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ELEIÇÕES 2026

Quaest e BTG/Nexus apontam Lula cinco pontos à frente de Flávio; metodologias diferentes ajudam a explicar variações

Pesquisas divulgadas no mesmo dia chegam à mesma diferença entre os dois primeiros colocados no primeiro turno, mas apresentam números distintos; forma de coleta e desenho amostral estão entre as diferenças dos levantamentos

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 29 de setembro de 2026 às 08:57 • Salvador - BA
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Pesquisas Quaest e BTG/Nexus divulgadas em 28 de setembro mostram Lula cinco pontos percentuais à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, apesar das diferenças entre os métodos de coleta e os percentuais registrados por cada instituto.
Pesquisas Quaest e BTG/Nexus divulgadas em 28 de setembro mostram Lula cinco pontos percentuais à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, apesar das diferenças entre os métodos de coleta e os percentuais registrados por cada instituto. — Arte: Hoje Bahia / Imagem gerada com inteligência artificial.

Duas das principais pesquisas nacionais divulgadas nesta reta final da eleição presidencial de 2026 apresentam um ponto de convergência que chama atenção: tanto a Quaest quanto a BTG/Nexus colocam Luiz Inácio Lula da Silva cinco pontos percentuais à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Os levantamentos foram divulgados na segunda-feira (28), utilizaram amostras próximas de 2 mil eleitores e têm margem de erro de dois pontos percentuais. Apesar dessas semelhanças, há uma diferença importante: a forma como cada instituto chega até o eleitor.

Na Quaest, Lula aparece com 39%, contra 34% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury e Ronaldo Caiado têm 4% cada; Renan Santos, 3%; e Romeu Zema, 1%. Outros candidatos não pontuaram. A pesquisa registra ainda 10% de votos brancos, nulos ou eleitores que dizem que não votarão e 5% de indecisos.

Na BTG/Nexus, os percentuais dos dois primeiros são mais elevados: Lula tem 42% e Flávio Bolsonaro, 37%. Augusto Cury e Ronaldo Caiado aparecem com 5% cada, Renan Santos tem 4% e Zema, 1%. Brancos e nulos representam 3%, enquanto 2% não souberam responder.

Ou seja: os números absolutos são diferentes, mas a distância é rigorosamente a mesma:

Quaest: Lula 39% × 34% Flávio — diferença de 5 pontos.

BTG/Nexus: Lula 42% × 37% Flávio — diferença de 5 pontos.

Nos dois levantamentos, portanto, Lula aparece numericamente à frente no primeiro turno.

Por que os números são diferentes?

Um dos pontos mais importantes para compreender pesquisas eleitorais é que resultados de institutos diferentes não precisam ser idênticos para apontar uma fotografia semelhante da eleição.

Quaest e Nexus trabalham com metodologias distintas.

A Quaest realizou 2.004 entrevistas presenciais, entre 24 e 27 de setembro. O levantamento foi contratado pela Globo e pelo jornal O Globo, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-06520/2026.

Já a Nexus entrevistou 2.000 eleitores por telefone, utilizando o sistema CATI — entrevista telefônica assistida por computador — entre 25 e 27 de setembro. A pesquisa, contratada pelo BTG Pactual, também possui margem de erro de dois pontos e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-07557/2026.

Na Nexus, a amostra tem distribuição proporcional pelas regiões do país e controla variáveis como sexo, idade, escolaridade, tipo de telefonia e DDD, utilizando como referências dados da PNAD Contínua, do IBGE, e do TSE.

A Quaest, por sua vez, incorporou em 2026 uma dimensão adicional ao desenho da amostra. Além das características sociodemográficas, o instituto passou a utilizar um mapeamento das preferências eleitorais observadas nos últimos oito anos para agrupar municípios e setores censitários com características políticas e sociais semelhantes. Segundo a própria Quaest, a intenção é assegurar a representação de diferentes segmentos políticos no desenho da amostra.

Portanto, não é apenas uma diferença entre “telefone” e “presencial”. Seleção da amostra, distribuição territorial, cotas, ponderações e tratamento estatístico também podem influenciar os números finais.

Um detalhe importante: brancos, nulos e indecisos

Essa talvez seja uma das diferenças mais interessantes entre os dois levantamentos.

Na Quaest, 10% declaram branco, nulo ou que não votarão e outros 5% estão indecisos. Na BTG/Nexus, são 3% de brancos/nulos e 2% que não sabem ou não responderam.

Isso ajuda a compreender por que Lula e Flávio aparecem com percentuais maiores na Nexus, embora a distância entre eles permaneça exatamente a mesma.

