O projeto do primeiro teleférico urbano de Salvador avançou para uma nova etapa. A Prefeitura publicou, nesta segunda-feira (21), o aviso de concorrência internacional para contratar a empresa que prestará serviços de assessoria, fiscalização e suporte técnico à implantação da Linha 1 do sistema.
A estrutura projetada terá 4,3 quilômetros de extensão e ligará a região de Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário, à Estação Campinas de Pirajá, da Linha 1 do metrô. A expectativa apresentada pelos responsáveis pelo projeto é reduzir para aproximadamente 18 minutos um deslocamento que atualmente pode levar entre uma hora e uma hora e meia de ônibus, dependendo das condições do trânsito.
O projeto prevê quatro estações e 27 torres de sustentação. Os cabos poderão atingir até 45 metros de altura em determinados trechos. A capacidade estimada é de até 4 mil passageiros por hora, atendendo uma região onde vivem aproximadamente 300 mil pessoas.
Uma das paradas previstas é a Estação Mané Dendê. O percurso deverá atravessar áreas do Subúrbio e conectar comunidades historicamente marcadas pela dificuldade de acesso rápido ao metrô e a outras regiões da capital.
Concorrência internacional
A licitação divulgada pela Prefeitura não corresponde ainda à contratação da construção propriamente dita. O objetivo desta etapa é escolher a empresa responsável por acompanhar tecnicamente a implantação do empreendimento.
Entre as atribuições previstas estão o planejamento, a programação e o controle das obras, a fiscalização dos serviços, o acompanhamento da documentação e a análise e aprovação dos projetos básicos e executivos.
A concorrência será realizada eletronicamente, pelo critério de técnica e preço, com disputa em modo fechado. A abertura das propostas está marcada para o dia 19 de novembro de 2026, às 10h, no Portal de Compras do Governo Federal. O processo será conduzido pela Superintendência de Obras Públicas do Salvador, a Sucop.
Na prática, a publicação representa um avanço administrativo necessário para que o município monte a estrutura de acompanhamento da obra. Entretanto, o início efetivo da construção ainda dependerá da conclusão das licitações, da contratação das empresas responsáveis e do cumprimento das exigências ambientais e urbanísticas.
Financiamento internacional
O teleférico integra o Programa de Inclusão Social e Territorial de Salvador, financiado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe, a CAF.
O programa recebeu uma operação de financiamento de US$ 125 milhões, destinada não apenas ao teleférico, mas também a outras ações de inclusão social, qualificação profissional, inovação e desenvolvimento territorial. Portanto, esse valor não deve ser apresentado como custo exclusivo da obra.
Em divulgações anteriores, a Prefeitura havia indicado uma estimativa próxima de R$ 400 milhões para o teleférico. O orçamento definitivo, entretanto, dependerá dos projetos executivos, das licitações e das condições dos contratos. Até o momento, não foi divulgado publicamente um valor final consolidado para toda a implantação.
Integração com metrô, ônibus e VLT
O teleférico está sendo planejado como transporte público, e não apenas como equipamento turístico. A proposta é integrá-lo ao sistema de mobilidade de Salvador, permitindo conexão com o metrô em Campinas de Pirajá e aproximação com o futuro VLT do Subúrbio.
A definição da tarifa ainda não foi anunciada. A intenção informada pela Fundação Mário Leal Ferreira é que o passageiro possa utilizar o equipamento dentro do sistema integrado, mas o modelo operacional, os subsídios e as regras de cobrança ainda precisam ser detalhados.





