarão o conjunto de partidos situados predominantemente à esquerda ou centro-esquerda.
CENTRO CONTINUA FUNDAMENTAL
O crescimento do PL não significa que a Câmara tenha deixado de ser fragmentada.
Partidos como União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos e Podemos continuarão reunindo um contingente muito expressivo de deputados.
E é justamente nesse conjunto que provavelmente estará a chave para grande parte das votações.
União Brasil e PP, hoje reunidos na Federação União Progressista, constituem juntos um dos maiores agrupamentos parlamentares da Câmara.
O DIAP contabiliza 87 deputados para PP/União na nova legislatura.
O PSD aparece com 43, Republicanos com 41, MDB com 36 e Podemos com 27 no levantamento da entidade.
Esses partidos não devem ser tratados automaticamente como um bloco ideológico único.
Dependendo do assunto, podem votar com a direita, com o governo ou dividir suas próprias bancadas. É justamente essa característica que mantém o chamado centro parlamentar como elemento fundamental para a governabilidade.
DIREITA AVANÇA, MAS PRECISARÁ CONSTRUIR ALIANÇAS
O desenho político produzido pelas urnas aponta para uma Câmara com maior peso da direita.
O PL lidera esse movimento com ampla vantagem sobre qualquer outra legenda individual. O Novo também avançou: segundo o DIAP, passou da bancada atual de cinco para dez deputados.
Mas transformar vantagem numérica em controle das votações depende da capacidade de formar coalizões.
O primeiro número fundamental é 257.
Esse é o patamar correspondente à maioria absoluta dos 513 deputados.
O PL, portanto, mesmo com seus 121 parlamentares, estará 136 votos abaixo da maioria absoluta.
Para alcançar esse patamar, precisará negociar com outras bancadas.
A BARREIRA DOS 308 VOTOS
Existe ainda uma linha muito mais difícil de alcançar: 308 deputados.
Esse é o número mínimo necessário para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), equivalente a três quintos dos integrantes da Câmara.
Uma PEC precisa alcançar os 308 votos em dois turnos de votação.
Isso significa que mesmo uma Câmara numericamente deslocada para a direita não necessariamente funcionará como um bloco homogêneo capaz de alterar a Constituição.
Para chegar aos 308 votos, qualquer coalizão precisará atravessar diferentes partidos e setores do centro político.
É justamente aí que União/PP, PSD, MDB, Republicanos e Podemos podem adquirir enorme capacidade de negociação.
QUEM GANHOU E QUEM PERDEU ESPAÇO
O levantamento do DIAP permite observar algumas das principais movimentações entre a Câmara atual e aquela que tomará posse em 2027.
O PL é o grande vencedor: passa da atual bancada de 98 para 121 deputados, ganho de 23 cadeiras em relação à composição atual.
O Novo também cresce, de cinco para dez.
Na outra direção, a Federação União Progressista — PP e União Brasil — passa de 98 parlamentares na composição atual para 87 eleitos, redução de 11 cadeiras.






