A eleição deste domingo (4) não mudou apenas os nomes que ocuparão as 63 cadeiras da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). O resultado também alterou o equilíbrio interno das forças políticas, fortaleceu algumas legendas e retirou do Legislativo personagens conhecidos da política baiana.
A nova legislatura começa em fevereiro de 2027 com uma característica importante: há renovação, mas o grupo político que sustenta o governador Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito no primeiro turno, continuará majoritário.
Ao mesmo tempo, a oposição ampliou sua representação e o PL saiu das urnas com uma bancada significativamente maior.
PT continua como maior partido
Individualmente, o PT terá a maior bancada da Assembleia Legislativa, com 14 deputados estaduais.
Quando considerada toda a Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV —, o bloco chega a 20 cadeiras.
A composição partidária da nova ALBA ficou assim:
PT — 14
PSD — 9
PL — 7
União Brasil — 5
PDT — 5
Avante — 5
Republicanos — 4
PP — 3
PCdoB — 3
PV — 3
MDB — 2
PSDB — 2
PSOL — 1
Na prática, portanto, a eleição não retirou do governo estadual a maioria necessária para conduzir sua agenda no Legislativo.
Governo mantém maioria, mas oposição cresce
Considerando o alinhamento político atual das legendas, a base de Jerônimo Rodrigues deverá iniciar a próxima legislatura com aproximadamente 41 deputados.
A oposição aparece com 21 cadeiras, enquanto o campo independente fica com uma.
Na atual configuração, a base governista tinha 43 deputados e a oposição, 19.
Ou seja: o governo permanece amplamente majoritário, mas a distância diminuiu.
Esse movimento pode tornar votações de maior repercussão política mais disputadas e ampliar a capacidade da oposição de ocupar espaços nas comissões, nos debates e na fiscalização do Executivo.
PL é um dos partidos que mais ganha força
Uma das mudanças mais claras ocorre no PL.
Em 2022, a legenda havia elegido diretamente apenas dois deputados estaduais. Mudanças partidárias durante a legislatura fizeram o partido aumentar posteriormente sua bancada.
Agora, o PL conseguiu eleger sete deputados diretamente pelas urnas:
Diego Castro
Cinthya Marabá
Samuel Júnior
Igor
Jânio Natal Júnior
Paulo Câmara
Soldado Prisco
O crescimento coloca o partido entre as maiores bancadas individuais da Assembleia.
E há um símbolo desse avanço: Diego Castro foi o segundo deputado estadual mais votado da Bahia, com 160.305 votos.
Ivana Bastos amplia força política
Se existe um resultado individual que chama atenção dentro da nova ALBA, é o de Ivana Bastos (PSD).
Atual presidente da Assembleia, ela foi novamente a candidata a deputada estadual mais votada da Bahia, alcançando 203.202 votos.
Em 2022, havia recebido pouco mais de 118 mil.
Além do crescimento eleitoral, Ivana chega à próxima legislatura ocupando uma posição institucional relevante: em 2025, tornou-se a primeira mulher a presidir a Assembleia Legislativa em aproximadamente 190 anos de história da Casa.
O PSD também permanece muito relevante no tabuleiro político, elegendo nove deputados — a segunda maior bancada individual.
Rowenna estreia entre os mais votados
Outro resultado expressivo veio do PT.
A ex-secretária estadual da Educação Rowenna Brito conquistou aproximadamente 137 mil votos e terminou como a terceira candidata a deputada estadual mais votada da Bahia.
É uma entrada significativa porque coloca uma estreante na ALBA imediatamente entre as maiores votações individuais do estado.
Outro estreante com votação superior a 100 mil foi Dr. Thiago Gilleno (Republicanos), que recebeu cerca de 114 mil votos.
Os resultados mostram que parte da renovação não aconteceu apenas através do quociente partidário: alguns dos novos nomes chegaram à Assembleia com votação individual expressiva.
Mulheres ocuparão 10 das 63 cadeiras
A próxima legislatura contará com 10 deputadas estaduais.
Entre elas estão Ivana Bastos, Rowenna, Denise Menezes, Cinthya Marabá, Andrea Castro, Vilma Reis, Cláudia Oliveira, Ludmilla Fiscina, Fátima Nunes e Neusa Cadore.
Apesar da presença feminina continuar minoritária em um Legislativo de 63 integrantes, algumas dessas parlamentares chegam à nova legislatura com votações importantes e posições de destaque político.
Renovação precisa ser observada com cuidado
Os levantamentos publicados após a eleição apresentam formas diferentes de medir a renovação.
Comparando diretamente a bancada eleita em 2022 com a escolhida em 2026, há 27 nomes na nova relação que não estavam entre os eleitos quatro anos atrás.
Já outros levantamentos consideram os atuais ocupantes das cadeiras e identificam 21 mudanças/novos integrantes, número equivalente a aproximadamente um terço da Assembleia.
A diferença ocorre porque, durante uma legislatura, suplentes assumem mandatos, deputados mudam de cargo e antigos parlamentares podem retornar.
Por isso, mais importante que apenas o percentual de renovação é observar quem entrou, quem saiu e como as forças políticas ficaram distribuídas.
Alguns nomes conhecidos ficam fora
A eleição também produziu derrotas de parlamentares que tentavam permanecer na Assembleia.
Entre os deputados que disputaram a reeleição e não aparecem entre os 63 eleitos estão:
Hilton Coelho (PSOL)
Leandro de Jesus (PL)
Pancadinha (PDT)
Kátia Oliveira (União Brasil)
Cafu Barreto (União Brasil)
Euclides Fernandes (PT)
Marcelinho Veiga (PP)
Binho Galinha (Avante)
Luciano Araújo (Avante)
Matheus Ferreira (MDB)
Há ainda políticos que deixam a composição por outras razões.
O ex-presidente da ALBA Adolfo Menezes, por exemplo, não concorreu à reeleição. Depois de cinco mandatos, apoiou a candidatura de Denise Menezes, eleita pelo PSD.
No PSOL ocorre uma substituição simbólica: Hilton Coelho deixa a Assembleia e Kleber Rosa assume a única cadeira da federação PSOL-Rede.
O que muda politicamente em 2027?
O primeiro dado é que Jerônimo Rodrigues continuará dispondo de maioria parlamentar.
Com uma base estimada em 41 dos 63 deputados, o Palácio de Ondina começa o segundo mandato com margem para aprovar projetos que dependem de maioria simples.
Isso não significa, entretanto, que a Assembleia será politicamente igual.
A oposição cresce de 19 para cerca de 21 integrantes e, dentro dela, o fortalecimento do PL modifica a distribuição de forças.
A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, terá oito cadeiras. O PL terá sete e o Republicanos, quatro.
Forma-se, portanto, um campo oposicionista numericamente mais robusto e partidariamente mais diversificado.
Uma Assembleia com continuidade e renovação
As urnas produziram dois movimentos simultâneos.
De um lado, mantiveram estruturas importantes de poder: o PT segue com a maior bancada, o PSD permanece forte e o governador Jerônimo Rodrigues conserva maioria parlamentar.
Do outro, abriram espaço para novos personagens, ampliaram a bancada do PL e retiraram da Assembleia deputados que estavam há anos na política estadual.
A disputa política da Bahia em 2027, portanto, não começará apenas no Palácio de Ondina.
Ela também passará por uma ALBA parcialmente renovada, com uma oposição maior e novos nomes tentando ocupar espaços que durante anos estiveram nas mãos de lideranças tradicionais.
Com informações da apuração eleitoral, TSE e veículos da imprensa baiana. Resultados sujeitos à homologação da Justiça Eleitoral.