A paisagem da Baía de
Todos-os-Santos está prestes a ganhar um novo elemento - e a Bahia, uma nova
ligação entre sua capital e o interior.
Com 12,4 quilômetros de
extensão sobre a baía, a Ponte Salvador-Itaparica é um dos maiores projetos
de infraestrutura em andamento no Brasil e deverá produzir efeitos que vão
muito além da mobilidade. A obra integra um sistema viário que pretende
aproximar Salvador do Recôncavo, do Baixo Sul e de outras regiões do estado,
com impactos esperados no turismo, na logística, no mercado de trabalho e na
distribuição da atividade econômica.
A ponte terá sua cabeceira na
região da Gameleira, no município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica. Do
outro lado, em Salvador, o acesso será feito pela região de Água de Meninos.
A previsão contratual atual é de
conclusão da obra em junho de 2031.
Não é
apenas uma ponte
Embora seja o elemento mais
visível do empreendimento, a estrutura sobre a baía é apenas parte de um
projeto muito maior.
Em Salvador, estão previstos
novos acessos, viadutos e túneis conectados à Via Expressa e às avenidas
Jequitaia e Engenheiro Oscar Pontes.
Na Ilha de Itaparica, o projeto
prevê uma nova via expressa com aproximadamente 22 quilômetros, além de
uma variante destinada a retirar parte do tráfego de passagem da área urbana de
Mar Grande.
O sistema inclui ainda a
recuperação e duplicação de aproximadamente 8,8 quilômetros da BA-001,
entre a nova variante e a Ponte do Funil.
Na prática, será criado um novo
corredor rodoviário entre Salvador e o interior baiano.
A porta
de entrada será a Gameleira
Para os moradores de Vera Cruz,
uma das informações mais importantes é a localização da cabeceira.
A ponte chegará à ilha na
região da Gameleira, e não diretamente no centro de Mar Grande.
A partir da cabeceira, o sistema
viário seguirá em direção ao interior da ilha. A região do Rio Jaburu
deverá abrigar uma praça de pedágio, enquanto Mar Grande estará inserida no
novo sistema de circulação rodoviária.
O projeto prevê ainda uma
variante para reduzir o tráfego de passagem pela área urbana de Mar Grande.
A mudança poderá ser
significativa para a cidade, que deverá experimentar simultaneamente maior
acessibilidade, aumento do fluxo de pessoas e veículos e pressão por novos
investimentos imobiliários, comerciais e turísticos.
É uma transformação que exigirá
planejamento urbano para que a infraestrutura não produza apenas crescimento,
mas também qualidade de vida.
28 mil
veículos por dia
A expectativa oficial é que o
sistema receba aproximadamente 28 mil veículos por dia já no início da
operação.
Além de facilitar o deslocamento
entre Salvador e a Ilha de Itaparica, a nova ligação deverá encurtar em cerca
de 100 quilômetros as viagens entre a capital e importantes rodovias
federais, como as BR-101, BR-116 e BR-242.
Isso poderá representar redução
de tempo e de custos para passageiros e transportadores.
A consequência econômica pode ser
relevante: quanto menor a distância e maior a facilidade de circulação, maior
tende a ser a integração entre mercados consumidores, produtores e prestadores
de serviços.
250
municípios no raio de influência
Segundo as projeções do Governo
da Bahia, aproximadamente 250 municípios serão beneficiados direta ou
indiretamente pelo novo sistema.
Entre as regiões apontadas como
principais beneficiárias estão o Recôncavo Sul, o Baixo Sul e a Região
Metropolitana de Salvador.
A estimativa é de que cerca de 10
milhões de baianos estejam no raio de influência direta ou indireta do
empreendimento.
A expectativa é que a nova
infraestrutura contribua também para desconcentrar a economia baiana,
historicamente muito vinculada à Região Metropolitana de Salvador.
Se os investimentos acompanharem
a melhoria da infraestrutura, municípios do interior poderão ganhar melhores
condições para atrair empresas, ampliar serviços e desenvolver novas atividades
econômicas.
Turismo
pode ganhar novo impulso
Outro setor que poderá sentir os
efeitos da nova ligação é o turismo.
A Ilha de Itaparica, com suas
praias, patrimônio histórico, manifestações culturais e paisagens naturais,
poderá ficar mais acessível aos visitantes que chegam a Salvador.
Mas o impacto potencial não
termina na ilha.
A proximidade com a capital
poderá beneficiar destinos turísticos do Recôncavo e do Baixo Sul,
criando novas possibilidades para hotéis, pousadas, restaurantes, comércio,
transporte e serviços ligados ao turismo.
A ponte poderá, portanto, fazer
mais do que encurtar distâncias: poderá contribuir para a criação de novos
roteiros turísticos dentro da própria Bahia.
Sete mil
empregos
Durante a construção, já
iniciada, a previsão é de geração de aproximadamente sete mil empregos.
Mas o efeito sobre o mercado de
trabalho poderá ultrapassar os postos diretamente ligados à engenharia e à
construção civil.





