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ELEIÇÕES 2026

TSE dá 24 horas para Meta e X explicarem possível favorecimento eleitoral a Flávio Bolsonaro nas redes sociais

Justiça Eleitoral exige esclarecimentos sobre algoritmos, inteligência artificial, anúncios e remoção de publicações. Investigação atende a pedido da campanha de Lula e prevê multa diária de R$ 500 mil por plataforma em caso de descumprimento injustificado.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 23 de outubro de 2026 às 11:29 • Salvador - BA
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que Meta e X apresentem, em até 24 horas, esclarecimentos sobre o funcionamento de algoritmos, inteligência artificial, anúncios eleitorais e distribuição de conteúdos políticos. A decisão atende a uma ação da campanha de Lula que aponta possível favorecimento a Flávio Bolsonaro. A investigação ainda não comprovou irregularidades ou responsabilidade dos envolvidos. O descumprimento injustificado da ordem pode resultar em multa diária de R$ 500 mil por plataforma.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que Meta e X apresentem, em até 24 horas, esclarecimentos sobre o funcionamento de algoritmos, inteligência artificial, anúncios eleitorais e distribuição de conteúdos políticos. A decisão atende a uma ação da campanha de Lula que aponta possível favorecimento a Flávio Bolsonaro. A investigação ainda não comprovou irregularidades ou responsabilidade dos envolvidos. O descumprimento injustificado da ordem pode resultar em multa diária de R$ 500 mil por plataforma. — Ilustração gerada por inteligência artificial / Arte: Hoje Bahia.

A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intensificou a fiscalização sobre o funcionamento das redes sociais e ferramentas de inteligência artificial utilizadas durante a campanha.

Em decisão proferida na noite de quinta-feira (22), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que a Meta, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, e a plataforma X apresentem, em até 24 horas, esclarecimentos técnicos sobre possíveis diferenças no tratamento de conteúdos relacionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL).

A determinação ocorre em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) apresentada pela coligação Brasil Pronto pra Mais, que representa Lula e acusa a existência de possível favorecimento à chapa de Flávio Bolsonaro, integrada também pelo candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL).

A ação menciona suspeitas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.

O ministro determinou que Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar apresentem defesa no prazo de cinco dias.

A abertura da investigação não significa que a Justiça Eleitoral tenha comprovado manipulação de algoritmos, favorecimento político intencional ou responsabilidade dos investigados. Essas questões dependerão da análise das provas e das manifestações apresentadas no processo.

O que o TSE quer descobrir?

A decisão busca esclarecer como funcionam os mecanismos automatizados responsáveis por selecionar, recomendar, traduzir, impulsionar e remover conteúdos políticos nas plataformas.

Entre os pontos investigados estão:

  • Possíveis diferenças na distribuição de publicações relacionadas aos dois candidatos;
  • Eventuais restrições de alcance aplicadas a perfis e anúncios eleitorais;
  • Existência de critérios de recomendação ou ranqueamento privilegiados;
  • Funcionamento de ferramentas de inteligência artificial;
  • Traduções automáticas de comentários políticos;
  • Critérios para sugestão de hashtags e GIFs;
  • Remoção de conteúdos jornalísticos ou de opinião;
  • Tratamento dado a anúncios pagos pelas campanhas.

O TSE também quer saber se determinados perfis receberam exceções às regras gerais de distribuição, recomendações diferenciadas ou ajustes manuais capazes de ampliar sua visibilidade.

Entre os perfis mencionados nas diligências estão contas relacionadas a Flávio Bolsonaro e ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

A finalidade é verificar se os critérios aplicados às candidaturas foram equivalentes ou se existiram diferenças incompatíveis com as regras eleitorais.

Mensagens internas da Meta levantaram questionamentos

Uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo revelou mensagens internas atribuídas a funcionários da Meta que apontariam restrições à distribuição de conteúdos associados ao presidente Lula no Instagram.

As mensagens também mencionariam recomendações algorítmicas envolvendo perfis relacionados a Flávio Bolsonaro.

Segundo a reportagem, integrantes da empresa reconheceram internamente problemas envolvendo o alcance de determinadas contas.

As informações passaram a integrar o debate judicial sobre a atuação das plataformas na campanha presidencial.

Entretanto, as mensagens divulgadas, por si só, não permitem estabelecer a existência de uma estratégia deliberada da direção da Meta para beneficiar uma candidatura.

É necessário esclarecer a origem das restrições, quais sistemas foram afetados, a extensão dos problemas e se houve tratamento desigual intencional.

A empresa nega interferência eleitoral e sustenta que os problemas relatados decorreram de falhas técnicas.

Inteligência artificial também está sob investigação

O funcionamento das ferramentas de inteligência artificial ocupa uma parte importante da apuração.

Um dos questionamentos apresentados pela campanha de Lula envolve o comportamento da Meta AI.

Segundo a denúncia, usuários teriam conseguido produzir determinados conteúdos eleitorais relacionados a Flávio Bolsonaro, enquanto solicitações equivalentes referentes a Lula eram recusadas.

A empresa informou anteriormente que adotou medidas adicionais para impedir a geração de imagens de candidatos durante o período sujeito às restrições eleitorais.

