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URGENTE | ELEIÇÕES 2026

TRE-BA determina prisão de secretário de Salvador após retenção de ônibus no segundo turno das eleições

Justiça Eleitoral ordena prisão em flagrante de Pablo Souza, titular da Semob, exige circulação integral da frota e estabelece multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento; Prefeitura atribui retenção de veículos à colocação de propaganda eleitoral.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 25 de outubro de 2026 às 13:59 • Salvador - BA
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Pablo Souza, secretário municipal de Mobilidade de Salvador, teve a prisão determinada pelo TRE-BA após denúncias de retenção de ônibus durante o segundo turno das eleições de 2026.
Pablo Souza, secretário municipal de Mobilidade de Salvador, teve a prisão determinada pelo TRE-BA após denúncias de retenção de ônibus durante o segundo turno das eleições de 2026. — Imagem de referência — confirmar autoria e direitos de reprodução antes da publicação.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou, neste domingo (25), a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, após denúncias de retenção de ônibus do transporte público durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

A determinação partiu do presidente da Corte, desembargador Maurício Kertzman Szporer, após representação da Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, que denunciou dificuldades no deslocamento de eleitores até os locais de votação.

A ordem de prisão deverá ser cumprida pela Polícia Federal. Até a última atualização das informações consultadas, ainda não havia confirmação de que o secretário tivesse sido efetivamente detido.

Justiça determina circulação de 100% da frota

A decisão judicial estabelece que a Prefeitura de Salvador e as empresas concessionárias restabeleçam imediatamente a circulação de todos os ônibus previstos para um dia útil, garantindo frequência regular, itinerários habituais e gratuidade aos passageiros.

O objetivo é assegurar o deslocamento dos eleitores até as seções eleitorais e o retorno às residências após a votação.

A determinação prevê multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento e estabelece prazo de uma hora, contado da notificação, para que os responsáveis comprovem o restabelecimento do serviço.

Também foi determinada a fiscalização policial, com possibilidade de utilização de drones para verificar a movimentação dos veículos nas garagens.

Fiscalização encontrou 55 ônibus parados em garagem

A crise no transporte coletivo começou nas primeiras horas da manhã, quando passageiros de diferentes bairros de Salvador passaram a denunciar longas esperas, pontos lotados e ônibus que não apareciam nos horários habituais.

Entre as localidades citadas nas reclamações estão Lobato, Plataforma, Calçada, São Rafael, Mussurunga e Brotas.

Durante uma fiscalização, o Procon-BA encontrou 55 ônibus estacionados no pátio da empresa OT Trans. Segundo o órgão, os veículos estavam aptos à circulação, mas permaneciam na garagem. A empresa foi autuada.

A Federação Brasil da Esperança afirmou, em sua representação, que a oferta de ônibus teria sido reduzida em mais de 50% em comparação com a operação habitual dos dias úteis.

O percentual apresentado pela federação é uma alegação da parte autora e não deve ser confundido com um levantamento independente e conclusivo sobre toda a frota municipal.

Prefeitura alega interferência de sindicalistas

A Prefeitura de Salvador apresentou uma explicação diferente para a retenção dos ônibus.

O prefeito Bruno Reis (União Brasil) reconheceu que 75 veículos permaneceram retidos em uma garagem, mas atribuiu a situação à atuação de sindicalistas que teriam colocado adesivos de propaganda eleitoral do PT nos coletivos.

Segundo o gestor, a presença do material partidário teria impedido a saída dos veículos, já que a legislação eleitoral estabelece restrições à propaganda em bens utilizados na prestação de serviços públicos.

A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) informou que, após diálogo com representantes sindicais e equipes operacionais, os ônibus voltaram a circular e o serviço foi normalizado.

A versão apresentada pela administração municipal integra a controvérsia e deverá ser examinada pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Secretário estaria em Paris durante a crise

Outro elemento do caso é a informação de que Pablo Souza estaria em Paris, na França, participando de uma agenda oficial.

A circunstância foi mencionada na representação da Federação Brasil da Esperança, que argumentou que a ausência do secretário não deveria impedir a adoção de providências para garantir o funcionamento do sistema de transporte.

Até o momento das informações consultadas, a localização do secretário não havia sido confirmada diretamente por autoridade policial.

Disputa política se intensifica durante a votação

O episódio provocou um confronto público entre representantes das duas principais forças políticas envolvidas na disputa presidencial.

O senador eleito Rui Costa (PT), integrante da coordenação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, acusou a Prefeitura de Salvador de dificultar o deslocamento de eleitores e defendeu a responsabilização dos envolvidos.

A federação partidária também solicitou medidas contra o prefeito Bruno Reis e responsáveis pelas concessionárias.

O prefeito rejeitou as acusações, sustentou que os problemas decorreram da colocação de propaganda eleitoral nos ônibus e afirmou que a operação havia sido restabelecida.

Até a apuração desta reportagem, a ordem de prisão confirmada pelas fontes consultadas dizia respeito ao secretário Pablo Souza. Não havia confirmação de ordem equivalente contra Bruno Reis.

O que acontece agora?

A decisão do TRE-BA coloca a fiscalização do transporte coletivo sob acompanhamento direto das autoridades eleitorais e policiais.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a quantidade efetiva de veículos retidos, as razões da interrupção, a responsabilidade pela operação das garagens e a existência de eventual conduta destinada a dificultar o exercício do voto.

A Procuradoria Regional Eleitoral e a Polícia Federal também receberam encaminhamentos relacionados à apuração de possíveis crimes eleitorais.

A expedição de uma ordem de prisão em flagrante não representa, por si só, condenação criminal. A responsabilidade dos envolvidos depende da análise dos fatos, das provas e dos procedimentos legais cabíveis.

Direito ao voto e responsabilidade do poder público

O episódio evidencia a importância do transporte coletivo para o exercício do direito ao voto, especialmente entre cidadãos que dependem exclusivamente dos ônibus para chegar às seções eleitorais.

A prestação do serviço em condições adequadas durante o pleito constitui uma obrigação das autoridades responsáveis pela mobilidade urbana, nos termos das determinações da Justiça Eleitoral.

O descumprimento de ordens judiciais poderá resultar em sanções adicionais, independentemente das responsabilidades administrativas e eleitorais que venham a ser identificadas.

O Hoje Bahia acompanha os desdobramentos da decisão, o cumprimento da ordem de prisão e a situação da frota de ônibus em Salvador.

Fontes da apuração

Rádio Metrópole/Metro1, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, UOL, BNews e informações da Semob, com publicações de 25 de outubro de 2026.

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