Duas das principais pesquisas nacionais divulgadas nesta reta final da eleição presidencial de 2026 apresentam um ponto de convergência que chama atenção: tanto a Quaest quanto a BTG/Nexus colocam Luiz Inácio Lula da Silva cinco pontos percentuais à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Os levantamentos foram divulgados na segunda-feira (28), utilizaram amostras próximas de 2 mil eleitores e têm margem de erro de dois pontos percentuais. Apesar dessas semelhanças, há uma diferença importante: a forma como cada instituto chega até o eleitor.
Na Quaest, Lula aparece com 39%, contra 34% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury e Ronaldo Caiado têm 4% cada; Renan Santos, 3%; e Romeu Zema, 1%. Outros candidatos não pontuaram. A pesquisa registra ainda 10% de votos brancos, nulos ou eleitores que dizem que não votarão e 5% de indecisos.
Na BTG/Nexus, os percentuais dos dois primeiros são mais elevados: Lula tem 42% e Flávio Bolsonaro, 37%. Augusto Cury e Ronaldo Caiado aparecem com 5% cada, Renan Santos tem 4% e Zema, 1%. Brancos e nulos representam 3%, enquanto 2% não souberam responder.
Ou seja: os números absolutos são diferentes, mas a distância é rigorosamente a mesma:
Quaest: Lula 39% × 34% Flávio — diferença de 5 pontos.
BTG/Nexus: Lula 42% × 37% Flávio — diferença de 5 pontos.
Nos dois levantamentos, portanto, Lula aparece numericamente à frente no primeiro turno.
Por que os números são diferentes?
Um dos pontos mais importantes para compreender pesquisas eleitorais é que resultados de institutos diferentes não precisam ser idênticos para apontar uma fotografia semelhante da eleição.
Quaest e Nexus trabalham com metodologias distintas.
A Quaest realizou 2.004 entrevistas presenciais, entre 24 e 27 de setembro. O levantamento foi contratado pela Globo e pelo jornal O Globo, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-06520/2026.
Já a Nexus entrevistou 2.000 eleitores por telefone, utilizando o sistema CATI — entrevista telefônica assistida por computador — entre 25 e 27 de setembro. A pesquisa, contratada pelo BTG Pactual, também possui margem de erro de dois pontos e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-07557/2026.
Na Nexus, a amostra tem distribuição proporcional pelas regiões do país e controla variáveis como sexo, idade, escolaridade, tipo de telefonia e DDD, utilizando como referências dados da PNAD Contínua, do IBGE, e do TSE.
A Quaest, por sua vez, incorporou em 2026 uma dimensão adicional ao desenho da amostra. Além das características sociodemográficas, o instituto passou a utilizar um mapeamento das preferências eleitorais observadas nos últimos oito anos para agrupar municípios e setores censitários com características políticas e sociais semelhantes. Segundo a própria Quaest, a intenção é assegurar a representação de diferentes segmentos políticos no desenho da amostra.
Portanto, não é apenas uma diferença entre “telefone” e “presencial”. Seleção da amostra, distribuição territorial, cotas, ponderações e tratamento estatístico também podem influenciar os números finais.
Um detalhe importante: brancos, nulos e indecisos
Essa talvez seja uma das diferenças mais interessantes entre os dois levantamentos.
Na Quaest, 10% declaram branco, nulo ou que não votarão e outros 5% estão indecisos. Na BTG/Nexus, são 3% de brancos/nulos e 2% que não sabem ou não responderam.
Isso ajuda a compreender por que Lula e Flávio aparecem com percentuais maiores na Nexus, embora a distância entre eles permaneça exatamente a mesma.
Não significa, por si só, que uma pesquisa esteja correta e outra errada. Os questionários, a abordagem do entrevistador, o meio pelo qual a entrevista é realizada e o desenho metodológico podem produzir distribuições diferentes das respostas.
É justamente por isso que comparar pesquisas apenas pelos percentuais dos candidatos pode esconder uma parte importante da informação.
Segundo turno mostra disputa ainda mais apertada
Quando a pergunta deixa de ser o primeiro turno e passa para um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, as duas pesquisas também mostram uma disputa estreita.
Na Quaest há empate numérico: 42% para Lula e 42% para Flávio. Brancos, nulos ou eleitores que não pretendem votar representam 13%, enquanto 3% permanecem indecisos.
Na BTG/Nexus, Lula registra 46% e Flávio, 44%. Como a diferença de dois pontos está dentro da margem de erro informada pelo instituto, o levantamento caracteriza o cenário como empate técnico.





