A Procuradoria-Geral do Estado da Bahia (PGE-BA) encaminhou, nesta quarta-feira (28), ao Ministério Público Federal (MPF), uma notícia-crime solicitando a investigação de possíveis irregularidades na oferta de transporte coletivo em Salvador durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no domingo (25).
A medida foi adotada após uma fiscalização do Procon-BA identificar 944 ônibus estacionados em nove garagens das concessionárias responsáveis pelo transporte público da capital baiana, enquanto eleitores relatavam dificuldades para chegar aos locais de votação.
A representação cita o prefeito Bruno Reis, o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, e os responsáveis pelas empresas concessionárias, solicitando a apuração das eventuais responsabilidades de cada um.
O encaminhamento da notícia-crime não significa que os citados tenham cometido alguma irregularidade. A existência de infrações e eventuais responsabilidades dependerá da investigação.
Fiscalização contraria informação divulgada pela Prefeitura
Um dos principais pontos da representação é a divergência entre os dados da fiscalização e a informação anteriormente divulgada pela Prefeitura de Salvador de que 100% da frota estaria em circulação no dia da votação.
De acordo com o Governo da Bahia, equipes do Procon-BA percorreram nove garagens das concessionárias OT Trans e Integra Plataforma e identificaram os 944 veículos estacionados.
A fiscalização produziu autos, relatórios técnicos e registros fotográficos que foram encaminhados às autoridades.
O número de veículos encontrados nas garagens, isoladamente, não permite estabelecer quantos ônibus deveriam estar em operação naquele momento. Essa comparação dependerá da análise da frota disponível, da programação exigida e dos registros efetivos de circulação.
Relatórios apontam outras possíveis irregularidades
Além da quantidade de coletivos estacionados, os relatórios estaduais identificaram a ausência de equipes operacionais e de apoio de plantão nas empresas fiscalizadas.
Outro ponto questionado foi a justificativa relacionada à adesivação dos veículos, já que os fiscais não constataram adesivação generalizada que explicasse a retenção da frota.
Os documentos também incluem reclamações de passageiros que relataram dificuldades de acesso ao transporte público no dia da eleição.





