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JUSTIÇA | REPERCUSSÃO

Após ataques à Bahia, Rodrigo Constantino é alvo de notícia-crime na Polícia Federal; MP já preservou provas

OAB-BA pede investigação por possível discriminação contra baianos; Polícia Civil também apura declarações e Ministério Público avalia se o caso será conduzido na esfera estadual ou federal.

João Branko | Redação HOJE BAHIA
Publicada em 08 de outubro de 2026 às 17:33 • Salvador - BA
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Rodrigo Constantino é alvo de notícia-crime apresentada pela OAB-BA à Polícia Federal após declarações sobre a Bahia e os baianos. O caso também é investigado pela Polícia Civil e acompanhado pelo Ministério Público da Bahia.
Rodrigo Constantino é alvo de notícia-crime apresentada pela OAB-BA à Polícia Federal após declarações sobre a Bahia e os baianos. O caso também é investigado pela Polícia Civil e acompanhado pelo Ministério Público da Bahia.

As declarações do economista e comentarista político Rodrigo Constantino contra a Bahia e sua população ganharam novos desdobramentos jurídicos. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA) apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal, enquanto o Ministério Público estadual confirmou a preservação das provas e analisa qual órgão deverá conduzir a apuração.

A representação foi protocolada na quarta-feira (7), pela presidente da OAB-BA, Daniela Borges, e encaminhada à Superintendência Regional da Polícia Federal na Bahia.

A entidade solicita que seja investigada a possível prática de discriminação e preconceito por origem regional, a partir de um vídeo publicado pelo comentarista nas redes sociais após o primeiro turno das eleições de 2026.

No conteúdo divulgado em 4 de outubro, Constantino classificou a Bahia como "o câncer do Brasil" e afirmou que "Salvador é um lixo". O comentarista também generalizou críticas à população baiana, associando moradores à falta de disposição para o trabalho.

As declarações provocaram repercussão nas redes sociais e motivaram a abertura de um procedimento investigativo pela Polícia Civil da Bahia.

OAB pede investigação e preservação de provas digitais

Na notícia-crime, a OAB-BA sustenta que as declarações devem ser analisadas à luz do artigo 20, parágrafo 2º, da Lei nº 7.716/1989, que trata de crimes de discriminação e preconceito praticados por meios de comunicação, internet e redes sociais.

A Ordem ressalta que não pretende restringir críticas políticas, mas considera necessário investigar se houve manifestações discriminatórias dirigidas a uma população identificada por sua origem regional.

Entre as providências solicitadas à Polícia Federal estão:

  • Preservação do vídeo original e de outras publicações relacionadas ao caso;
  • Identificação dos responsáveis pela conta e pelas publicações;
  • Levantamento de datas, horários e registros de acesso;
  • Apuração do alcance e da repercussão das mensagens;
  • Verificação de dados técnicos que indiquem de onde o conteúdo foi publicado.

A instituição também solicitou articulação com a Polícia Civil da Bahia para evitar duplicidade de diligências.

A apresentação de uma notícia-crime não significa que o investigado tenha sido denunciado formalmente pelo Ministério Público ou considerado culpado. Trata-se de uma comunicação às autoridades para avaliação dos fatos e eventual adoção das medidas previstas em lei.

Ministério Público já preservou provas e avalia competência

Outro desdobramento importante ocorreu na quarta-feira (7), quando o Ministério Público da Bahia informou, durante uma coletiva de imprensa em Salvador, que as provas relacionadas ao caso já foram coletadas e preservadas.

De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, o órgão analisa se a investigação deverá tramitar na esfera estadual ou federal.

A definição envolve, entre outros aspectos, o fato de Rodrigo Constantino residir nos Estados Unidos e de as manifestações terem sido feitas fora do território brasileiro, embora tenham repercutido no país.

O MP-BA também anunciou a formação de uma força-tarefa para acompanhar possíveis crimes de discriminação e xenofobia relacionados à repercussão das eleições.

A iniciativa reúne integrantes de setores especializados em direitos humanos, investigação criminal e ilícitos cibernéticos.

Segundo as informações apresentadas pelo Ministério Público, pelo menos quatro procedimentos relacionados a possíveis episódios de xenofobia no contexto eleitoral já estavam em andamento. Esse número não corresponde exclusivamente ao caso Constantino.

Polícia Civil abriu investigação na terça-feira

Antes da representação da OAB, a Polícia Civil da Bahia já havia instaurado, na terça-feira (6), um procedimento para apurar possíveis manifestações discriminatórias contra a população baiana.

A instituição informou que as diligências seguem com acesso restrito para preservar o andamento dos trabalhos.

A investigação busca esclarecer as circunstâncias das publicações e verificar se existe responsabilidade criminal pelas declarações.

Até o momento, a abertura da investigação estadual e o protocolo da notícia-crime na Polícia Federal são medidas distintas. O pedido apresentado pela OAB não representa, por si só, a confirmação de abertura de um inquérito federal.

Constantino pediu desculpas e afirmou que crítica era direcionada ao PT

Após a repercussão do primeiro vídeo e a confirmação da investigação policial, Rodrigo Constantino publicou uma nova manifestação na terça-feira (6).

O comentarista pediu desculpas aos baianos que se sentiram ofendidos e afirmou que pretendia criticar a influência eleitoral do Partido dos Trabalhadores na Bahia, e não atacar toda a população do estado.

Ele também defendeu seu direito de manifestar opiniões políticas e fazer avaliações críticas sobre lugares e comportamentos sociais.

Em manifestação à CNN Brasil, Constantino minimizou a investigação e reiterou que suas declarações estavam relacionadas à sua oposição política ao PT.

A OAB-BA registrou a manifestação posterior na representação encaminhada à Polícia Federal, mas entende que o pedido de desculpas não elimina a necessidade de examinar o conteúdo original e suas circunstâncias.

O que prevê a legislação?

O artigo 20 da Lei nº 7.716/1989 estabelece punição para a prática, indução ou incitação à discriminação ou ao preconceito nos casos previstos pela legislação.

Quando a conduta se enquadra no dispositivo e é praticada por meio de redes sociais ou outros meios de comunicação, a pena prevista é de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

Entretanto, a aplicação dessa legislação ao caso concreto depende de análise jurídica, investigação dos fatos e eventual decisão judicial.

O ponto central da apuração é determinar se as manifestações permaneceram no campo da crítica política ou ultrapassaram esse limite, configurando discriminação contra uma coletividade.

Caso continua sob acompanhamento

Com a investigação estadual em andamento, o pedido formal apresentado à Polícia Federal e a análise do Ministério Público, o caso passa a envolver diferentes instituições do sistema de Justiça.

Ainda não há confirmação de conclusão das investigações ou de responsabilização criminal do comentarista.

O Hoje Bahia continuará acompanhando os procedimentos, as manifestações das autoridades e os posicionamentos de Rodrigo Constantino, assegurando espaço para o contraditório e a ampla defesa.

Veja o VÍDEO na matéria anterior.

Fontes: OAB Bahia, Ministério Público da Bahia (informações divulgadas à CNN Brasil), Polícia Civil da Bahia e Lei nº 7.716/1989.

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