Em um vídeo publicado nas redes sociais, Peña afirmou que o pedido de renúncia ocorreu em prol da estabilidade política do país sul-americano.
"Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas. Faço isso com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos como nação."
Além disso, o presidente pediu desculpas à população e agradeceu pela confiança e por cada momento vivido.
"Nunca tive a intenção de decepcionar a confiança que depositaram em mim. Todos os dias assumi essa responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai. Mas hoje minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro", afirmou.
Como Peña chegou a ser acionista do Grupo Vázquez, que controlava o Ueno Bank, a oposição passou a acusar o próprio governo de encobrir as irregularidades na instituição e ainda permitir a concentração de recursos públicos e previdenciários no banco.
Após a renúncia, assume o Executivo do país o até então vice-presidente, Pedro Alliana, que também era alvo do processo de impeachment, que foi negado pela Câmara dos Deputados.
Aos 52 anos, ele também faz parte do Partido Colorado e desde 2023 foi responsável pela política externa do país e foi uma das principais autoridades paraguaias a criticar a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Fronteira, no século XIX, ocasião em que afirmou que "a distorção de fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de nossos povos".
Como começou a crise no Paraguai?
A crise no país vizinho foi iniciada após o Banco Central do Paraguai (BCP) suspender as operações do Ueno Bank, na última terça-feira (3), quando constatou que o índice de solvência da instituição havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela regulamentação. O banco digital tinha cerca de 3 milhões de clientes e era o maior emissor de cartões de crédito do país, além de administrar cerca de US$ 850 milhões (R$ 4,6 bilhões) em recursos públicos. Estimativas locais ainda apontam que cerca de 70% das atividades do comércio, que utilizavam soluções de pagamento da instituição, ficaram paralisadas.
A Polícia Nacional do Paraguai prendeu oito diretores do Ueno Bank com ordens de detenção, investigados por irregularidades no banco. A crise também levou à renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo. Por outro lado, milhares de pessoas foram às ruas do país protestar.
A crise também atingiu o mercado de capitais paraguaio. A Superintendência de Valores do Banco Central do Paraguai determinou a suspensão temporária dos resgates de determinados fundos com investimentos compartilhados com o Ueno Bank, para evitar que investidores fossem prejudicados enquanto se determinava o valor das aplicações vinculadas à instituição.
O governo anunciou medidas para viabilizar a devolução de parte dos depósitos aos clientes. A investigação e os desdobramentos políticos, entretanto, continuam em andamento.





