Quaest: Flávio cai para 45%, Lula mantém 44% e eleição segue em empate técnico
Pesquisa divulgada nesta quarta (21) registra queda na rejeição de Lula, avanço dos indecisos espontâneos e diferença numérica de apenas um ponto no segundo turno
João Branko | Redação HOJE BAHIA Publicada em 21 de outubro de 2026 às 11:19 • Salvador - BA
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O segundo turno segue indefinido: Flávio tem 45% e Lula 44% na Quaest de 21 de outubro. — Imagem ilustrativa produzida com IA / Hoje Bahia. Não representa um encontro real.
A eleição presidencial de 2026 continua aberta. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 44% no segundo turno. A diferença é de um ponto percentual e configura empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. A votação será no domingo, 25 de outubro.
O levantamento ouviu 2.154 eleitores com 16 anos ou mais entre 17 e 20 de outubro, em todas as regiões do Brasil. Encomendado pela TV Globo e pelo jornal O Globo, foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-08535/2026. O nível de confiança declarado pelo instituto é de 95%.
Flávio oscila para baixo e Lula permanece estável
Na rodada anterior, divulgada em 14 de outubro, Flávio registrava 46% e Lula tinha 44%. Agora, o senador marca 45%, enquanto o presidente conserva 44%. Brancos, nulos e entrevistados que não pretendem votar somam 9%; os indecisos são 2%. No estudo anterior, os indecisos eram 1%.
GRÁFICO 1 | INTENÇÃO DE VOTO — 2º TURNO
Flávio Bolsonaro (PL)45%
Lula (PT)44%
Brancos, nulos ou não vão votar9%
Indecisos2%
Percentual de todos os entrevistados. Pesquisa estimulada, Quaest, divulgada em 21/10/2026. As barras foram escaladas até 50%; o número ao lado identifica o percentual exato.
GRÁFICO 2 | EVOLUÇÃO DAS INTENÇÕES DE VOTO
14 de outubro
Flávio Bolsonaro46%
Lula44%
21 de outubro
Flávio Bolsonaro45%
Lula44%
Comparação de duas rodadas do mesmo instituto: Flávio oscilou um ponto para baixo; Lula permaneceu com 44%. Variações isoladas dentro da margem de erro não comprovam tendência.
A aproximação numérica não demonstra, por si só, uma virada eleitoral. Como ambos os resultados estão dentro da margem de erro, os dados não permitem estabelecer uma liderança estatisticamente significativa. A leitura adequada é a de um segundo turno extremamente equilibrado.
Rejeição a Lula cai seis pontos; rejeição a Flávio recua dois
O movimento mais expressivo aparece na avaliação negativa dos candidatos. Na comparação semanal, a parcela dos entrevistados que afirma rejeitar Lula passou de 53% para 47%. Já a rejeição a Flávio caiu de 54% para 52%. Agora, o senador apresenta índice numericamente cinco pontos superior ao do adversário.
GRÁFICO 3 | REJEIÇÃO AOS CANDIDATOS
14 de outubro
Lula53%
Flávio Bolsonaro54%
21 de outubro
Lula47%
Flávio Bolsonaro52%
Percentual que rejeita cada candidato. Lula: 53% → 47% (seis pontos a menos); Flávio: 54% → 52% (dois pontos a menos). Fonte: Quaest.
A redução da rejeição de Lula pode ampliar o espaço político para sua campanha, mas não equivale automaticamente a uma transferência de votos. Uma pessoa que deixa de rejeitar um candidato pode continuar escolhendo o outro, votar em branco ou ainda estar indecisa.
Espontânea mostra 40% para cada candidato e aumento dos indecisos
Sem que os nomes sejam apresentados pelo entrevistador, Lula e Flávio são citados por 40% dos eleitores cada. Os indecisos espontâneos somam 14%, o dobro dos 7% observados no levantamento anterior; brancos, nulos ou eleitores que dizem não votar representam 6%.
GRÁFICO 4 | PESQUISA ESPONTÂNEA — 21 DE OUTUBRO
Flávio Bolsonaro40%
Lula40%
Indecisos14%
Brancos, nulos ou não votarão6%
Na pergunta espontânea não são apresentados os nomes dos candidatos. Indecisos eram 7% na rodada anterior e chegaram a 14% agora. Fonte: Quaest/UOL.
