MOBILIDADE URBANA

Teleférico de Salvador avança com licitação para fiscalização das obras; projeto prevê viagem de 18 minutos

Sistema terá 4,3 quilômetros, quatro estações e ligação entre Praia Grande e o metrô de Campinas de Pirajá; abertura das propostas está marcada para novembro

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 22 de setembro de 2026 às 08:04 • Salvador - BA
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Projeção da Estação Praia Grande, uma das quatro previstas no projeto do Teleférico de Salvador, que ligará o Subúrbio Ferroviário à Estação Campinas de Pirajá do metrô.
Projeção da Estação Praia Grande, uma das quatro previstas no projeto do Teleférico de Salvador, que ligará o Subúrbio Ferroviário à Estação Campinas de Pirajá do metrô.Divulgação/Fundação Mário Leal Ferreira

O projeto do primeiro teleférico urbano de Salvador avançou para uma nova etapa. A Prefeitura publicou, nesta segunda-feira (21), o aviso de concorrência internacional para contratar a empresa que prestará serviços de assessoria, fiscalização e suporte técnico à implantação da Linha 1 do sistema.

A estrutura projetada terá 4,3 quilômetros de extensão e ligará a região de Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário, à Estação Campinas de Pirajá, da Linha 1 do metrô. A expectativa apresentada pelos responsáveis pelo projeto é reduzir para aproximadamente 18 minutos um deslocamento que atualmente pode levar entre uma hora e uma hora e meia de ônibus, dependendo das condições do trânsito.

O projeto prevê quatro estações e 27 torres de sustentação. Os cabos poderão atingir até 45 metros de altura em determinados trechos. A capacidade estimada é de até 4 mil passageiros por hora, atendendo uma região onde vivem aproximadamente 300 mil pessoas.

Uma das paradas previstas é a Estação Mané Dendê. O percurso deverá atravessar áreas do Subúrbio e conectar comunidades historicamente marcadas pela dificuldade de acesso rápido ao metrô e a outras regiões da capital.

Concorrência internacional

A licitação divulgada pela Prefeitura não corresponde ainda à contratação da construção propriamente dita. O objetivo desta etapa é escolher a empresa responsável por acompanhar tecnicamente a implantação do empreendimento.

Entre as atribuições previstas estão o planejamento, a programação e o controle das obras, a fiscalização dos serviços, o acompanhamento da documentação e a análise e aprovação dos projetos básicos e executivos.

A concorrência será realizada eletronicamente, pelo critério de técnica e preço, com disputa em modo fechado. A abertura das propostas está marcada para o dia 19 de novembro de 2026, às 10h, no Portal de Compras do Governo Federal. O processo será conduzido pela Superintendência de Obras Públicas do Salvador, a Sucop.

Na prática, a publicação representa um avanço administrativo necessário para que o município monte a estrutura de acompanhamento da obra. Entretanto, o início efetivo da construção ainda dependerá da conclusão das licitações, da contratação das empresas responsáveis e do cumprimento das exigências ambientais e urbanísticas.

Financiamento internacional

O teleférico integra o Programa de Inclusão Social e Territorial de Salvador, financiado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe, a CAF.

O programa recebeu uma operação de financiamento de US$ 125 milhões, destinada não apenas ao teleférico, mas também a outras ações de inclusão social, qualificação profissional, inovação e desenvolvimento territorial. Portanto, esse valor não deve ser apresentado como custo exclusivo da obra.

Em divulgações anteriores, a Prefeitura havia indicado uma estimativa próxima de R$ 400 milhões para o teleférico. O orçamento definitivo, entretanto, dependerá dos projetos executivos, das licitações e das condições dos contratos. Até o momento, não foi divulgado publicamente um valor final consolidado para toda a implantação.

Integração com metrô, ônibus e VLT

O teleférico está sendo planejado como transporte público, e não apenas como equipamento turístico. A proposta é integrá-lo ao sistema de mobilidade de Salvador, permitindo conexão com o metrô em Campinas de Pirajá e aproximação com o futuro VLT do Subúrbio.

A definição da tarifa ainda não foi anunciada. A intenção informada pela Fundação Mário Leal Ferreira é que o passageiro possa utilizar o equipamento dentro do sistema integrado, mas o modelo operacional, os subsídios e as regras de cobrança ainda precisam ser detalhados.

Também não está definido publicamente quem será responsável pela operação cotidiana e manutenção do sistema depois da entrega.

Prazo estimado

A Fundação Mário Leal Ferreira, responsável pelo desenvolvimento do projeto, já informou que a construção poderá levar até três anos, contados a partir da emissão da ordem de serviço.

Previsões anteriores indicavam a possibilidade de início das obras no segundo semestre de 2026. Como a concorrência para contratação da assessoria técnica terá propostas abertas somente em novembro, o cronograma efetivo deverá ser atualizado após a conclusão dos processos licitatórios.

Por isso, ainda não existe uma data oficial confirmada para inauguração do teleférico.

Parque São Bartolomeu exige atenção

Parte do traçado deverá passar pela região do Parque São Bartolomeu, área de grande importância ambiental, histórica e religiosa para Salvador. O território reúne espaços considerados sagrados pelas religiões de matriz africana e possui forte relação com a memória da população negra da cidade.

Segundo informações da Fundação Mário Leal Ferreira, está prevista apenas uma torre dentro do parque, com interferência aproximada de três metros de diâmetro. A fundação sustenta que a manutenção será realizada sem circulação permanente de equipes pelo solo do parque.

Apesar da explicação, o trecho é um dos pontos mais sensíveis do projeto e deverá ser acompanhado durante o licenciamento ambiental e as consultas às comunidades tradicionais.

A vereadora Marta Rodrigues já manifestou preocupação com a transparência do empreendimento e defendeu maior debate público sobre financiamento, impactos ambientais, manutenção e preservação do território sagrado.

O que já está confirmado

O projeto possui financiamento internacional estruturado, traçado preliminar, quatro estações, 27 torres e extensão estimada de 4,3 quilômetros. A Prefeitura também abriu a concorrência para contratar a empresa que acompanhará tecnicamente a implantação.

O que ainda não está confirmado é a data de início das obras, o orçamento final exclusivo do teleférico, o valor da passagem, a empresa responsável pela operação e a data de inauguração.

A nova licitação mostra que o empreendimento saiu da fase de simples anúncio e passou a cumprir etapas concretas de contratação. Ainda assim, a população precisará acompanhar os próximos passos para saber quando o projeto chegará efetivamente aos canteiros de obras.

Fontes: Prefeitura de Salvador, Câmara Municipal de Salvador, Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), Fundação Mário Leal Ferreira, Superintendência de Obras Públicas do Salvador e Estadão Mobilidade.

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