A construção da Ponte Salvador–Itaparica ganhou um novo compromisso financeiro nesta terça-feira (13), com a formalização de R$ 3 bilhões do Governo Federal para o empreendimento.
O termo foi assinado em Brasília pelo governador Jerônimo Rodrigues e pelo ministro dos Transportes, George Santoro, no âmbito do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
A iniciativa representa um avanço na estruturação do financiamento de um dos maiores projetos de infraestrutura da Bahia, mas não significa que toda a verba tenha sido transferida imediatamente ou que os recursos, isoladamente, garantam a conclusão da obra.
Com orçamento total estimado em R$ 11,6 bilhões, a construção é executada por meio de uma parceria público-privada e tem previsão contratual de entrega em junho de 2031.
O grande desafio será transformar os compromissos financeiros e as etapas iniciais de construção em um sistema rodoviário concluído, operacional e capaz de produzir os benefícios econômicos anunciados.
De onde virão os R$ 11,6 bilhões?
De acordo com a composição financeira divulgada pelo Governo da Bahia, os investimentos estimados estão distribuídos entre três fontes:
- Governo Federal: R$ 3 bilhões, vinculados ao Novo PAC.
- Governo da Bahia: R$ 3,1 bilhões, referentes à participação estadual no financiamento da obra.
- Iniciativa privada: R$ 5,5 bilhões, previstos na estrutura da parceria público-privada.
A participação federal corresponde a aproximadamente 26% do investimento total anunciado.
O termo assinado prevê mecanismos de acompanhamento, planejamento e prestação de contas, com desembolsos associados ao plano de trabalho e às obrigações contratuais.
É importante distinguir três situações: a previsão de um investimento, a formalização de um compromisso financeiro e o pagamento efetivo de recursos. A assinatura de um termo não permite afirmar que os R$ 3 bilhões já estejam integralmente disponíveis na conta da obra.
O projeto envolve recursos públicos expressivos e investimentos privados, exigindo transparência sobre o fluxo dos pagamentos, os riscos assumidos por cada participante e as condições de financiamento.
Quando a ponte ficará pronta?
O prazo oficial atualmente divulgado pelo Governo da Bahia é junho de 2031.
A previsão decorre do primeiro termo aditivo ao contrato de concessão, assinado em 4 de junho de 2025.
O acordo redefiniu o cronograma do empreendimento após a renegociação do contrato original, assinado em 2020.
Pelas condições apresentadas pelo Estado, a concessionária dispõe de um período contratual de seis anos, contado do aditivo, para desenvolver projetos, obter licenças e executar as obras.
Após essa fase, estão previstos mais 29 anos de operação e manutenção do sistema pela concessionária.
O calendário contratual, entretanto, é uma previsão, e não a confirmação antecipada de que a estrutura estará pronta na data anunciada.
Fatores técnicos, ambientais, financeiros e operacionais podem influenciar a execução. Por isso, o acompanhamento das entregas intermediárias será fundamental para avaliar se junho de 2031 continua sendo uma meta factível.
O que já foi construído?
A obra deixou a fase exclusivamente preparatória e apresenta atividades em diferentes locais.
Em 1º de julho de 2026, o Governo Federal e o Governo da Bahia participaram de uma cerimônia de cravação simbólica da primeira estaca, em Vera Cruz.
Em atualização divulgada pela Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste em 7 de outubro, o Estado informou que 15 estacas haviam sido cravadas na Baía de Todos-os-Santos para implantação de uma central de concreto destinada a apoiar a construção do vão central.
Esse detalhe é importante: as estacas mencionadas foram identificadas como parte da infraestrutura de apoio ao futuro vão central, não como comprovação de que a ponte já tenha 15 pilares definitivos concluídos.
Há atividades em andamento no canteiro de Vera Cruz, relacionadas à Plataforma Linear Provisória, estrutura que dará suporte aos serviços sobre o mar.
Em Salvador, o canteiro da Jequitaia passa por mobilização para abrigar atividades administrativas e operacionais.
Em São Roque do Paraguaçu, no município de Maragogipe, funciona uma área de apoio industrial destinada à preparação e ao armazenamento de materiais e equipamentos.
O Estado também anunciou para novembro a chegada ao Brasil de uma embarcação de grande capacidade para a execução de fundações marítimas.
A ponte é apenas uma parte do projeto
A ligação de 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos constitui o elemento mais conhecido do empreendimento, mas o projeto envolve intervenções rodoviárias nos dois lados da travessia.
Em Salvador, estão previstos aproximadamente 4,4 quilômetros de acessos, incluindo viadutos e túneis destinados à ligação com a Via Expressa e com a região da Jequitaia e Água de Meninos.
Na Ilha de Itaparica, o planejamento inclui uma nova via expressa de cerca de 22 quilômetros e a duplicação de aproximadamente oito quilômetros da BA-001, no trecho em direção à Ponte do Funil.
A conclusão física da ponte, sem a adequada integração desses acessos, não produziria integralmente os efeitos de mobilidade esperados.
Como a obra poderá transformar o transporte?
Atualmente, o deslocamento entre Salvador e a Ilha de Itaparica depende principalmente do sistema ferry-boat, de outras embarcações e de rotas rodoviárias alternativas pelo continente.
A ponte criará uma ligação permanente para o transporte terrestre, com potencial para reduzir percursos e ampliar a circulação de pessoas e mercadorias.