Não significa, por si só, que uma pesquisa esteja correta e outra errada. Os questionários, a abordagem do entrevistador, o meio pelo qual a entrevista é realizada e o desenho metodológico podem produzir distribuições diferentes das respostas.

É justamente por isso que comparar pesquisas apenas pelos percentuais dos candidatos pode esconder uma parte importante da informação.

Segundo turno mostra disputa ainda mais apertada

Quando a pergunta deixa de ser o primeiro turno e passa para um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, as duas pesquisas também mostram uma disputa estreita.

Na Quaest há empate numérico: 42% para Lula e 42% para Flávio. Brancos, nulos ou eleitores que não pretendem votar representam 13%, enquanto 3% permanecem indecisos.

Na BTG/Nexus, Lula registra 46% e Flávio, 44%. Como a diferença de dois pontos está dentro da margem de erro informada pelo instituto, o levantamento caracteriza o cenário como empate técnico.

Assim, embora os percentuais absolutos sejam novamente diferentes, as duas pesquisas convergem em um aspecto central: o eventual segundo turno entre Lula e Flávio permanece muito apertado.

Rejeição elevada dos dois lados

Outro indicador ajuda a explicar a dificuldade de abertura de vantagem expressiva num confronto direto: os dois principais candidatos apresentam rejeição elevada.

Na Quaest, 56% dizem que não votariam em Flávio Bolsonaro e 55% afirmam o mesmo sobre Lula.

Na BTG/Nexus, a rejeição aparece em patamar menor, mas mantém os dois candidatos no topo: 51% rejeitam Flávio e 48% rejeitam Lula.

Mais uma vez, os percentuais não devem ser comparados como se fossem produzidos por uma única pesquisa. O relevante é observar que ambos os institutos identificam Lula e Flávio como os candidatos com os maiores índices de rejeição entre os nomes avaliados.

Eleitor começa a consolidar sua decisão

A BTG/Nexus oferece ainda uma informação importante sobre a reta final da campanha.

Entre os entrevistados que apontaram algum candidato no primeiro turno, 87% afirmam que a escolha já está tomada e não deverá mudar até a eleição. Entre os eleitores de Lula, 92% dizem estar decididos; entre os de Flávio, 91%.

Esse grau de consolidação reduz o espaço para grandes movimentos, embora não elimine mudanças nos últimos dias.

Na Quaest, outro movimento chama atenção: os indecisos passaram de 8% na rodada anterior para 5% na pesquisa divulgada no dia 28. Ao mesmo tempo, Lula passou de 37% para 39% e Flávio de 33% para 34%.

Na Nexus, Lula avançou de 40% para 42%, enquanto Flávio permaneceu em 37%.

Como oscilações entre rodadas precisam ser interpretadas considerando a margem de erro, esses movimentos isoladamente não devem ser tratados como transferência comprovada de votos.

O que as duas pesquisas dizem quando analisadas em conjunto?

Apesar das diferenças metodológicas, os dois levantamentos divulgados praticamente simultaneamente apresentam alguns sinais comuns.

O primeiro é a vantagem numérica de cinco pontos de Lula sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

O segundo é a concentração da disputa nos dois primeiros colocados, que aparecem muito à frente dos demais candidatos.

O terceiro é que essa vantagem do primeiro turno não se reproduz com a mesma dimensão quando os institutos simulam um confronto direto. A Quaest registra 42% a 42%; a BTG/Nexus, 46% a 44%.

E o quarto é a elevada rejeição dos dois principais candidatos, identificada pelos dois institutos apesar das diferenças nos percentuais.

Há, portanto, uma distinção importante entre interpretar pesquisas e simplesmente comparar números.

Pesquisa eleitoral não é previsão do resultado das urnas. É uma estimativa da opinião do eleitorado dentro de um período, uma amostra e uma metodologia específicos.

Quando institutos que entrevistam eleitores de maneiras diferentes apresentam tendências semelhantes, a comparação pode ajudar a identificar elementos recorrentes do cenário. Quando apresentam diferenças, compreender a metodologia é fundamental antes de concluir que uma delas necessariamente está “errada”.

Na reta final, Quaest e BTG/Nexus apresentam percentuais distintos, mas deixam uma fotografia semelhante em aspectos centrais: Lula aparece numericamente à frente no primeiro turno, enquanto um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro permanece apertado nos dois levantamentos.

Ficha técnica — Quaest: 2.004 entrevistados; entrevistas presenciais entre 24 e 27 de setembro; margem de erro de ±2 pontos percentuais; confiança de 95%; registro TSE BR-06520/2026.

Ficha técnica — BTG/Nexus: 2.000 entrevistados; entrevistas telefônicas via CATI entre 25 e 27 de setembro; margem de erro de ±2 pontos percentuais; confiança de 95%; registro TSE BR-07557/2026.

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