O problema central para a Justiça Eleitoral é verificar se regras semelhantes estão sendo aplicadas de forma equivalente às duas candidaturas.

A plataforma X também deverá esclarecer o funcionamento do Grok, sua ferramenta de inteligência artificial.

O corregedor solicitou informações sobre filtros e parâmetros aplicados a perguntas e solicitações relacionadas aos candidatos, inclusive sobre a possibilidade de produção de conteúdos político-eleitorais sem provocação direta do usuário.

A apuração não se limita à resposta textual dos sistemas: envolve os mecanismos de seleção, distribuição e eventual amplificação das publicações.

Traduções automáticas e hashtags entram na investigação

Outro ponto examinado pelo TSE envolve o funcionamento das traduções automáticas da Meta.

A coligação de Lula sustenta que determinadas mensagens críticas a Flávio Bolsonaro teriam sido traduzidas para o inglês com alterações de sentido, transformando críticas em manifestações aparentemente favoráveis ao candidato.

O caso será examinado tecnicamente para verificar a existência, a origem e a frequência de possíveis erros.

Também deverão ser apresentados esclarecimentos sobre os mecanismos de ordenação de GIFs e recomendação de hashtags nas plataformas da empresa.

Embora essas funções possam parecer secundárias, elas influenciam quais conteúdos são sugeridos aos usuários e como determinadas mensagens circulam nas redes.

O ministro não acolheu, neste momento, o pedido para suspender amplamente as traduções automáticas da Meta, considerando a medida excessiva diante dos elementos disponíveis.

A análise poderá ser retomada após o recebimento das informações técnicas.

Vídeo com MC Cabelinho também entrou no caso

A retirada de um conteúdo do projeto jornalístico Revelando Brasil, apresentado pelo cantor MC Cabelinho, tornou-se outro ponto da investigação.

O vídeo, intitulado "Flavinho de Papai", contém críticas à trajetória política e profissional de Flávio Bolsonaro.

A divulgação do episódio no Instagram foi restringida pela Meta sob a justificativa de possível descumprimento das regras eleitorais relativas à utilização de inteligência artificial.

Os responsáveis pelo projeto contestaram a justificativa e negaram que o material tenha sido produzido ou finalizado com inteligência artificial, afirmando que utilizaram imagens ilustrativas de bancos de imagens.

Diante da controvérsia, Ricardo Villas Bôas Cueva determinou que a Meta realize uma revisão humana da remoção, caso ainda não tenha feito, e apresente os fundamentos técnicos da medida.

O magistrado ressaltou que os elementos disponíveis até então não eram suficientes para concluir que o conteúdo foi restringido por sua orientação política.

Reportagem da Folha informou que a divulgação do episódio voltou ao Instagram após a restrição temporária.

O episódio demonstra a importância de diferenciar uma remoção resultante de regras automatizadas de uma eventual decisão deliberada de restringir manifestações políticas.

Ministério Público Eleitoral apontou descumprimento parcial de decisões

A atuação da Meta já vinha sendo examinada em outro procedimento no TSE.

Em 15 de outubro, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou a adoção de 17 medidas destinadas a garantir tratamento igualitário às candidaturas presidenciais nas plataformas.

A decisão foi posteriormente confirmada pelo plenário do tribunal.

Em parecer divulgado pelo Ministério Público Federal nesta quinta-feira (22), o Ministério Público Eleitoral apontou que a empresa não havia cumprido integralmente algumas determinações no prazo estabelecido.

Entre as pendências identificadas estavam:

  • Relatórios detalhados sobre denúncias eleitorais;
  • Informações individualizadas de anúncios suspensos;
  • Dados de alcance e valores de publicidade;
  • Identificação de responsáveis pelo pagamento de anúncios;
  • Estatísticas de geração e recusa de conteúdos pela Meta AI;
  • Informações sobre os filtros de segurança das ferramentas de inteligência artificial.

O parecer, assinado pelo vice-procurador-geral Eleitoral Alexandre Espinosa, também reconheceu o cumprimento de diversas providências pela empresa.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, a Meta removeu restrições de contas de anúncios, suspendeu determinadas propagandas não contratadas pelas candidaturas e retomou impulsionamentos que não haviam sido entregues.

O órgão considerou parcialmente atendida a exigência de revisão humana de restrições publicitárias.

Diante das pendências, solicitou a aplicação das penalidades previstas nas decisões.

É importante distinguir os processos: a multa diária de R$ 500 mil prevista na nova decisão de Ricardo Villas Bôas Cueva refere-se às ordens dirigidas à Meta e ao X. Já o procedimento acompanhado por Marco Aurélio Bellizze possui determinações e histórico de multas próprios, incluindo a elevação de uma penalidade diária para R$ 1 milhão.

O que a Meta diz?

A Meta nega que tenha adotado uma política destinada a beneficiar qualquer candidato.

Em manifestação anterior à Justiça Eleitoral, a empresa afirmou que aplica critérios iguais e não discriminatórios às candidaturas e informou ter apresentado um documento técnico com os mecanismos utilizados.