Não se deve confundir os 14% da pergunta espontânea com eleitores inteiramente sem preferência. Quando confrontados com os nomes dos finalistas na questão estimulada, apenas 2% continuam declarando indecisão. A diferença decorre do modo como a pergunta é formulada e do grau de definição ou lembrança imediata do voto.
Votos válidos: cálculo ilustrativo a partir dos números publicados
Desconsiderando os percentuais de brancos, nulos e indecisos e dividindo cada candidato pela soma de 45% e 44%, chega-se a uma estimativa aritmética de 50,6% para Flávio Bolsonaro e 49,4% para Lula. Essa é uma conta editorial do Hoje Bahia com base nos valores arredondados, não um resultado oficial de votos válidos divulgado pela Quaest, nem uma previsão do resultado das urnas.
ESTIMATIVA ARITMÉTICA | VOTOS VÁLIDOS
Flávio Bolsonaro50,6%
Lula49,4%
Cálculo próprio: 45÷89 e 44÷89, respectivamente. Arredondamentos e incerteza amostral permanecem relevantes.
O que mostram os outros institutos?
Outros levantamentos divulgados durante a semana também revelam diferenças pequenas. Os números não são perfeitamente comparáveis, porque variam a amostra, o período de coleta e os métodos de entrevista; a simples média de pesquisas independentes não constitui uma projeção estatística rigorosa.
Instituto e divulgação
Flávio*
Lula*
Quaest — 21/10 (cálculo editorial)
50,6%
49,4%
Meio/Ideia — 21/10
51,1%
48,9%
BTG/Nexus — 19/10
50,3%
49,7%
Datafolha — 15/10
51,0%
49,0%
*Dados em votos válidos; linha Quaest calculada pelo Hoje Bahia. Resultados e margens de erro diferem entre institutos. Fontes: Quaest, Meio/Ideia, BTG/Nexus e Datafolha.
Nordeste e Bahia: mobilização pode fazer diferença
O Nordeste segue estratégico no segundo turno. O desempenho de Lula na região e a capacidade de Flávio Bolsonaro de reduzir sua desvantagem entre os nordestinos podem alterar a diferença nacional. Na pesquisa Datafolha de 15 de outubro, Lula apresentava 61% contra 32% de Flávio entre os entrevistados do Nordeste; esse dado pertence ao Datafolha, não à nova Quaest.
Para a Bahia, portanto, importam tanto as preferências de voto quanto o comparecimento efetivo às urnas. Sem um recorte estadual da nova Quaest, não é possível afirmar que qualquer candidato cresceu ou diminuiu especificamente entre os eleitores baianos nesta rodada.
Os assuntos que podem influenciar a reta final
Economia e custo de vida: inflação dos alimentos, renda, trabalho e poder de compra permanecem centrais na avaliação do governo e das propostas da oposição. Para Lula, há o desafio de demonstrar ganhos concretos; para Flávio, a tentativa de transformar insatisfação em voto.
Jornada de trabalho: a divulgação da pesquisa ocorre após a promulgação do fim da escala 6x1, mas o levantamento não demonstra que a medida tenha causado a mudança da rejeição.
Debates e sabatinas: as participações dos candidatos na televisão e o encontro na Band entraram na agenda da campanha antes ou durante as entrevistas. Não há base para atribuir a qualquer evento isolado uma mudança precisa nos percentuais.
Comparecimento: em uma disputa tão equilibrada, mobilizar eleitores já inclinados a uma candidatura pode pesar tanto quanto conquistar novos votos. A abstenção real só será conhecida após a eleição.
Ficha técnica da Quaest
Informação
Resultado
Instituto
Quaest
Contratantes
TV Globo e O Globo
Entrevistados
2.154 eleitores de 16 anos ou mais
Período de entrevistas
17 a 20 de outubro de 2026
Abrangência
Nacional
Margem de erro
± 2 pontos percentuais
Confiança
95%
Registro no TSE
BR-08535/2026
O que a nova pesquisa realmente diz
A Quaest não define um vencedor: mostra dois finalistas em empate técnico, com Flávio numericamente um ponto à frente nas respostas estimuladas e igualdade de 40% na espontânea. A rejeição ao presidente caiu e a do senador também oscilou para baixo, mas isso ainda não se traduziu em uma diferença estatisticamente conclusiva de intenção de voto.
A Presidência permanece em disputa. A última pesquisa Quaest antes do segundo turno está prevista para sábado (24), um dia antes de os brasileiros voltarem às urnas.