A plataforma também argumentou que algumas dificuldades decorreram de falhas técnicas e das características dos próprios sistemas de moderação e publicidade.

Entre as medidas informadas estão a revisão humana de restrições a anúncios de campanha e a adoção de novos bloqueios em ferramentas de geração de imagens eleitorais.

A empresa sustentou ainda uma distinção importante: aplicar as mesmas regras às candidaturas não significa garantir que ambas tenham números idênticos de visualizações ou interações.

Não foi identificada, nas fontes consultadas para esta reportagem, manifestação conclusiva do X sobre todas as exigências da decisão de 22 de outubro.

As versões e manifestações das partes deverão integrar a instrução do processo.

Campanha de Flávio também pediu fiscalização de um canal ligado a Lula

Os questionamentos sobre a atuação das redes sociais não partiram exclusivamente da campanha petista.

Na quinta-feira (22), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que a Meta apresentasse um relatório técnico sobre o canal de WhatsApp "Exército do Lula", associado ao deputado federal André Janones (Rede-MG).

A medida atende a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e busca verificar se o funcionamento do canal respeita os mecanismos de conformidade eleitoral apresentados pela plataforma.

A Justiça Eleitoral solicitou esclarecimentos sobre possíveis comportamentos coordenados, replicação sistemática de conteúdos e articulação entre contas ou canais.

Essa apuração é distinta da investigação conduzida por Ricardo Villas Bôas Cueva.

A existência de um canal de grande alcance ou de atividade coordenada não comprova, isoladamente, irregularidade eleitoral.

O que significa tratamento igualitário nas redes?

O princípio de isonomia exige que as plataformas adotem critérios compatíveis com a legislação e não estabeleçam privilégios indevidos entre candidaturas.

Isso não implica obrigatoriedade de igualar artificialmente as visualizações, curtidas, compartilhamentos ou comentários recebidos pelos candidatos.

O alcance de uma publicação pode variar conforme o interesse do público, a base de seguidores, o horário da postagem, a repercussão espontânea e outras características de circulação do conteúdo.

A questão jurídica surge quando se investiga se os próprios sistemas da plataforma aplicaram restrições ou vantagens injustificadas a determinada candidatura.

Para esclarecer essa diferença, não basta comparar quantidades de curtidas ou visualizações.

É necessário examinar os critérios técnicos, os registros das plataformas, as decisões de moderação e eventuais alterações nas regras aplicadas durante o período eleitoral.

A investigação pode resultar em punições?

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral é um instrumento utilizado para apurar possíveis abusos de poder e uso indevido dos meios de comunicação durante o processo eleitoral.

Dependendo dos fatos comprovados, das responsabilidades individualizadas e das decisões judiciais, processos dessa natureza podem resultar em sanções eleitorais.

A coligação de Lula apresentou pedido contra a chapa de Flávio Bolsonaro, incluindo pretensão de cassação.

Entretanto, a abertura do processo não representa acolhimento antecipado desse pedido.

No estágio atual, a prioridade da decisão é a obtenção de informações técnicas e o exercício do direito de defesa.

Também foram adiadas algumas medidas urgentes solicitadas pela coligação, entre elas providências sobre eventual recomposição de alcance de anúncios, até que as empresas forneçam os esclarecimentos requeridos.

Por que a investigação é importante a dois dias da eleição?

As redes sociais se tornaram canais centrais de circulação de informações, opiniões, reportagens e mensagens de campanha.

Se uma plataforma aplica critérios diferentes aos candidatos sem justificativa legítima, a questão pode ultrapassar um problema comercial ou tecnológico e alcançar a igualdade de condições na disputa eleitoral.

Por outro lado, diferenças de engajamento, falhas técnicas isoladas e decisões de moderação não podem ser automaticamente consideradas provas de manipulação política.

A Justiça Eleitoral terá de diferenciar essas situações mediante análise técnica e jurídica.

Com o segundo turno marcado para domingo, 25 de outubro, o prazo para esclarecimentos ganha relevância.

A principal questão que o TSE tenta responder é se os algoritmos e ferramentas de inteligência artificial aplicaram regras equivalentes às candidaturas ou se houve tratamento diferenciado incompatível com a legislação eleitoral.

A resposta dependerá dos documentos, relatórios técnicos e demais provas apresentados no processo.

O Hoje Bahia continuará acompanhando os esclarecimentos das plataformas e as decisões da Justiça Eleitoral.


Fontes consultadas

Agência Brasil — 23/10/2026
TSE dá 24 horas para Meta e X explicarem distribuição de material político

Agência Estado / UOL — 23/10/2026
Detalhes da decisão de Ricardo Villas Bôas Cueva

Ministério Público Federal — 22/10/2026
MP Eleitoral aponta descumprimento parcial de medidas pela Meta

Tribunal Superior Eleitoral — 20/10/2026
TSE ouve representantes da Meta e das duas campanhas presidenciais

Agência Brasil — 20/10/2026
Meta nega tratamento desigual entre candidaturas presidenciais

Poder360 — 22/10/2026
TSE também cobra relatório sobre canal Exército do Lula

Apuração e redação: Hoje Bahia | 23 de outubro de 2026.

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